Projeto Preserva

O 1º Seminário Internacional do Memorial de Brumadinho: novas formas de pensar o futuro

Evento reúne especialistas para discutir crise climática, transição energética e o papel da memória na reconstrução social
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Ele foi construído no lugar onde 272 pessoas perderam a vida na lama da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale. Cada parede, cada corredor do Memorial de Brumadinho concretiza a força da mobilização coletiva pelo direito de lembrar e de fazer da lembrança uma ação. Agora, o lugar de contar as histórias das vidas interrompidas será também o lugar de lançar uma pergunta: existem outras formas de habitar o mundo?

O 1º Seminário Internacional começa nesta quinta-feira, no Memorial de Brumadinho, lançando as sementes para pensar novas formas de viver e conviver com a natureza. Ao longo de três dias, os debates e exposições vão trazer para o centro da mesa a crise climática, a transição energética e as várias formas de exploração ambiental que desafiam a capacidade de imaginar futuros.

Representantes de museus, memoriais, artistas, pesquisadores, jornalistas e movimentos sociais vão refletir sobre seu papel na construção de novos horizontes e debater três grandes questões: quais são os impactos da busca pelos minerais estratégicos para a transição energética? A corrida por esses minerais, considerados essenciais, também produz marcas profundas nos territórios.

Depois, o seminário se concentra nas disputas em torno das narrativas. As discussões serão sobre os mecanismos usados por grandes corporações para legitimar sua atuação e influenciar modos de vida. Mas as estratégias de resistência, criação e (re)existência dos territórios também estarão no debate.

Por fim, o encontro vai falar do papel da memória diante das crises contemporâneas. Museus, memoriais e instituições culturais são convocados a refletir sobre sua capacidade de atuar como espaços de reparação, regeneração social, reconstrução de vínculos e fortalecimento do pertencimento coletivo.

No primeiro dia, dedicado aos paradoxos da transição energética, o debate será com o pesquisador argentino Horacio Machado Aráoz, referência latino-americana em ecologia política e extrativismo, e o filósofo e pesquisador francês Malcolm Ferdinand, um dos principais pensadores da justiça ambiental contemporânea.

No segundo dia, o debate em torno das disputas de narrativas terá o historiador e idealizador do programa Cultura Viva, Célio Turino e a pesquisadora Sara Raquel de Andrade, com mediação do curador Pablo Lafuente.

E para encerrar, no terceiro dia, a diretora do Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, no Chile, Lucimara Letelier, e a socióloga norte-americana Amy Sodaro, especialista em memória, direitos humanos e museus vão ampliar a reflexão sobre o direito à memória como prática de justiça, reparação e regeneração coletiva.

Pensar o futuro exige a coragem de criar novos caminhos. Como disse o filósofo Ailton Krenak em entrevista ao Projeto Preserva, “é preciso provocar o desejo de pensar mundos diferentes, abrir espaço para novas formas de viver e conviver com a Terra.”

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Sobre o autor

Juliana Perdigão

Diretora do Projeto Preserva, plataforma com foco em meio ambiente e cultura. Jornalista e doutora em Ciência da Informação pela UFMG.

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