Demanda global por lítio deve triplicar até 2050 e abre oportunidades para Minas
A demanda global por lítio deve mais do que triplicar em 24 anos, impulsionada principalmente pelo mercado de baterias. Minas Gerais pode se beneficiar desse movimento, visto que reúne potencial geológico, polo produtor já estabelecido e iniciativa governamental voltada ao desenvolvimento da cadeia produtiva.
Análise da Benchmark Mineral Intelligence prevê que a demanda por equivalente de carbonato de lítio (LCE) saltará de 2 milhões de toneladas em 2026 para cerca de 7 milhões de toneladas em 2050. Também estima que a participação dos veículos elétricos na demanda pelo mineral crítico aumentará de 55% para 76%.
Segundo a agência de inteligência de mercado e relatórios de preços, para atender à demanda de 2050, a indústria do lítio precisará de 134 novas minas e mais de US$ 100 bilhões em investimentos. A projeção considera um cenário base, que pode se provar conservador, dependendo de onde os empreendimentos forem construídos. Já em um cenário otimista, serão necessárias mais de 180 minas e mais de US$ 150 bilhões em capex.
Ambos os cenários excluem a contribuição da reciclagem de baterias, considerada o principal fator capaz de reduzir a quantidade de novas minas necessárias. Conforme a empresa, a reciclagem deverá responder por quase metade do fornecimento de lítio até 2050. A análise que considera a contribuição da reciclagem estima a necessidade de aproximadamente US$ 64 bilhões em investimentos para suprir a demanda de 2040.
“A reciclagem vai crescer, mas nosso cenário base exige muito dela”, afirma o diretor de produtos de lítio da Benchmark, Cameron Perks, em trecho do material divulgado nesta quarta-feira (21). “Ela é limitada pela rapidez com que as baterias chegam ao fim da vida útil e ainda precisa competir em custos com a mineração. Cada tonelada que a reciclagem não entregar terá de vir de uma mina”, explica.
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Os potenciais do Estado
Minas Gerais detém as maiores reservas brasileiras de lítio. No ranking global, o País ocupa o sétimo lugar, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As principais ocorrências de lítio são em rochas duras, especialmente pegmatitos com espodumênio, com destaque para o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas.
Em 2025, os investimentos em pesquisa mineral de lítio somaram R$ 42,2 milhões em Minas Gerais, mais da metade do montante nacional (R$ 73,4 milhões), conforme dados da plataforma MCE 360, da Agência Nacional de Mineração (ANM). Os maiores aportes foram destinados para os municípios de Itinga, Araçuaí e Salinas, localizados nas regiões citadas acima, onde estão os principais projetos e operações do segmento no Brasil.
O Brasil ocupa a sexta colocação no ranking global de produtores de lítio, conforme o USGS. A produção é realizada majoritariamente em Minas Gerais em operações da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), Sigma Lithium e AMG Brasil.
As três empresas produzem concentrado de espodumênio. As minas da CBL e da Sigma ficam entre Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, enquanto a da AMG está entre Nazareno e São Tiago, no Campo das Vertentes. Pioneira, a CBL tem uma refinaria em Divisa Alegre, no Norte do Estado, sendo a única a produzir carbonato de lítio e hidróxido de lítio. A Sigma, por sua vez, é a maior produtora de concentrado do País e uma das maiores do mundo.
Entre os projetos de novas minas estão, por exemplo, o da Atlas Lithium e Lithium Ionic, entre Araçuaí e Itinga, e o da PLS, em Salinas, no Norte de Minas. Até o momento, a intenção das três companhias é produzir concentrado. O empreendimento da Atlas está em fase de implantação, enquanto os da Ionic e PLS encontram-se na etapa de pesquisas e elaboração de estudos.
Desde 2023, Minas Gerais dispõe de um programa de fomento à produção de lítio no Estado. Lançado pelo governo estadual, o projeto se chama Vale do Lítio e busca atrair investimentos da cadeia produtiva, com ações de apoio e incentivos às empresas.
Na análise, a Benchmark menciona que a participação da Austrália na oferta projetada das minas deve cair até 2050 e a da China deve permanecer relativamente estável, ao passo que a da América do Norte e da Europa deve crescer, porém, essas regiões enfrentam desafios específicos. A agência não cita o Brasil, mas como destacado, Minas Gerais tem condições de se posicionar como um dos protagonistas do segmento.
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