Internacional

Preço do petróleo dispara 5% após ataques a navios em Ormuz e novas ameaças entre EUA e Irã

Ameaças de ataques e negociações travadas no Oriente Médio elevam preços do barril, enquanto bolsas reagem de forma mista globalmente
Preço do petróleo dispara 5% após ataques a navios em Ormuz e novas ameaças entre EUA e Irã
Foto: União Europeia / Copernicus Sentinel-2 / Reuters

O petróleo voltou a disparar nesta segunda-feira (4) com a troca de ameaças de ataques entre EUA e Irã, e a negociação travada na busca por um acordo de paz entre os dois países.

O barril Brent chegou a US$ 114,29, às 7h15 (horário de Brasília), alta de 5,66%, depois de a agência iraniana de notícias Fars anunciar que o país atingiu um navio de guerra dos EUA com dois mísseis perto de Jask, no Golfo de Omã, depois que ele ignorou os avisos iranianos para entrar no Estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O Comando Central dos EUA negou que qualquer embarcação do país tenha sido atingida na região. “Nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido. As forças dos EUA estão apoiando o projeto da Paz para liberar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz”, divulgou o órgão em post na rede social X (antigo Twitter).

O contrato de julho do Brent, referência mundial, teve uma subida elevada com o anúncio do ataque, mas caiu na sequência com os norte-americanos negando a ofensiva. A negociação começou em queda com o preço a US$ 105,66, subiu para a casa dos US$ 108 às 20h de domingo e ficou neste patamar até 5h, quando foi a US$ 110 depois de o Irã alertar que não permitiria a entrada de embarcações dos EUA no Estreito de Ormuz.

Às 10h30, o barril Brent era negociado a US$ 110,08, valorização de 1,77%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava a US$ 102,52, alta de 0,57%, após ter atingido US$ 107,43, às 7h15, para o contrato de junho.

A resposta iraniana ocorreu após Trump afirmar que os EUA comandariam um plano para ajudar os navios a trafegarem por Hormuz. “Dissemos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas hidrovias restritas, para que eles possam continuar livremente e habilmente com seus negócios”, disse Trump na rede social Truth Social na noite de domingo (3).

Em resposta, o comando unificado do Irã disse aos navios comerciais e petroleiros que se abstivessem de qualquer movimento que não fosse coordenado com os militares do país. “Dissemos repetidamente que a segurança do Estreito de Hormuz está em nossas mãos e que a passagem segura dos navios precisa ser coordenada com as forças armadas”, afirmou Ali Abdollahi.

“Alertamos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas se tiverem a intenção de se aproximar e entrar no Estreito de Ormuz”, comentou. A passagem por Hormuz está bloqueada pelos iranianos desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra, para todos os navios que não realizam operações com aval do regime. No início de abril, foi a vez de os EUA impedirem o tráfego de navios que tinham a autorização do Irã.

Outro alvo de ataque dos iranianos foi um navio-petroleiro ligado à ADNOC, petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, que estava próximo ao Estreito de Hormuz. O bombardeio teria sido feito por drones e foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do país. “Atacar navios comerciais e usar o Estreito de Hormuz como ferramenta de coerção econômica ou chantagem representa atos de pirataria por parte da Guarda Revolucionária do Irã”, disse o ministério.

“A trajetória dos preços segue inclinada para o lado positivo enquanto os fluxos através do Estreito permanecerem restritos”, disse o analista Giovanni Staunovo, do UBS.

Comboios não são uma solução, dizem executivos

Centenas de embarcações comerciais e cerca de 20 mil tripulantes não puderam transitar pelo Estreito durante o conflito, segundo a Organização Marítima Internacional.

Vários executivos dos setores de transporte marítimo e de petróleo disseram que precisam do fim das hostilidades e de alguma forma de acordo de paz, pois não consideram os comboios militares como uma solução que permitiria a retomada do tráfego normal e que o setor de transporte marítimo se sentisse seguro.

Questionado nesta segunda-feira sobre a resposta dos EUA à última oferta de Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que não entraria em detalhes, mas criticou novamente a postura de Washington.

“Os EUA não desistirão facilmente de seu hábito de maximalismo e exigências irracionais. Ainda estamos diante de uma parte que muda suas opiniões com frequência e levanta questões que podem complicar qualquer processo diplomático”, disse ele.

Os Estados Unidos e Israel suspenderam sua campanha de bombardeio contra o Irã há quatro semanas, e as autoridades americanas e iranianas realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de marcar novas reuniões fracassaram até agora.

A mídia estatal iraniana disse no domingo que Washington havia transmitido sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão, e que Teerã estava agora analisando-a. Nenhum dos lados deu mais detalhes.

Uma autoridade sênior iraniana confirmou que Teerã prevê o fim da guerra em todas as frentes —incluindo os ataques de Israel ao Líbano— e a resolução do impasse sobre o transporte marítimo em primeiro lugar, deixando as negociações sobre o programa nuclear do Irã para depois.

Washington quer que Teerã desista de seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, que, segundo os Estados Unidos, poderia ser usado para fabricar uma bomba.

O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas restrições em troca da suspensão das sanções. O país aceitou essas restrições em um acordo de 2015 que Trump abandonou.

Bolsas caem na Europa e EUA, mas sobem na Ásia

Apesar das ameaças dispararem o preço do petróleo, o mercado financeiro reagiu de forma mais comedida. As Bolsas da Europa e dos EUA caíam, mas no máximo de 2%.

Às 10h35, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, desvalorizava 1,04%, em tendência que era acompanhada em Frankfurt (-0,22%), Londres (-0,14%), Paris (-0,83%), Madri (-1,72%) e Milão (-0,87%).

Já nos EUA, a Dow Jones e a S&P 500 perdiam 0,4% e 0,12%, respectivamente, enquanto a Nasdaq estava estável.

Na Ásia, os mercados não chegaram a ser impactados pelas ameaças no Oriente Médio, pois haviam fechado antes. As Bolsas subiram em Tóquio (0,38%), Hong Kong (1,24%), Seul (5,12%) e Taiwan (4,57%), enquanto a China não funcionou em virtude de feriado nacional.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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