Folga extra é preferência de 75,5% em vez de aumento salarial, diz pesquisa da Rede Cidadã
A maioria (75,5%) dos entrevistados em uma pesquisa sobre a escala 6×1 feita pela Rede Cidadã declarou preferir um dia a mais de folga a um acréscimo de 20% no salário. O levantamento foi realizado pela entidade nessa terça-feira (13), às vésperas da votação, no Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que acaba com a escala de seis dias semanais de trabalho e um de descanso.
A PEC, que também reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, já foi aprovada na Câmara dos Deputados. A votação em primeiro turno no plenário do Senado está prevista para esta quarta-feira (14). Para ser aprovada, a medida exige 49 dos 81 votos na Casa, em dois turnos.
Conforme a Rede Cidadã, o estudo em questão contou com 5.705 respostas de pessoas com 16 anos ou mais, coletadas a partir da base de dados da Taqe, plataforma digital gratuita de recrutamento, seleção e capacitação profissional. Entre os participantes, 90,3% demonstraram ser favoráveis ao fim da escala 6×1, contra apenas 5,1% contrários à ideia.
Ao mesmo tempo, o aumento no salário foi escolhido por 20% dos respondentes, enquanto os outros 4,5% não souberam responder. Isso demonstra que a preferência por mais descanso, com a adoção da escala 5×2, resiste a um incentivo financeiro.
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Se considerar aqueles que trabalham nessa escala atualmente, o apoio sobe para 91,3%, nível semelhante ao do grupo de pessoas que está na 5×2 (93,1%). Além disso, a posição favorável é alta em todas as faixas etárias, com destaque para aqueles com idade entre 21 e 25 anos, com 94,2% de aprovação; enquanto os entrevistados com 16 ou 17 anos apresentaram uma taxa de 86,7%.
Esse mesmo grupo também foi destaque entre aqueles interessados pela manutenção da escala 6×1 com salário maior, com 28,4% desse público.
Para o superintendente executivo da Rede Cidadã e autor do livro “O Valor da Vida no Trabalho”, Fernando Alves, os resultados mostram que a discussão sobre a escala de trabalho vai além do salário. “Os participantes valorizam o tempo de descanso, a convivência familiar e as oportunidades de estudo e desenvolvimento pessoal. São aspectos importantes para compreender o que as pessoas buscam nas relações de trabalho”, afirma.
Aceitação da jornada 5×2

Os entrevistados também foram convidados a imaginar que trabalham na 6×1 e a dizer o que fariam com um dia adicional de folga por semana. A resposta mais frequente foi descansar, ter lazer ou passar mais tempo com a família, com 69,5% das escolhas. Outros destaques foram estudar ou fazer cursos (47,9%); afazeres pessoais ou domésticos (22,3%); e cuidados com a saúde e atividade física (20,6%). Apenas 2,7% disseram que usariam o dia extra para trabalhar e ganhar renda adicional.
A maioria (66,4%) dos respondentes avaliaram como aceitável a proposta de trabalhar cinco dias com jornadas diárias mais longas e salário igual ao atual, contra 24,1% que disseram que não aceitariam. Já sobre a possibilidade de aceitar uma vaga na 6×1 em um novo emprego, 58,4% disseram que não e 21,5% que sim, corroborando com a dificuldade de atração de candidatos para vagas nesta escala.
Na avaliação dos fatores que pesam na escolha de um emprego, o salário teve a maior nota média, com uma nota 4,32 em uma escala de um a cinco. Logo em seguida aparecem os dias de folga por semana (4,31) e a possibilidade de crescimento (4,3). A duração da jornada diária recebeu 4,12. As notas próximas indicam que a decisão envolve um conjunto de condições, e não apenas a remuneração.
A maioria dos participantes convive com a escala de perto. De acordo com o estudo, 90,4% dos entrevistados afirmam conhecer ao menos uma pessoa próxima que trabalha em 6×1; 74,5% conhecem duas ou mais; e 42,2% conhecem cinco ou mais.
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