Etanol sobe em BH, mas ainda compensa; veja comparação com gasolina

Entidade defende que mesmo com variações fortes de preço, o combustível segue como boa opção para os motoristas
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Etanol sobe em BH, mas ainda compensa; veja comparação com gasolina
O preço médio do etanol continua abaixo de 70% do valor da gasolina nas bombas | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alexandre Guzanshe

Em Belo Horizonte, o preço médio do etanol subiu 7,88% desde o dia 30 de agosto, ficando acima da média do Estado, que chegou a ter alta de até 5,68%. As variações dos outros combustíveis, como gasolina, diesel e gás natural veicular, foram menores, e houve até recuo de valores, caso do gás de cozinha, com queda de 0,29%.

Diesel, com média de aumento no Estado de 5,39% e de 2,39% na capital mineira, gás natural veicular (+2,85%) e gasolina (+1,10% para a comum e +1,20% na aditivada) aparentemente estão mais vantajosos para o bolso do consumidor final. Não é o que diz a Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia).

A entidade diz que o etanol segue como boa opção para o consumidor, mesmo com variações menores de preços da gasolina e de outros combustíveis.

“Independentemente do preço do etanol no produtor, o etanol hidratado continua competitivo na bomba perante a gasolina. Inclusive, tivemos até promoção por parte de distribuidoras e postos revendedores de combustíveis em Belo Horizonte, chamando a atenção para o produto. Lembrando que 85% da nossa frota é formada por veículos flex. Os preços no produtor chegaram a mínimas históricas dos últimos anos, sendo vendido abaixo do custo de produção”, disse o presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos.

O dirigente destaca ainda que o mercado de combustíveis brasileiro está muito pressionado em função da defasagem entre o preço praticado pela Petrobras na gasolina e os preços internacionais, e que o Brasil ainda importa gasolina para abastecer o mercado.

“O ano de 2026 tem sido um ano de recuperação das vendas de etanol hidratado. Com produção crescente, tanto de etanol de cana quanto de etanol de milho, tivemos preços muito depreciados entre os meses de junho e final de agosto. Esse movimento foi importante para recuperar a demanda”, comenta Campos.

Queda

Outra “defesa” para o uso do etanol é que, neste momento, apesar de as variações de preço terem sido intensas, com grandes oscilações, o produto está chegando mais “em conta” para o consumidor e até com custo menor quando se comparam os valores com o mesmo período do ano passado.

“Nesse momento, vemos o mercado acomodado, com variações pequenas de preços nas últimas semanas, inclusive nas duas últimas semanas houve redução de preço no produtor. Quando comparamos com o ano passado, o preço médio de setembro foi 7% menor que o do mesmo mês de 2025”, afirma o presidente da Siamig Bioenergia.

Subida em setembro

Os combustíveis vendidos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ficaram mais caros em setembro. Segundo levantamento do site Mercado Mineiro em parceria com o aplicativo comOferta, a diferença entre o menor e o maior preço cobrado nos postos chegou a cerca de 25%.

Entre os dias 3 e 29 do mês passado, o preço médio do litro do etanol subiu 5,76%, passando de R$ 4,13 para R$ 4,37. A gasolina comum teve reajuste menor, de 1,28%, saindo de R$ 6,32 para R$ 6,40. Mesmo com a alta mais expressiva, o combustível de origem renovável continua levando vantagem sobre o derivado de petróleo.

Isso acontece porque o preço médio do etanol corresponde a 68,5% do valor da gasolina, abaixo do patamar de 70% usado como referência para indicar que o biocombustível compensa mais para quem tem carro flex. A comparação de consumo feita na pesquisa confirma essa tendência.

Tomando como exemplo um veículo que rode 11,5 quilômetros (km) por litro de gasolina, o gasto médio seria de aproximadamente R$ 0,56 por quilômetro. Com etanol, a uma média de 8,5 km por litro, o custo ficaria em torno de R$ 0,51 por quilômetro. Assim, rodar com o biocombustível sai cerca de 7,7% mais barato do que com o combustível fóssil, ainda que o resultado possa mudar de acordo com o consumo de cada veículo.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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