Paulo Brant falou sobre como a sustentabilidade e os ODS permeiam as ações do governo - Crédito : Renato Cobucci / Imprensa - MG

O Diálogos DC, ação que faz parte do Movimento Minas 2032 (MM 2032), iniciativa do DIÁRIO DO COMÉRCIO para mobilizar o Estado em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, propõe uma discussão sobre um modelo de produção duradouro e inclusivo, capaz de ser sustentável, e o estabelecimento de um padrão de consumo igualmente responsável.

Nessa edição vamos discutir os ODS 9 – “Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação” e 12 – “Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”.

No momento em que comemoramos os 87 anos do DIÁRIO DO COMÉRCIO, o MM 2032 ganha mais um parceiro de peso: o governo do Estado. Na reunião do Comitê Gestor, o vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, confirmou a adesão do governo através da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e do próprio gabinete do vice-governador.

Na oportunidade, ele falou sobre como a sustentabilidade e os ODS permeiam as ações do governo no desenvolvimento econômico e social. Os principais instrumentos que ditam tais diretrizes são o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI) 2019-2030 e o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG).

“O PMDI é um ordenamento político que precisa ir muito além do formalismo. Queremos que esse olhar para 2030 perpasse as ações do governo, inclusive as de curto prazo. Claro que hoje enfrentamos uma crise fiscal profunda, que tem um grande impacto sobre as ações do governo, porém a nossa agenda não pode ser essa. A agenda do governo tem que ser a que mira a transformação do Estado. Assim, o planejamento não pode ser um mapa, ele precisa ser uma bússola. Então, esse é o objetivo do PMDI, ele tem que sinalizar a direção”, explicou Brant.

Já o PPAG é um instrumento que versa sobre o médio prazo, individualizando as ações públicas. São 154 programas e 836 ações orçamentárias. Todos os programas têm desdobramentos que englobam a dimensão dos ODS.

“O governo, dada a escassez de recursos, tem que focar naquilo que é essencial para o cidadão: saúde, educação, segurança, mas é mais do que isso. O desafio é transformar qualitativamente o Estado. Não sou partidário do estado mínimo. Ele hoje é ineficiente e pesado, mas precisa ser enxuto e eficiente. O meio ambiente é uma pauta que precisa ser incorporada e também a do desenvolvimento. Como um governo liberal, defendemos que o protagonismo deve ser do empreendedor. Não é papel do governo gerar emprego diretamente, ele deve criar um ambiente favorável, e nessa dimensão o estado tem papel como indutor, não como operador”, pontuou o vice-governador.

Entre os objetivos estratégicos do documento está, para 2030, “Ser o estado mais competitivo e mais fácil de se empreender no Brasil, em agronegócio, indústria e serviços, propiciando ambiente para maior geração de emprego e renda”.

O Sistema B – movimento global que pretende redefinir o conceito de sucesso nos negócios e identificar empresas que utilizem seu poder de mercado para solucionar algum tema social e ambiental – também se juntou ao MM 2032 recentemente. Criada nos Estados Unidos, a iniciativa tem o objetivo de apoiar e certificar as empresas que criam produtos e serviços voltados para resolver problemas socioambientais.

De acordo com a representante do Sistema B em Belo Horizonte, Francine Pena Póvoa, para conseguir uma mudança sistêmica na economia, onde se conheça e se valore as Empresas B, é necessário gerar conexões críticas entre os principais atores, para a construção de Comunidades de Prática, que serão o motor da mudança para novas economias.

“O Sistema B, assim como o Capitalismo Consciente, é movimento que busca práticas sustentáveis de produção e consumo. Como certificação, muitas vezes as empresas não conseguem preencher todos os requisitos do Sistema B de uma só vez. Mas o que queremos mostrar é que essa é uma construção. Cada passo é importante e faz diferença para a empresa e para o mundo. Ser sustentável não é mais uma opção, é um caminho sem volta para as empresas que querem sobreviver. Sejam, empurradas por uma consciência que entende que o planeta já não suporta o atual modelo de produção e consumo, ou simplesmente pela legislação e pressão da sociedade, só sobreviverão aquelas que fizerem a transição para um modelo sustentável”, pontua Francine Póvoa.

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