Vendas de combustíveis em Minas Gerais têm leve queda no 1º trimestre de 2026
As vendas de combustíveis pelas distribuidoras em Minas Gerais se mantiveram praticamente estáveis com uma leve queda de 0,1% no primeiro trimestre de 2026 se comparadas com o mesmo período do ano passado. A redução de 15,2% na comercialização do etanol, a maior dentre os combustíveis, influenciou o resultado do Estado. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No total foram comercializados 4,2 milhões de metros cúbicos (m³) de combustíveis nos primeiros três meses do ano em Minas Gerais, sendo 30,48% (1,28 mil m³) de gasolina. De acordo com o levantamento da ANP, apenas a gasolina, que teve alta de 10,9%, e o GLP (0,3%), tiveram alta nas vendas. Etanol (-15,2%) e diesel (-1,7%) registraram queda se comparados ao mesmo período do ano passado.
Na avaliação do professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, as vendas totais em Minas Gerais ficaram praticamente estáveis porque houve compensação entre combustíveis com comportamentos distintos. Na análise dele, o ponto central é que parte relevante da queda do etanol foi absorvida pela gasolina, já que gasolina e etanol são bens substitutos para veículos flex. “Assim, o consumidor não necessariamente deixou de consumir combustível; ele apenas trocou o produto consumido”, pontuou.
O motivo da troca foi comentado pelo economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva. Ele afirma que o País não tem etanol competitivo para substituir a gasolina. “Temos um problema de oferta, consequentemente, ele vai continuar diminuindo em volume de vendas enquanto o preço não mudar. O etanol está relativamente mais caro em relação à gasolina e não se pode fazer em relação a isso”, diz
Silva lembra que o etanol está mais caro também porque o preço de açúcar agora está maior. “Consequentemente é natural que o produtor destine parte da produção que era de etanol para a venda de açúcar uma vez que os preços ficam mais favoráveis”.
O especialista em combustíveis, Vitor Sabag, chama a atenção para o fato de que, se somarmos o volume consumido dos dois combustíveis – gasolina e etanol -, no primeiro trimestre deste ano, há alta no consumo, o que prova que não houve queda de consumo, apenas a mudança de produto. “Na hora que o motorista vai abastecer, ele faz o cálculo e opta pelo mais vantajoso”, comenta. De fato, conforme os dados da ANP, no primeiro trimestre deste ano foram 1,76 milhões de m³ de gasolina e etanol consumidos, enquanto, no ano passado foram 1,72 milhões de m³ no mesmo período.
Os especialistas ouvidos pela reportagem lembram ainda que os preços do etanol sobem no período de entressafra e, por isso, ficam menos competitivos. “Mais para frente, quando se der a safra da cana-de-açúcar, a tendência é vermos os preços caírem novamente e o volume de vendas aumentar”, diz Sabag.
Sem substituto, diesel mantém demanda
No caso do diesel, Sette Júnior avalia que as vendas caíram porque o óleo tem baixa substituibilidade no curto prazo, já que diferentemente da gasolina e do etanol, ele não possui um substituto direto amplamente disponível para transporte de cargas, logística e escoamento agrícola. “Por isso, mesmo em cenário de pressão externa ou conflito, a demanda tende a se ajustar menos. A queda de 1,7% apresentada sugere desaceleração moderada, mas não ruptura da atividade econômica”, comenta.
Já Sabag, acredita que três meses é um período pequeno para avaliar a queda de consumo. Porém, um fator que ele acredita que pode estar impactando é a migração do consumo de diesel para o estado da Bahia. “O que a gente percebe é que muitas transportadoras que fazem a rota São Paulo/Nordeste, passando necessariamente por Minas Gerais, estão optando por abastecer na Bahia já que o estado possui uma refinaria privada que tem seguido com mais frequência as variações internacionais de preço”, diz.
Segundo Sabag, o que acaba acontecendo é que quando o preço sobe, o preço da refinaria baiana sobe também. Quando cai, cai nas bombas também. “Os dados de abril já devem trazer um aumento de volume de consumo em Minas Gerais, pois atualmente o preço da Bahia está mais alto”, finaliza.
O economista do BDMG reforça que a demanda por diesel é “bastante inelástica”. Segundo ele, mesmo que o preço esteja mais alto, a única possibilidade que os consumidores têm é pagar mais caro por esse bem que é essencial. “Não dá para substituir o diesel por outra coisa, a não ser que você reduza o volume de frete, e isso não vai acontecer”, afirma.
Fora a inelasticidade, Izak Silva lembra de outro fator relevante que foi a subvenção aos combustíveis anunciada pelo governo no mês de março. “Isso ajudou a represar um pouco as expectativas sobre o aumento de preços e, consequentemente, a demanda também não variou”.
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