A chita vem, nos últimos tempos, passando por um processo de valorização - Crédito: Luiza Villarroel

Trabalhar para alcançar um mundo mais sustentável e justo em oportunidades é papel também das indústrias que já se atentaram para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) tem integrado o assunto aos seus eventos.

O Minas Trend, considerado o maior salão de negócios de moda da América Latina, que aconteceu em Belo Horizonte entre os dias 22 e 25 de outubro, vem se tornando, a cada edição, um fórum privilegiado para a discussão e disseminação das práticas sustentáveis.

Entre os ODS, dois que falam à indústria em geral e, especialmente, à indústria têxtil, são o ODS 9 – “Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação” e 12 – “Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”.

O evento teve como tema “Tecendo futuros”, remetendo à evolução que o mercado da moda vem passando nos últimos anos, propondo reflexões sobre a inovação, a democratização, a responsabilidade e a diversidade. A ação mais representativa foi a apresentação de 30 “looks” elaborados a partir de sobras de tecidos de seis indústrias mineiras.

Segundo o diretor criativo do Minas Trend, Rogério Lima, o tema revela uma moda que tem um grande poder de comunicação e pode ser determinante na busca por um modo de produzir e um consumo mais responsável. O algodão, principal insumo da indústria têxtil, foi o grande protagonista da edição, funcionando como um fio condutor que conectou todas as atividades do Minas Trend.

“A ideia de tecer o futuro vem muito dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU. Precisamos parar agora, acabar com as divergências, sentar e conversar para podermos ter um mundo melhor”, afirma Lima.

Em Alvinópolis, cidade da região Central, com pouco mais de 15 mil habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 2019, a Fabril Mascarenhas foi uma das indústrias escolhidas. Com 132 anos de história e 400 colaboradores, a empresa fabrica tecidos de algodão. Segundo a diretora de Comunicação e Marketing da Fabril Mascarenhas, Júlia Mascarenhas, a participação no Minas Trend é a ponta visível de um trabalho de construção da cultura de sustentabilidade.

“A chita vem, nos últimos tempos, passando por um processo de valorização. O tecido considerado pobre vem ganhando novas estampas e sendo integrado aos setores de moda e decoração. Na edição passada do Minas Trend, identificamos que muita gente não reconhecia o nosso produto como matéria-prima para moda. Pensamos, então, que uma solução mais interessante que um estande seria um desfile para mostrar que temos um produto bacana sendo produzido em Minas”, explica Júlia Mascarenhas.

Além de obedecer toda a legislação que impõe uma série de cuidados e ações relativas ao tratamento de efluentes, destinação de resíduos sólidos, uso de matérias-primas certificadas e preservação ambiental, a empresa investe em uma cultura de reaproveitamento e reciclagem.

“Não fazemos nada de extraordinário, mas acreditamos na força do exemplo e do conjunto. Quando criamos a prática do reaproveitamento, influenciamos toda a nossa cadeia produtiva. Em uma indústria centenária existem materiais antigos espalhados. Não compramos uma cadeira sequer sem antes verificar na nossa marcenaria se não existe um móvel que pode ser reaproveitado. O mesmo acontece com cada apara de tecido, cada resto de matéria-prima ou resíduo gerado. Qualquer coisa aqui só vai para o lixo se realmente seu ciclo de utilidade tiver chegado ao fim. Acreditamos que tudo pode ser ressignificado através do reúso ou da reciclagem”, pontua a diretora de comunicação da Fabril Mascarenhas.

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