Projeto Preserva

Que a memória não nos falhe

De Brumadinho ao Rio Grande do Sul, a importância de lembrar para não repetir tragédias e aprender com os erros do passado
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As últimas semanas foram intensas para trazer de volta ao pensamento – e à ordem do dia –, acontecimentos importantes. A começar com o 1º Seminário Internacional do Memorial de Brumadinho , que discutiu e lançou sementes sobre nossas formas de viver e conviver com a natureza. E num cenário que homenageia a memória de 272 pessoas que não sobreviveram ao rompimento da barragem de Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em janeiro de 2019.

Dias depois, o Ministério Público de Minas Gerais promoveu o 1º Simpósio sobre Gestão de Desastres Socioambientais e Reparação, que discutiu temas em torno da crescente frequência e magnitude desses acontecimentos no Brasil. Não só a tragédia de Brumadinho foi lembrada. Estiveram também na pauta o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, uma empresa conjunta (joint venture) da BHP e, mais uma vez, da Vale, e as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

O Memorial de Brumadinho recebeu especialistas, parentes de vítimas e pesquisadores no seminário internacional “Mande notícias do mundo de lá”. E lá nasceu a Carta de Brumadinho ao Futuro Mineral do Brasil, um documento aberto à adesão pública, que propõe cinco diretrizes para o novo ciclo de mineração, que já envolve terras raras, minerais críticos e

Lições não aprendidas

Mais de 7 anos depois de Brumadinho , a pergunta que esses territórios deixaram continua em aberto: o que será feito para que isso nunca mais se repita?

Uma posição unânime na discussão promovida pelo Ministério Público, no outro evento, foi a de que, depois de Mariana, Brumadinho não poderia ter passado pelos trágicos acontecimentos, menos de cinco anos depois, se a lição fosse aprendida. Se, da memória das instituições, empresas e órgãos fiscalizadores, o caso não tivesse praticamente desaparecido, sido apagado.

A tragédia que a história já havia contado

E em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul? A enchente de 2024 não foi inédita. Mas suas proporções, sim. Em 1941, num alagamento histórico, o Guaíba subiu mais de 4,7 metros. A tragédia levou à construção de muros e diques e instalações de bombas de drenagem. 83 anos depois, a cheia do Guaíba passou dos 5 metros e a cidade foi vítima de um apagamento histórico. Num processo que atravessou décadas, as proteções foram deixadas de lado, com falhas na manutenção e, até mesmo, defesa de sua demolição por parte de paisagistas e gestores públicos, que alegavam que as estruturas enfeiavam uma região com potencial turístico.

Problemas de vedação foram ignorados por anos. As comportas metálicas estavam com frestas e falhas nos encaixes, permitindo grandes vazamentos. Trechos dos diques estavam abaixo da altura projetada. Várias casas de bombas, como são conhecidas as estações de bombeamento de água, pararam de funcionar por falta de energia elétrica e de geradores, ou porque a água invadiu os próprios motores e painéis.

As mudanças climáticas já alteram as paisagens e modos de vida – e sobrevivência – por todo o planeta. Um super El Niño começa a mostrar suas caras. Que lições aprendemos? Que providências foram tomadas contra esses desastres naturais e outros, criminosos, como os incêndios? Em memória das vítimas humanas e não-humanas, esses fatos não podem cair no esquecimento. Com o risco de se repetirem.

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Sobre o autor

Odilon Amaral

Diretor do Projeto Preserva. Jornalista, bacharel em Relações Econômicas Internacionais e pós-graduado em Comunicação e Gestão Empresarial.

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