Carga tributária sobre água mineral pode subir

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Carga tributária sobre água mineral pode subir
Das 180 substâncias minerais do Brasil, a água mineral natural já é a sétima em termos de arrecadação da Cfem - Crédito: Divulgação

Os projetos de reforma tributária que tramitam no Congresso Federal preocupam o setor de água mineral, já que a possibilidade de criação de um imposto único poderá elevar a carga tributária da atividade em quase 20 pontos percentuais (pp). Minas Gerais, por abrigar diversas e importantes estâncias hidrominerais no Sul do Estado, poderá ser um dos mais impactados no País.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam) e do Sindicato Nacional da Indústria de Águas Minerais (Sindinam), o geólogo Carlos Alberto Lancia, pelas Propostas de Emendas à Constituição (PECs) em tramitação, a tributação do setor passaria dos atuais (cerca de) 32,5% para 50%, exatos 17,5 pontos percentuais (pp).

“Água é um bem natural e mineral e não faz sentido a cobrança de determinados impostos, como já ocorre com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Agora, a criação de um imposto único vai concentrar os tributos e prejudicar o setor”, disse.

Outra preocupação das empresas, conforme o dirigente, diz respeito ao fato de que os refrigerantes não teriam a tributação alterada. Ele lembrou que a carga tributária das chamadas “bebidas frias, adoçadas e açucaradas” já é menor, girando em torno de 14%, em função da operação Manaus (AM).

Diante da apreensão, o presidente das entidades se reuniu recentemente com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e levou a preocupação do setor com o impacto que a reforma tributária pode causar. Lancia explanou ao presidente e ao secretário Especial do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Junior, que pelas PECs em análise no Senado e na Câmara Federal, a água mineral natural teria a incidência do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), de 25%, e a tributação chegaria a 50%.

Segundo ele, Bolsonaro assegurou que a justiça tributária e a concorrência leal prevalecerão em sua gestão, e que “o setor, grande gerador de empregos, possivelmente não terá aumento na tributação”.

Lancia ainda destacou que o setor de água mineral natural está cada vez mais estruturado e já implantou o Selo Fiscal de Controle e Procedência em 10 estados brasileiros. Além disso, ele ressaltou a importância do setor, argumentando que, das 180 substâncias minerais do Brasil, a água mineral natural já é a sétima em termos de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem).

Sobre o desempenho da atividade neste exercício, o presidente destacou que haverá crescimento de 3%, acompanhando o ritmo de avanço da economia nacional. Já para o ano que vem é esperada alta de 8% no faturamento sobre o atual exercício. Tamanho otimismo, segundo ele, se deve ao fato de o setor ser um dos últimos a serem afetados pela crise e um dos primeiros a se recuperarem depois.

“Prova disso é que desde 2012 vínhamos apresentando crescimento na casa dos dois dígitos. Este vai ser o primeiro em que o desempenho será menor, em consequência da crise financeira que assolou o País nos últimos anos. Por outro lado, diante das perspectivas de aquecimento da economia, é possível que no ano que vem retomemos boa parte do crescimento”, apostou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/


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