O café assume o protagonismo na alimentação fora do lar
Quem visitou a Fispal Food Service deste ano percebeu algo que vai além dos corredores lotados e dos lançamentos de equipamentos: o café conquistou definitivamente seu espaço como um dos segmentos mais relevantes da feira.
A edição de 2026 foi a maior da história da Fispal. Realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo, reuniu mais de 68 mil visitantes, 2.500 marcas expositoras e ocupou uma área recorde de 50 mil metros quadrados.
Dentro desse cenário, o setor de cafés teve um desempenho especialmente expressivo. Segundo Daniel Corigliano, gerente de negócios da Fispal, a área dedicada ao café registrou crescimento de aproximadamente 10% em relação à edição anterior, tanto em espaço quanto em número de expositores. Para ele, o café ocupa um papel estratégico dentro do food service, contribuindo para melhorar a experiência do cliente e aumentar o ticket médio dos estabelecimentos.
E basta caminhar pelos pavilhões para entender esse movimento. O café deixou de ser apenas um complemento da operação para se tornar uma ferramenta de diferenciação. Cafeterias, restaurantes, padarias e até sorveterias estão investindo em equipamentos mais sofisticados, grãos de maior qualidade e novas experiências para os consumidores.
Essa percepção também é compartilhada por Umberto Milo, CEO da Imeltron, empresa responsável pela importação e distribuição de máquinas de espresso. Segundo ele, após mais de 15 anos acompanhando o mercado, nunca foi tão evidente o crescimento dos cafés especiais e o interesse do público por qualidade e diversidade.
Um dos pontos mais interessantes destacados por Milo é a mudança no comportamento do consumidor. Hoje cresce a busca por liberdade de escolha. O consumidor quer experimentar diferentes origens, terroirs e perfis sensoriais. Quer provar um café campeão da Mantiqueira de Minas em um dia e um microlote do Sul de Minas no outro. E isso impulsiona a demanda por máquinas e soluções capazes de extrair o máximo potencial desses cafés.
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla. Nos últimos anos, o café especial deixou de ser um nicho para ganhar espaço no cotidiano dos brasileiros. O consumidor está mais informado, mais curioso e disposto a investir em qualidade. Em resposta, cafeterias e estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar têm buscado profissionalização, treinamento e tecnologia para atender essa nova demanda.
A própria Fispal reflete essa transformação. Mais do que uma feira de exposição, ela se tornou um ambiente onde produtores, torrefadores, distribuidores, fabricantes de equipamentos e empreendedores encontram oportunidades para gerar negócios, estabelecer parcerias e entender os rumos do mercado.
O crescimento do café dentro da Fispal é, na verdade, um retrato do que estamos vendo em todo o Brasil: consumidores mais exigentes, empresários mais atentos à qualidade e um mercado que continua amadurecendo. Se o café já foi apenas o encerramento de uma refeição, hoje ele é protagonista da experiência.
E, pelo que vimos nesta edição, esse protagonismo está apenas começando.
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