Favelas entram no mapa da logística com expansão de empresa de entrega em Minas Gerais

NaPorta começa a operar em Belo Horizonte, Betim e Contagem em setembro, com investimento de R$ 50 mil e previsão inicial de 40 entregadores
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Favelas entram no mapa da logística com expansão de empresa de entrega em Minas Gerais
Foto: Divulgação/naPorta

Dono de um salão de beleza no bairro Taquaril, na região Leste de Belo Horizonte, o empreendedor Gilliard Carneiro, de 31 anos, relata a dificuldade de receber as entregas das compras que efetua nos grandes marketplaces. Para ter acesso à sua casa, entregadores precisam subir uma escadaria com 60 degraus. Com isso, muitos, segundo ele, deixam as encomendas em outros endereços.

“Como aqui na favela são muitas casas amontoadas, uma em cima da outra, acontece de eles deixarem o pacote em qualquer uma, ou em um comércio próximo”, conta.

A dificuldade do empreendedor é o gatilho para a expansão da naPorta em Minas Gerais, logtech especializada em logística para áreas complexas, que começa a operar, em setembro, em Belo Horizonte, Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O investimento para a chegada da empresa no Estado, do qual também faz parte o treinamento e a capacitação de novos entregadores, é de R$ 50 mil. A marca espera atender mais de 3,3 milhões de pessoas nas três cidades.

Imagem mostra uma escadaria em um bairro periférico
Escadaria com 60 degraus (foto) dificulta o acesso de entregadores à casa do empreendedor Gilliard Carneiro no bairro Taquaril, na região Leste de Belo Horizonte. | Foto: Gilliard Carneiro

Expansão amplia acesso ao e-commerce

Segundo o CCO e cofundador da naPorta, Leonardo Medeiros, a expansão para Minas Gerais representa um avanço na construção de uma logística mais inclusiva e eficiente.

“Nossa proposta sempre foi mostrar que comunidades urbanas não podem continuar fora do mapa da logística. Ao levar nossa operação para Minas Gerais, ampliamos o acesso ao e-commerce para milhares de consumidores e, ao mesmo tempo, criamos oportunidades de trabalho e geração de renda dentro desses próprios territórios”, afirma.

Atualmente, a empresa conta com operações consolidadas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde realiza mais de 25 mil entregas por dia. Além de Minas Gerais, a naPorta também deve chegar em Vila Velha, no Espírito Santo, em novembro, durante a Black Friday.

Operação aposta em mão de obra local

A expansão também fortalece a estratégia de impacto social da empresa, baseada na contratação de entregadores locais e na construção de parcerias regionais capazes de gerar desenvolvimento econômico nas comunidades atendidas.

“A contratação é através de motoristas agregados na operação. Também contamos com um time dedicado CLT de monitoramento de frota. Temos uma projeção inicial de 40 entregadores”, destaca a CMO da naPorta, Katrine Scomparin.

Para Leonardo Medeiros, mais do que ampliar cobertura, o negócio busca construir uma operação sustentável, que beneficie tanto empresas quanto moradores das comunidades onde a companhia atua.

Morador defende contratação dentro das comunidades

Gilliard Carneiro destaca que qualquer iniciativa capaz de contribuir para a expansão de serviços que favoreçam consumidores à margem da economia digital é sempre bem-vinda. Ele defende, porém, a importância das empresas aproveitarem a mão de obra das próprias comunidades nesses serviços. “Nós entendemos melhor o trajeto, conhecemos becos, as vielas. Essa seria uma forma, também, de gerar emprego na favela”, diz.

Assim como o morador do bairro Taquaril, a presidente da Central Única das Favelas de Minas Gerais (Cufa-MG), Marciele Delduque, acredita na relevância da expansão do serviço. Ela afirma que, embora os gargalos sobre o tema não sejam verbalizados em Minas Gerais, os desafios acerca de um transporte de entregas, de fato, existem.

“Minas conta muito com o senso de colaboração. Geralmente, aquele morador que pode receber e que mora em ruas com o CEP bem estabelecido, se torna referência para outros que moram em um beco ou viela. Isso é muito comum no Taquaril e no Aglomerado da Serra, por exemplo. Todas as operadoras de logística que vierem com a intenção de fortalecer e dar mais celeridade e assertividade na entrega serão bem-vindas”, reforça.

Estado é o sexto com mais favelas no País, segundo IBGE

De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais possui 653 favelas e comunidades urbanas. O valor corresponde a 5,2% do total de aglomerados do País (12,3 mil).

O Estado ocupa a 6ª posição no Brasil com o maior número de favelas, atrás apenas de São Paulo (3,1 mil), Rio de Janeiro (1,7 mil), Pernambuco (849), Pará (723) e Ceará (702).

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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