Consórcio vira alternativa de crédito para empresas em meio a juros altos
Empresas que planejam renovar frotas, adquirir máquinas e equipamentos, reformar instalações ou ampliar a capacidade produtiva podem encontrar no consórcio uma alternativa para programar investimentos sem depender de financiamentos tradicionais no momento em que o recurso for necessário. A modalidade permite antecipar o planejamento da aquisição e, segundo o diretor de Soluções de Acúmulo do Porto Bank, Carlos Gondim, pode ser especialmente interessante para companhias que conseguem prever suas necessidades com antecedência, sobretudo, em ambiente de juros altos.
“É uma solução atrativa para quem vai trocar ou renovar uma frota, para quem vai investir em maquinário, para quem vai reformar o escritório, suas instalações ou para quem vai expandir. E muitas vezes o empresário não lembra do consórcio como opção”, afirma o executivo. De acordo com a instituição, atualmente, as empresas respondem por 8,3% da carteira e 13% do crédito administrado.
A possibilidade de programar a compra é, na avaliação de Gondim, um dos principais diferenciais para o público empresarial. Uma companhia que sabe, por exemplo, que precisará substituir veículos da operação ou adquirir novos equipamentos daqui a alguns anos pode contratar o consórcio antecipadamente e se preparar financeiramente para o investimento, reduzindo a necessidade de recorrer ao crédito tradicional no momento da compra.
Além de veículos leves, o Porto Bank trabalha com consórcios para veículos pesados, máquinas e maquinários. Dessa forma, a modalidade pode atender desde empresas que precisam renovar veículos utilizados na operação até negócios que pretendem ampliar sua capacidade produtiva.
A estratégia também pode contribuir para a preservação do capital de giro. Em vez de direcionar uma grande quantidade de recursos próprios para uma aquisição futura, a empresa pode manter o dinheiro disponível para as necessidades do negócio enquanto se prepara para o investimento.
Alternativa ao financiamento
O interesse pelo consórcio pode ser ainda mais interessante em um cenário de juros elevados, que aumenta a diferença de custo em relação a modalidades tradicionais de crédito. No consórcio, não há cobrança de juros, mas uma taxa de administração definida sobre o valor da carta de crédito.
Para Gondim, entretanto, a vantagem não se restringe a esse fator. “O consórcio é uma solução em que, quando você tem flexibilidade, pode se tornar muito mais atrativo do ponto de vista financeiro”, afirma.

Em um exemplo citado pelo executivo, um financiamento de um terreno com taxa de 8% ao ano teria uma taxa equivalente mensal próxima de 0,66%. Já um consórcio com taxa de administração de 22% distribuída ao longo de 200 meses representaria aproximadamente 0,11% ao mês.
A comparação, porém, depende das condições de cada contrato, do prazo e do objetivo da empresa ou do consumidor. A principal diferença está também no acesso ao recurso. Enquanto o financiamento permite a aquisição imediata, mediante entrada e pagamento de juros, no consórcio é necessário ser contemplado, por sorteio ou lance, para utilizar a carta de crédito. “Se você tem flexibilidade e quer comprar um imóvel na semana que vem, provavelmente vai ter que ir atrás do financiamento, porque existe um custo do imediatismo”, explica Gondim.
Mercado em expansão
O avanço do mercado se reflete nos resultados do Porto Bank, empresa do Grupo Porto. No segundo trimestre de 2026, a carteira administrada de consórcios da instituição chegou a R$ 116 bilhões, alta de 41,1% em um ano. No período, o banco alcançou ainda a marca de 7 milhões de negócios, crescimento de 32,8% na comparação anual.
Somente no primeiro semestre, foram mais de R$ 3,2 bilhões em créditos entregues a clientes contemplados. Para Gondim, o crescimento não está relacionado apenas ao nível dos juros, mas também ao maior conhecimento sobre o produto e a maior busca por planejamento financeiro.
Minas Gerais é mercado estratégico
Minas Gerais representa uma parcela relevante da carteira de consórcios do Porto Bank e é considerado um mercado com espaço para expansão. Segundo Gondim, o Estado responde atualmente por cerca de 8% da carteira da instituição, mas vem crescendo acima da média nacional da companhia.
Para ampliar a presença em Minas, o Porto Bank tem reforçado a atuação de consultores especializados em consórcios em diferentes regiões do Estado, além de investir na expansão e capacitação da rede de corretores.
“Minas é um pouco menos de 10% da nossa carteira. Por aí temos crescido acima da nossa média nacional. Ainda existe um espaço significativo para expansão, principalmente porque o consórcio continua sendo mais ofertado do que procurado diretamente pelo consumidor”, afirma Gondim.
Quanto ao perfil dos clientes mineiros, Gondim avalia que acompanha, de maneira geral, a distribuição observada no mercado nacional. Há maior concentração na faixa dos 40 aos 50 anos, mas a instituição identifica participação crescente de consumidores mais jovens, interessados na formação de patrimônio. O produto atende diferentes faixas de renda e objetivos, que vão da aquisição da casa própria aos investimentos.
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