Crédito: Marco Santos/ USP Imagens

Em tempos em que a correria do dia a dia e a busca pela praticidade fazem com que as pessoas priorizem a alimentação fora do lar ou o consumo de produtos prontos e congelados, cresce o número de empreendedores no segmento de alimentação para consumo domiciliar – as famosas marmitas ou refeições embaladas.

Segundo dados do Ministério da Economia, o número de negócios do tipo no País, chamado de “Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar – CNAE”, saltou de 102,1 mil em 2014 para 239,8 mil em 2019.

O crescimento da categoria ocorre também em Minas Gerais. Conforme a Pasta, do total de 239.874 empresas contabilizadas no fim do ano passado, o Estado respondeu por 10,18% com 24.443 e apareceu em terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Vale destacar que, das mais de 24 mil empresas mineiras, 96,6% (23.623) estão registradas na categoria de microempreendedor individual (MEI).

De acordo com a analista de negócios do Sebrae, Mayra Viana, o número de empresários do ramo de alimentação no País tem crescido de maneira expressiva a cada ano, inclusive pela possibilidade de ingresso no MEI, que facilita e desburocratiza os processos.

“Esta atividade tem sido impulsionada especialmente em grandes centros urbanos, como Belo Horizonte, pois a marmita é fenômeno típico da correria da vida moderna. Cada vez mais, o consumo de refeições prontas se torna um hábito diário na vida dos brasileiros.

Com o menor tempo disponível para o preparo das refeições em casa, mais pessoas começaram a se alimentar fora do lar. E as marmitas são uma alternativa econômica e conveniente para o cliente, se comparadas aos restaurantes convencionais”, explicou.

Em todo o País, os microempreendedores individuais representavam 91,6% do total de empresários desse segmento em 2014 e, no ano passado, passaram a responder por cerca de 94% (225,6 mil) do universo de empreendedores registrados.

Os números do Portal do Empreendedor de janeiro de 2020 confirmam que essa tendência se mantém forte. Já que dos últimos meses de 2019 para o início deste ano, o portal registrou a criação de quase 3 mil novos MEIs especializados na produção de alimentos para consumo domiciliar.

Para a analista, a atividade é uma das alternativas mais buscadas no momento do desemprego, mas também reflete um movimento natural do mercado que busca desenvolver novos modelos de negócios que respondam à demanda de um consumidor mais exigente e seletivo, que não está necessariamente disposto a pagar muito mais por produtos de qualidade. Neste sentido, ela chamou atenção para o aumento da concorrência.

“Com tantas opções, o mercado tem se mostrado mais favorável para os empreendedores que conseguem se posicionar corretamente e que fazem bom uso dos canais de comercialização (presenciais e/ou on-line) utilizados pelos segmentos de clientes priorizados”, destacou.

Conforme o Sebrae, o público deste produto se divide em dois grupos principais. O primeiro busca marmitas frescas e prontas para consumo, normalmente para consumir no intervalo do expediente, em geral no próprio local de trabalho. Nesse caso, há bastante espaço para marmitas mais caseiras e convencionais. Já o segundo grupo procura marmitas congeladas nutricionalmente balanceadas e que respondam a necessidades específicas da dieta, às vezes por saúde, bem-estar ou estética, outras por restrição ou ainda por opção alimentar.

Veggie Roots tem planos de expansão para MG

Fundada há pouco mais de dois anos, a belo-horizontina Veggie Roots – especializada em hambúrgueres veganos – está em plena expansão. Com planos de lançar produtos, entrar em redes supermercadistas, criar um food truck e ampliar a atuação para outros estados ainda neste exercício, a empresa projeta um crescimento de 20% a 30% no faturamento de 2020 sobre o ano anterior.

De acordo com o proprietário da marca, Rodrigo Oliveira, tamanho otimismo se deve ao potencial do setor no Brasil. Conforme ele, seja por ideologia ou pela busca de um estilo de vida saudável, é crescente a demanda por soluções para quem renuncia ao consumo de qualquer produto livre do sofrimento animal.

“A ideia da Veggie Roots veio justamente da falta de produtos no mercado. Quando me tornei vegano, há três anos, tinha dificuldades de encontrar opções diferenciadas. Foi então que desenvolvi meus próprios hambúrgueres, os amigos aprovaram e me incentivaram a começar a vender”, contou.

Com foco no segmento de food service, a marca atende hamburguerias, restaurantes, lanchonetes e empórios de Belo Horizonte e algumas cidades do interior de Minas. Embora não tenha revelado detalhes, Oliveira disse que, com o aumento da demanda, desde a criação da empresa, a produção aumentou cerca de 10 vezes. Já o faturamento cresceu 50% do primeiro para o segundo ano de atuação.

“A expansão ocorreu graças a compra de uma máquina importada de fazer hambúrguer. Hoje, atendemos mais de 10 hamburguerias da cidade e diversos empórios pelo interior. Ao todo são cinco sabores que vão congelados nos formatos 90 gramas e 140 gramas”, destacou.

Sobre os novos produtos, o empresário disse que está desenvolvendo receitas de outros salgados veganos que deverão ser lançados em breve. Além disso, ele contou que recentemente adquiriu a marca e os produtos de um food truck vegano – o primeiro de Minas Gerais – e logo a lanchonete itinerante estará rodando pelas ruas de Belo Horizonte.

“A comercialização em supermercados também está nos meus planos, assim como a expansão das vendas para outros Estados. Tudo neste exercício”, revelou.
Para Oliveira, o diferencial dos hambúrgueres Veggie Roots está nos temperos e nas características de cada receita. Há opções de batata-doce, quinoa, cenoura e curry com tempero indiano; feijão de corda, açafrão-da-terra e hortaliças, com tempero baiano; feijão vermelho, beterraba e mix de pimentas, com tempero mexicano; grão de bico, gergelim, zaatar e limão, com tempero árabe e lentilha, sementes de girassol e shoyu macrobiótico, com tempero tailandês.

E para difundir a cultura vegana, o empresário idealizou, desde o ano passado, o Festival Paraíso Veg. No formato itinerante, gratuito e pet friendly, o festival reúne gastronomia vegana, moda, arte, acessórios, artigos artesanais – livre da exploração animal -, exibição de documentários, rodas de conversa, música ao vivo, dança e movimentou. Até agora, já foram realizadas 11 edições e mais de R$ 170 mil em negócios, gerando trabalho e renda.

A última edição ocorreu no dia 8 de março.

PRÉ-CRISE – As informações das matérias foram apuradas antes das recomendações de isolamento social por parte das autoridades de saúde do País.