Dados não são o novo petróleo
É uma frase comum de se ouvir que “Dados são o novo petróleo”, o que é uma hipótese e uma analogia ao mesmo tempo. Como toda analogia ela é imperfeita, mas mesmo suas imperfeições ajudam a entender como os dados funcionam na economia digital.
A hipótese vem do fato de que, por quase cem anos, o petróleo foi a peça central da economia global, quase tudo girava em torno do preço do petróleo e sua disponibilidade para gerar energia. Porém nas últimas décadas, surgiram novas formas de energia e o petróleo parecia que deixaria de ser tão central. Qual seria a nova centralidade da economia global?
A hipótese que surgiu é que seriam os dados na medida em que a transformação digital avançava, e isso ficou ainda mais forte como hipótese a partir de 2022 com a popularização dos LLM (Large Language Models), tais como ChatGPT, Gemini, Co-Pilot e outros.
Existe uma lógica bastante sólida de uma cadeia de valor análoga entre dados e petróleo. Ambos são um insumo bruto que não pode ser usado diretamente antes de ser processado.
Se “dados são o novo petróleo”, então “análise é o novo refino”. O petróleo precisa ser refinado para ser utilizado e separado nos seus componentes, tais como gasolina, diesel, lubrificantes e nafta. Da mesma forma, dados precisam ser organizados, tratados e analisados para serem úteis.
O objetivo de analisar os dados é que “inteligência é a nova gasolina”. O que se quer é tomar decisões melhores e não guardar dados apenas por guardar.
Assim, formam-se duas cadeias de valor realmente muito parecidas. Algo bruto é capturado da natureza, passa por um processo de transformação e depois então utilizado. Nesse sentido, dados e petróleo se parecem bastante.
Mas como em toda analogia existem imperfeições e estas são bastante úteis para estabelecer a dinâmica, e as propriedades dos dados nessa economia digital.
A primeira é que se “dados são o novo petróleo”, então “privacidade é o novo verde”. Cada vez mais o problema da segurança digital, privacidade, propriedade dos dados e cibersegurança surgem como muito relevantes na economia digital.
Até que ponto as empresas podem ter dados sobre seus clientes e como podem utilizá-los é uma discussão que ainda não encontrou um ponto final.
A segunda diferença é que o valor do petróleo se dá pela escassez, isto é, quanto menos petróleo disponível, mais ele vale. O valor se dá pela clássica relação de oferta e demanda da economia.
Mas dados valem mais quanto maior a sua disponibilidade, a lógica é de ganho de escala. Quanto maior a abundância dos dados, maior o valor deste conjunto de dados (Data Lakes). Isto leva as empresas a tentarem capturar e coletar o máximo de dados sobre seus usuários e seus padrões de consumo.
No final, “dados não são petróleo”, mas tem similaridades, mas também importantes diferenças. Entender os dois lados melhora a compreensão da importância e do papel dos dados na nova economia digital.
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