Do balança mas não cai da política externa
Vivemos em um mundo cada vez mais imprevisível e volátil quanto a seus movimentos geopolíticos e geoeconômicos. Um mundo onde a principal potência mundial nos comunica em minutos suas mudanças políticas. Quase podemos dizer que somos movidos por mensagens instantâneas via redes sociais, com enorme dificuldade de entendermos a essência, o conteúdo estratégico desses movimentos e então, ou nos prepararmos para reagir e criamos nossas políticas e movimentos táticos, ou formularmos uma política externa a longo prazo que nos proteja aos quase desaforos nem de dia a dia, mas de minuto a minuto.
De um lado, China é um exemplo interessante a ser estudado de como consegue, com objetivos de longo prazo, reagir ou até não reagir a curto prazo. O Brasil, com algumas variações, se manteve através do profissionalismo de sua diplomacia, chamada pelo palácio que ocupa o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, na linha de equilíbrio, durante décadas. Apesar de que o chamado interesse nacional não está bem definido no Brasil, e é mais uma variável tática do que uma definição estratégica, o país se deu bem nos ritmos definidos do passado.
Segundo artigo de uma economista do Instituto Petersen, Monica de Bolle, a exceção foi o período do governo anterior e em especial na área ambiental. Mas, sobretudo ela chama a atenção pelo fato de que a atual dinâmica da política internacional é mais intensa e obrigatoriamente vai fazer a pauta da futura gestão. E ignorar isso pode trazer enormes prejuízos ao país.
Ela está certa e provavelmente esperançosa de que os candidatos leiam o seu artigo. Como no Brasil os candidatos são guiados pelos marqueteiros, tenho minhas dúvidas de que alguém vai ler. E nem os jornalistas que preparam os debates, que serão provavelmente mais do mesmo. Os dois candidatos principais hoje carregam políticas externas conhecidas e que não demonstram qualquer sinal de definição de interesse nacional ou uma de visão a longo prazo. Ou seja, numa hora em que as influências externas têm um enorme peso no desenvolvimento ou até sobrevivência do país, os dois candidatos não atentam à importância disso, apesar de os dois terem vivência do exterior, no ponto que o país precisa definir claramente como se vai comportar no futuro. Ou como vai nadar num mar cheio de tubarões sendo um badejo.
Uma sugestão seria que as entidades empresariais nos seus programas que apresentam aos candidatos e fecham seus acordos políticos, digam com clareza quais são seus interesses nessa área. A destruição do Itamaraty, que testemunhamos há pouco, mostra o perigo que vivemos. A política de Sul Global também deixou suas sequelas na área econômica . A diplomacia empresarial que se mostrou bem eficaz recentemente, deve ser mais conceitual e aliada à diplomacia do estado. E as duas formam o interesse nacional.
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