Recuperação do consumo eleva faturamento e volume de vendas do setor atacadista em 2026
O setor atacadista distribuidor no Brasil acumulou alta de 4,8% no faturamento e de 1,1% no volume de vendas no quarto trimestre deste ano. O bom desempenho ocorre em um cenário marcado por retrações em algumas categorias de produtos e consolida a retomada gradual do consumo.
O Termômetro Abad Inteligência de Mercado, desenvolvido pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) em parceria com a NielsenIQ/Mtrix, demonstra que o canal indireto também registrou crescimento de 3,6% no preço médio e avanço de 1,1% no número de pontos de vendas (PDVs). Além disso, o tíquete médio ficou com uma variação positiva de 3,7% nos quatro primeiros meses de 2026.
Já na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês de 2025, o faturamento teve uma leve alta de 0,5%, apesar da retração de 2,5% no volume de vendas. Por outro lado, o preço médio avançou 3,1%, enquanto o tíquete médio se manteve estável em relação ao mesmo período do ano anterior. O total de PDVs teve crescimento de 0,5% no comparativo.
Esses resultados consolidam um cenário que reforça um movimento de recomposição de valor aliado a um varejo mais estratégico e atento às mudanças no comportamento do consumidor. Em entrevista ao Diário do Comércio, durante a Convenção Abad 2026, em Atibaia (SP), o diretor de atendimento ao varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, destacou que o setor atacadista representa uma parcela relevante do mercado nacional, com mais de R$ 1 trilhão movimentados ao longo de 2025.
Ele também pontuou que o setor responde por 56% do abastecimento do segmento alimentício nacional. “Os agentes de distribuição mostram toda sua força dentro desse cenário”, diz.
O especialista destaca que o ambiente de consumo vem apresentando alguns resultados negativos, como uma retração no volume de vendas em 76% das categorias de produtos. No entanto, ele também menciona a amplitude do alcance do setor atacadista quanto aos mercados atendidos, incluindo perfumarias, supermercados, farmácias, entre outros.
Segundo Tremaroli, os setores ligados ao consumo fora do lar e os pequenos varejistas têm sofrido mais com os efeitos dessa redução. O diretor avalia que esse cenário está diretamente relacionado ao fato de o poder de compra do consumidor brasileiro estar mais pressionado, fazendo com que ele opte por itens com preços mais acessíveis.
Importância do mercado Mineiro

Quanto ao mercado mineiro, o especialista ressaltou que Minas Gerais possui um papel de grande relevância no mercado nacional, tanto pela posição geográfica estratégica quanto pelas empresas sediadas na região. “Nós temos muitas empresas na região que são muito importantes para o setor e nós vemos, pelos números declarados no ranking da Abad, como elas vêm se destacando ano após ano”, afirma.
Entre os resultados apresentados, Tremaroli menciona os avanços no faturamento anual, número de funcionários, além do otimismo do empresariado local em relação ao futuro do setor e investimentos. “É indiscutível a importância da região e de suas empresas para o setor”, acrescenta.
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Impacto da Copa do Mundo e das Eleições no setor atacadista
Apesar de gerar muito otimismo para o mercado, o diretor de atendimento ao varejo da NielsenIQ esclareceu que a Copa do Mundo de futebol masculino não pode salvar o mercado sozinha. Ele explicou que algumas categorias tendem a performar melhor, como snacks e bebidas, além de produtos relacionados à realização de churrascos.
“Essas categorias trazem um otimismo para o consumo, mas sozinhas elas não têm peso para mudar o cenário crítico que notamos de retração no mercado brasileiro”, pondera.
No entanto, Tremaroli avaliou que se as empresas executarem suas operações da maneira correta durante o período do torneio, elas poderão registrar um aumento no volume de vendas. Já sobre os efeitos gerados pelas eleições no mercado nacional, ele lembra que esse período é quase sempre marcado pela injeção de capital na economia, como os programas para redução da dívida da população.
O especialista pontua que os efeitos desse tipo de medida no mercado dependerão do quão efetivas elas serão. Além disso, há ainda a questão envolvendo a grande quantidade de feriados prolongados ao longo de 2026 e a chegada de um super El Niño no segundo semestre, trazendo uma elevação de temperatura, beneficiando segmentos como as bebidas alcoólicas.
“Nós temos uma expectativa da chegada de um super El Niño no segundo semestre, o que pode alavancar categorias que sofreram muito em anos anteriores pela alta incidência de chuvas”, conclui.
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