Crédito verde cresce 140% em Minas Gerais e alcança R$ 276 milhões em financiamentos
As empresas mineiras têm demonstrado maior compromisso com a adoção de práticas sustentáveis, movimento que se reflete na crescente demanda por financiamentos voltados a projetos ambientais. Dados do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) mostram que, neste mês dedicado à conscientização ambiental, a instituição liberou, até o início de junho, 140% mais crédito verde em comparação ao mesmo período do ano passado. No total, foram R$ 276 milhões destinados a linhas de financiamento exclusivas para iniciativas sustentáveis dos setores público e privado.
Para 2026, o BDMG disponibiliza R$ 700 milhões em crédito por meio das linhas BDMG Verde, com foco em médias e grandes empresas; Crédito Rural Verde BDMG, destinado ao Agronegócio; e BDMG Verde Municípios, para prefeituras.
Uma das empresas com iniciativas de sustentabilidade financiadas pelo banco público é a Lwart Soluções Ambientais, com sede administrativa em Lençóis Paulista, em São Paulo. A companhia atua no segmento de rerrefino, processo de transformação do óleo lubrificante usado ou contaminado (Oluc) em matéria-prima para produção de novos lubrificantes.
A conversão permite que o resíduo retorne à cadeia produtiva gerando impactos ambientais positivos, já que cada litro de óleo usado ou contaminado descartado incorretamente pode contaminar até um milhão de litros de água, além de poluir o solo e o ar.
“A operação com o BDMG reforça a liquidez e capacidade de investimento da Lwart, e nos permitiu ampliar iniciativas conectadas à sustentabilidade e à economia circular”, afirma o CFO da Lwart, Flávio Vidigal de Capua, que planeja aumentar a capacidade de processamento, permitindo que um volume ainda maior do resíduo tenha destinação ambientalmente adequada e seja reinserido na cadeia produtiva.
A empresa, que almeja se tornar a segunda maior rerrefinaria do mundo na produção de óleos básicos, conta com 22 centros de coleta de Oluc em 16 estados, incluindo Minas Gerais. No Estado, a companhia mantém uma operação com 52 colaboradores e atende cerca de 500 municípios, o equivalente a aproximadamente 60% das cidades mineiras.
Só no ano passado, a Lwart realizou, em média, 2.500 coletas mensais e recolheu mais de 25,4 milhões de litros de óleo lubrificante usado ou contaminado em Minas, contribuindo para que o Estado alcançasse um volume total de coleta superior a 64,7 milhões de litros.
Crédito verde fortalece transformação sustentável no agronegócio
No agronegócio, os projetos sustentáveis também se destacam com investimentos em agricultura regenerativa. É o caso da Fazenda Vitória, em Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro. Neste ano, o produtor Juvenal da Rocha financiou no BDMG a compra de separador de sólidos para dejetos animais. O objetivo com o investimento é acelerar o processo de compostagem para produzir fertilizante natural para a propriedade.
“Reaproveitamos todo o material na lavoura e manutenção das baias do gado e fechamos um ciclo sustentável. O mercado está mais exigente e não compra de produtores que não preservam o meio ambiente”, afirma Juvenal. Há cinco anos, a propriedade adota práticas regenerativas de produção de soja, milho e leite.
A linha de crédito BDMG Bioinsumos, contratada pelo produtor, integra o programa LabAgroMinas do banco, que inclui capacitação e assistência técnica. Os financiamentos são operados por cooperativas de crédito parceiras e financia, ainda, a implantação de sistemas de irrigação, produção de bioinsumos, e outras iniciativas.
“As empresas e prefeituras mineiras estão mais conscientes do papel estratégico da economia verde para a competitividade dos negócios e o desenvolvimento regional. Investir com responsabilidade ambiental e social se tornou premissa e exigência do mercado. Em Minas, o BDMG tem liderado o incentivo a esses projetos”, afirma o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto.
Desde 2019, já são mais de R$ 2,5 bilhões em créditos liberados pela instituição financeira, incluindo neste montante outras linhas que também viabilizam iniciativas com impacto ambiental positivo.
Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, o avanço do crédito verde demonstra como o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade caminham juntos em Minas. “Estamos construindo uma agenda de inovação e criando condições para que nossos empreendedores consigam acompanhar as mudanças e sejam cada vez mais competitivos”.
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