Das eleições dos outros batendo na gente
Como deve ser, estamos concentrados nas eleições gerais em outubro no Brasil. Aliás, o mundo inteiro está observando o que deve acontecer nessas eleições. Mas neste ano houve no mundo mais de 40 eleições, entre outras na Colômbia, Hungria e Peru, e até o final do ano teremos eleições em Israel, Estados Unidos, Suécia e Marrocos. As duas últimas são importantes por causa da nossa aliança na área de aviões militares com a Suécia e, no caso do Marrocos, por ser grande fornecedor de fosfato. Os suecos são práticos e qualquer governo vai continuar o relacionamento na área militar. E no Marrocos, o Rei Mohamed VI manda, e então a eleição é mais para inglês ver. Tem mais o Haiti, que está sempre em crise e a Nicarágua, que declarou que não vai ter mais eleições. Ex-país amigo do Brasil.
Disputada será a eleição em Israel no final de outubro. O atual primeiro-ministro Netanyahu, que perdeu o apoio de Trump, está fazendo tudo para se manter no poder, após doze anos. A percepção do mundo de como ele dirige Israel, os conceitos dele de democracia no país, e o tratamento aos palestinos, são mais do que conhecidos. Os radicais de extrema direita estão atacando as aldeias palestinas, criando um verdadeiro terror, condenado pelos EUA, e dizendo que não há perspectiva de paz enquanto tiver palestino por lá. A ocupação de Gaza continua sem solução, e a invasão do Sul de Líbano está só aumentando.
Na outra ponta está o ex-chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, general Eisenkot, que prega políticas mais moderadas e, não no final, a redução dos conflitos armados que estão sugando o sangue do país. Pelas previsões eleitorais, nenhum dos dois candidatos terá a maioria na Knesset, parlamento, mas terá que ter a habilidade de fazer uma coalizão. Uma coisa importante nessas eleições será o novo papel de Israel e sua relação com os países do Oriente Médio e Irã. A segurança do país é a prioridade para todos os candidatos, mas como alcançá-la é a questão. E mais, na memória de todos está o massacre de 7 de outubro. Porque aconteceu e como foi administrado depois.
As eleições de midterm americanas, renovando a Câmara de Deputados, 435, e 30 assentos no Senado, serão um julgamento do governo Trump, cuja aprovação hoje está em 35%. Além do conflito com o Irã, sem fim, o americano sofreu em um ano um aumento do custo da gasolina de 24,6%, do óleo para aquecimento, de 39% (as eleições são em novembro, já no inverno) e dos alimentos, de mais de 5%. A previsão hoje é que os Democratas, oposição, ganhem a Câmara dos Deputados, e os Republicanos de Trump, o Senado. Se isso acontecer, Trump terá certas limitações na governabilidade,mas não ao ponto de mudar a essência do seu modelo de gestão.
Os resultados das duas eleições nos afetam diretamente tanto do ponto de vista político como financeiro e econômico. Bem mais do que a escolha do novo secretário-geral das Nações Unidas.
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