Presidente do TST celebra fim da escala 6×1 e cita 104 milhões de faltas no trabalho em 10 anos

Ministro destaca impacto positivo da redução da jornada, especialmente para mulheres, e a diminuição de faltas por adoecimento
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Presidente do TST celebra fim da escala 6×1 e cita 104 milhões de faltas no trabalho em 10 anos
Foto: Pedro França/Agência Senado

O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Luiz Philipe Vieira de Mello Filho, celebrou o fim da escala 6×1 -na qual se trabalha seis dias com um de folga- ao abrir a Seção de Dissídios Coletivos nesta quinta-feira (15).

Segundo ele, a redução da jornada aprovada pelo Senado e a criação da escala 5×2 devem trazer impacto positivo, em especial, para as mulheres e diminuir o número de faltas ao trabalho. Vieira de Mello Filho citou pesquisa na qual, em dez anos, houve 104 milhões de faltas por adoecimento, o que causa prejuízo aos empregadores.

“Celebramos a decisão do parlamento brasileiro de redução da jornada, de dois dias de repouso. […] Nós acreditamos que, com isso, possamos progredir no que tange à proteção à saúde dos trabalhadores e também reduzir esse impacto econômico aos empregadores. Foram 104 milhões de dias de abstenção do trabalho em dez anos”, disse.

Vieira de Mello Filho chamou a medida de “avanço”, disse que ela será “compatibilizada” com facilidade no futuro e lembrou que a Constituição de 1988 já havia reduzido a jornada de trabalho de 48 horas para 44 horas semanais, regra válida neste momento no país.

O fim da escala 6×1 foi aprovado no Senado Federal na noite desta quarta-feira (14), em dois turnos de votação, em vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desde o início de sua vida pública como sindicalista, defende a redução da carga horária dos trabalhadores, sem redução de salário.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente da República que saiu na frente no primeiro turno, votou a favor da proposta, mesmo tendo se mostrado contrário à medida, apoiado a PEC (proposta de emenda à Constituição) das horas trabalhadas -em que o profissional ganha por hora- e trabalhado nos bastidores contra a aprovação.

O placar no Senado surpreendeu. Para aprovar uma emenda constitucional, são necessários votos de 49 dos 81 senadores. A medida teve 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da casa, não votou, mas se disse a favor.

“Então o impacto disso para os empregadores é absurdo, é uma importância vultosa e esses trabalhadores têm a sua saúde comprometida”, disse ainda Vieira de Mello Filho.

“Para nós que somos magistrados trabalhistas e acompanhamos a vida dos trabalhadores brasileiros, sobretudo das mulheres que trabalham, essa emenda que restou aprovada ontem é um avanço em termos sociais”, afirmou.

Segundo ele, a medida atingirá em especial as mulheres, que precisam dos finais de semana ou do dia de repouso com a família após trabalhar “em dois ou três turnos de jornada no trabalho do cuidado em casa” e no trabalho. “Foi um avanço que será compatibilizado com muita tranquilidade no futuro.”

“Nós já tivemos a redução na Constituição Federal de 48 para 44 horas e nós percebemos o quanto isso foi importante para tantas pessoas.”

Conteúdo distribuído por Folhapress

Cristiane Gercina
Sobre o autor

Cristiane Gercina

Agência Folhapress


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Conteúdo Especial
Conectados 60+: os desafios e as oportunidades da inclusão digital na terceira idade