Vale mantém foco em minério de ferro, cobre e níquel, mas avalia terras-raras
A Vale mantém como prioridade para os próximos anos as três commodities nas quais considera ter maior vantagem competitiva e escala: minério de ferro, cobre e níquel. Ao mesmo tempo, a mineradora avalia oportunidades em outros minerais estratégicos, entre eles terras-raras e lítio, embora ainda não tenha tomado qualquer decisão de investimento nesses segmentos.
A estratégia foi detalhada pelo presidente da empresa, Gustavo Pimenta, durante coletiva de imprensa na Exposibram 2026, Feira & Congresso Mineração do Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ele afirmou que a companhia estuda o potencial de novas commodities, mas sem deixar de lado a disciplina na alocação de capital.
Segundo Pimenta, o cobre ganhou relevância nos resultados mais recentes da companhia. No último trimestre, a commodity respondeu por quase um terço do resultado da Vale. Apesar do avanço, o executivo ponderou que essa participação ainda é inferior à observada em algumas das grandes concorrentes do setor.
Atualmente, a Vale produz cerca de 380 mil toneladas de cobre por ano e avalia que tem condições de ampliar essa capacidade. Parte importante desse crescimento, segundo o executivo, deverá ocorrer no Brasil. “A Vale acredita que pode dobrar essa capacidade e muito no Brasil”, disse.
A expectativa é que, com o desenvolvimento dos projetos, o cobre aumente gradualmente sua participação nos resultados da mineradora no médio e longo prazo. A expansão da commodity, porém, não significa uma mudança de posicionamento da companhia em relação ao minério de ferro.
Mesmo com o avanço do cobre, o minério de ferro permanece no centro da estratégia da companhia. “O minério de ferro sempre vai ser a Vale. Somos o maior player de minério de ferro do mundo, vamos continuar sendo e a empresa acredita no minério de ferro como solução para a urbanização e o crescimento populacional”, afirmou Pimenta.
A estratégia, portanto, é combinar a expansão da produção de minério de ferro com o crescimento de outras commodities consideradas estratégicas, especialmente cobre e níquel.
Terras-raras ainda estão em avaliação
Questionado sobre a possibilidade de a Vale investir em terras-raras, tema que ganhou espaço nas discussões sobre minerais estratégicos no Brasil, Pimenta confirmou que a companhia acompanha o segmento.
De acordo com o presidente da Vale, terras-raras e lítio estão entre as commodities estudadas pela empresa. No entanto, ele ressaltou que não há, neste momento, decisão de investimento: “Somos uma mineradora: estamos sempre estudando outras commodities, como terras-raras e lítio, mas não tomamos nenhuma decisão de investimento nesse sentido ainda”.
A eventual entrada em uma nova commodity dependeria, segundo o executivo, de uma avaliação sobre o potencial de geração de resultados e a capacidade da Vale de construir uma posição competitiva no mercado. Conforme explicou Pimenta, entre os critérios estão a possibilidade de alcançar escala, a existência de vantagem competitiva e a competência técnica necessária para atuar no segmento.
O foco atual é avaliar se esses mercados podem se tornar relevantes para o portfólio da empresa no médio e longo prazo. “Qualquer investimento em outro mineral que não esteja dentro desses três que a companhia mantém hoje vai ser realizado com a nossa disciplina na alocação de capital. Somos muito prudentes e temos muito cuidado com o que faz sentido para seus investidores”, finalizou.
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