Score do consumidor cai em Minas Gerais; veja o que muda para o crédito
O consumidor mineiro pode estar com dificuldades para pagar as contas e honrar os compromissos financeiros. Segundo o Mapa Score do Brasil, o score médio de crédito em Minas Gerais registrou queda de 549 para 547 pontos entre abril de 2025 e o mesmo mês deste ano (veja o infográfico abaixo). Realizado pela Serasa, o levantamento aponta uma retração em todos os estados em um contexto de juros elevados e avanço da inadimplência.
O índice no Estado está cinco pontos acima da média nacional (542) e um ponto abaixo da média na região Sudeste (548).
O Serasa Score é uma pontuação que vai de zero a mil, usada pelas instituições financeiras para analisar o risco de crédito. Em outras palavras, é um dado que ajuda a avaliar qual é a chance de o consumidor pagar suas contas em dia nos próximos 12 meses.
O cálculo usa critérios com pesos diferentes:
- Hábitos de pagamento no Cadastro Positivo (29%);
- histórico e relacionamento com o mercado (24%);
- dívidas atuais (21%);
- consultas recentes por crédito (12%);
- informações cadastrais atualizadas (8%);
- registros de empréstimos e financiamentos (6%).
Queda exige atenção, mas não indica mudança estrutural
Mesmo com uma queda do indicador em Minas Gerais, o gerente de economia e pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Nagai Gandra, afirma que, isoladamente, a redução não representa uma mudança estrutural no perfil de crédito do consumidor mineiro. No entanto, ela pode ser interpretada como um sinal de atenção, principalmente diante do ambiente econômico em que ocorre.
“Juros elevados tornam empréstimos, financiamentos e, principalmente, o crédito rotativo mais caros, comprometendo uma parcela maior da renda das famílias. Para consumidores que já possuem um orçamento pressionado, isso aumenta o risco de atrasos e dificulta a regularização de dívidas existentes”, explica.
Para o comércio, esse cenário, conforme Gandra, é relevante porque o crédito exerce papel importante na sustentação do consumo, especialmente na aquisição de bens de maior valor e nas compras parceladas. Segundo ele, se uma parcela maior dos consumidores encontra dificuldade para acessar crédito ou passa a encontrá-lo a um custo elevado, algumas decisões de compra são adiadas ou reduzidas.
Score menor pode encarecer o crédito
O educador financeiro, consultor empresarial e economista, Leonardo Baldez, acrescenta à análise, afirmando que, quanto menor a pontuação do score, maior pode ser a percepção de risco do consumidor. “Isso pode significar desde um limite menor até uma taxa de juros mais alta ou, dependendo da análise, a própria negativa do crédito”, destaca.
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Ele sempre reforça, porém, que o indicador não deve ser analisado isoladamente. Cada instituição tem sua política de crédito e considera outros fatores, como renda, capacidade de pagamento, nível de endividamento e histórico de relacionamento. Na prática, Baldez reforça que o consumidor precisa entender que construir um bom histórico financeiro aumenta as possibilidades de negociar melhores condições.
Faixa etária pesa: jovens têm a menor pontuação
O Mapa Score do Brasil revela ainda que jovens de 18 a 25 anos, em Minas Gerais, apresentaram a menor pontuação no score (470), enquanto a faixa etária acima de 65 anos registrou a maior média (607).
O dado, segundo o gerente de economia e pesquisa da CDL-BH, precisa ser analisado considerando que este grupo inclui consumidores que estão começando a construir o histórico financeiro. Logo, possuem pouco tempo de relacionamento com instituições financeiras, renda ainda em formação e menor experiência na utilização de instrumentos de crédito.
“Ao mesmo tempo, é justamente nessa fase que muitos jovens passam a ter acesso a cartão de crédito, parcelamentos, empréstimos e outras modalidades financeiras. Sem planejamento adequado, existe o risco de assumir compromissos incompatíveis com a renda ou utilizar o crédito como complemento permanente do orçamento”, alerta Gandra.

Nesse sentido, o economista defende a importância da educação financeira. Para ele, mais do que ensinar o jovem a buscar um score elevado, ela deve ajudá-lo a compreender como utilizar o crédito de forma responsável: conhecer o próprio orçamento, pagar compromissos em dia, evitar endividamento excessivo, constituir uma reserva financeira e entender o custo dos juros antes de contratar uma dívida.
Como recuperar a saúde financeira e melhorar o Score
Para consumidores com score baixo, Leonardo Baldez ressalta que uma das principais medidas para recuperar a saúde financeira a médio prazo é entender exatamente quanto ganham, os gastos mensais, além do levantamento das dívidas. A partir daí, segundo ele, é importante colocar as contas em dia, negociar débitos que estejam atrasados e assumir parcelas que realmente caibam no orçamento.
“Não adianta fazer um acordo apenas para retirar uma pendência e, alguns meses depois, voltar a atrasar porque a prestação ficou maior do que a capacidade de pagamento”, destaca.
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O economista também considera fundamental pagar as contas dentro do prazo e evitar contratar vários créditos ao mesmo tempo sem necessidade. “A recuperação financeira é um processo. Não existe uma solução instantânea para aumentar o score. O caminho mais consistente é criar um histórico de pagamentos adequado, reduzir o endividamento e usar o crédito de forma planejada. Melhorar a pontuação deve ser consequência de uma vida financeira mais organizada, e não o único objetivo”, afirma.
Nagai Gandra acrescenta que quanto mais cedo o consumidor desenvolver uma relação saudável e consciente com o dinheiro e com o crédito, maiores serão as possibilidades de construir um histórico financeiro positivo e acessar melhores condições no futuro.
Como consultar o Serasa Score?
Consumidores podem acessar gratuitamente sua pontuação de crédito pelo site ou aplicativo da Serasa. Basta criar uma conta ou fazer login na plataforma para visualizar o Score e acompanhar o histórico de alterações ao longo do tempo.
O Mapa Score do Brasil foi construído por meio de pesquisas quantitativa e qualitativa, realizada pela Serasa com mais de 3 mil respondentes em julho de 2025.
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