Futebol feminino apresenta grandes oportunidades no mercado esportivo
O Brasil será a sede da próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2027, a primeira na América do Sul. A modalidade vem crescendo no País ao longo dos últimos anos e as marcas que desejam ingressar nesse mercado terão até o início do torneio para apostar na categoria e colher os resultados quando ela estiver mais consolidada.
A consultora sênior de strategies da OutField, Laura Guarnier, destaca que o futebol feminino brasileiro é um dos ativos mais subvalorizados do mercado esportivo nacional. Segundo ela, é exatamente nesse cenário onde está a oportunidade para as marcas interessadas.
“O custo de entrada ainda é significativamente menor do que no masculino, o que significa que uma marca pode ter visibilidade real, protagonismo e ativação criativa sem precisar competir com os enormes contratos do futebol de elite masculino”, diz.
O Relatório Nacional do Futebol Feminino, feito pela OutField, demonstra que o número de patrocinadores nos uniformes das equipes femininas da Série A1 do Brasileirão Feminino varia de um a 11 marcas. Isso, conforme a especialista, evidencia que ainda há muito espaço no inventário comercial disponível. Além disso, apenas dois clubes analisados têm patrocinador máster exclusivo para o futebol feminino, sendo um deles o Cruzeiro Esporte Clube.
Para a consultora, isso demonstra uma maturidade comercial que poucos clubes brasileiros alcançaram até o momento. Por outro lado, ela também pontua que na maioria dos casos, a marca só está exposta porque o contrato do masculino incluiu o feminino como extensão. “Isso muda completamente a dinâmica de ativação e o retorno efetivo para a marca”, completa.
Entre as empresas que investem na categoria estão as mineiras Supermercados BH, ABC da Construção e Sólides. Laura Guarnier afirma que as marcas que apostaram de forma independente no futebol feminino colheram resultados acima da média. Ela ainda avalia que a categoria virou território de marca e propósito, onde o valor simbólico frequentemente supera o midiático.

Os setores que mais cresceram no patrocínio ao futebol feminino entre 2024 e 2025 foram varejo e consumo, com alta de três pontos percentuais (p.p.), e de alimentação e bebidas, com alta de 2 p.p.. Além disso, o setor público e o governo também saltou de 1% para 6% dos patrocinadores, o que, para a especialista, sinaliza um crescimento da agenda institucional em torno da modalidade.
Lei de incentivo ao esporte
No entanto, a consultora ressalta que a oportunidade mais subexplorada é a Lei de Incentivo ao Esporte (Lei nº 11.438/2006). Isso porque empresas de lucro real podem destinar até 2% do imposto de renda devido para projetos aprovados pelo Ministério do Esporte, sem custo adicional ao caixa. “No futebol feminino, esse mecanismo é praticamente inexplorado”, diz.
Entre os clubes de Minas Gerais analisados pelo levantamento, apenas o Cruzeiro e o Clube Atlético Mineiro possuem projetos aprovados para captação via Lei de Incentivo ao Esporte em ambas as categorias. No Brasil, são oito times no futebol feminino e 23 no masculino. Laura Guarnier explica que isso representa uma janela estratégica real para as marcas.
“Patrocinar com incentivo fiscal, associar a imagem a um projeto de formação e desenvolvimento feminino, e ter retorno de visibilidade com custo financeiro real próximo de zero”, completa.
No caso dos clubes mineiros, a especialista pontua que uma marca que entrar via Lei de Incentivo ao Esporte pode se associar de forma autêntica a iniciativas que a própria torcida já abraçou, como o programa de sócio-torcedor exclusivo para o futebol feminino do Atlético.
Evolução do futebol feminino

Laura Guarnier afirma que o cenário atual mostra uma trajetória ascendente da modalidade no Brasil. Ela lembra que entre os anos de 2023 e 2025, a premiação do Brasileirão A1 cresceu a uma taxa média anual de 89% e a arrecadação com bilheteria subiu 40%, mesmo com a taxa de ocupação média dos estádios ficando em 9,9%.
“Isso significa que o mercado está crescendo partindo de uma base muito baixa, o que sinaliza potencial enorme de expansão à medida que as condições estruturais melhorem”, avalia.
Para ela, a Copa do Mundo é o principal catalisador de curto prazo. A especialista pontua que nenhum evento esportivo tem o poder de mobilizar investimento, visibilidade e interesse comercial como a Copa do Mundo. Ela acredita que os clubes, federações e marcas que se posicionarem agora terão vantagem competitiva relevante quando o torneio começar e ganhar maior atenção.
Quanto ao futebol feminino em Minas Gerais, Laura Guarnier explica que o cenário de curto prazo também é oportunidade clara para quem agir agora. Ela avalia que o Cruzeiro está bem posicionado para se consolidar entre os cinco maiores clubes da modalidade, enquanto o Atlético possui as características necessárias para repetir esse desempenho.
“O Atlético Mineiro tem o tamanho da marca e a base de torcedores para fazer o mesmo, se decidir tratar o feminino como projeto e não como extensão do masculino. A estrutura já existe”, diz.
A consultora afirma que ainda falta decisão estratégica e o entendimento de que os clubes que saírem na frente neste momento colherão maior vantagem competitiva e comercial e que depois será muito mais difícil obter esses resultados. Ela pontua que a janela está aberta, mas alerta que a Copa do Mundo irá fechá-la mais rápido do que o esperado.
Ouça a rádio de Minas