Reforma tributária: a vantagem competitiva nasce na execução
A reforma tributária ainda é tratada por parte da indústria como tema restrito à área fiscal. Em 2026, essa leitura já não se sustenta. Desde 1º de janeiro, o início da transição da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) passou a exigir ajustes em documentos fiscais, sistemas e rotinas. Na prática, a reforma deixou de ser uma discussão conceitual e entrou na agenda de execução.
O desafio mais imediato não é tributário, em sentido estrito, mas operacional. O novo modelo exige coordenação entre as áreas fiscal, de tecnologia, de suprimentos, de operação e comercial. Quem tratar a mudança como simples troca de alíquota ficará olhando pelo retrovisor. Na indústria, isso significa rever:
• Cadastros de materiais e serviços;
• Regras de faturamento e compras;
• Contratos e formação de preços;
• Integrações entre ERP, documentos fiscais e apuração.
O ponto central é simples: um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) moderno, não cumulativo, com crédito financeiro amplo e tributação no destino, exige consistência entre a operação real e a informação declarada. Em empresas com múltiplas plantas, transferências internas, regimes específicos e cadeias interestaduais, qualquer desencontro tende a gerar retrabalho, perda de crédito, atraso no faturamento e conflito interno.
Por isso, 2026 precisa ser tratado como um ano de aprendizagem controlada. É o momento de testar cadastros, revisar integrações, treinar equipes e estabelecer uma governança clara entre as áreas envolvidas. A empresa que usar esse período apenas para cumprir tabela desperdiçará a fase menos custosa da curva de aprendizagem. Além disso, o calendário é apertado: a partir de 2027, a CBS entra em cobrança, enquanto PIS e Cofins saem de cena.
Uma frente que não pode ser ignorada
Há ainda uma frente estratégica, muitas vezes, negligenciada. Desde janeiro, titulares de benefícios onerosos relativos ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) podem iniciar pedidos de habilitação para futuros direitos de compensação. Para grupos industriais apoiados em incentivos estaduais, o tema afeta o planejamento financeiro, a avaliação de projetos, a expectativa de retorno e a comunicação com investidores.
A reforma tributária pode se converter em alavanca de simplificação e competitividade. Isso, porém, só acontecerá nas empresas que saírem da abstração e entrarem no terreno da execução disciplinada. Se ainda não houver um plano integrado de adaptação, o melhor momento para começar é agora.
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