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Busca por diversificação impulsiona investimentos de mineiros em imóveis nos EUA

Minas já responde por 15% da base da Invisto, com aportes concentrados em ativos de alto padrão na Flórida
Busca por diversificação impulsiona investimentos de mineiros em imóveis nos EUA
Invisto atua principalmente em Orlando, Winter Park e Tampa, cidades da região central da Flórida | Foto: Divulgação/ Invisto

A busca por diversificação de patrimônio internacional tem ganhado força entre os investidores mineiros. Dados da Invisto, plataforma de investimentos imobiliários nos Estados Unidos, apontam que Minas Gerais já detém 15% da base de investidores da empresa, ficando atrás apenas de São Paulo em volume de aportes.

No mercado há quatro anos, a proptech brasileira tem um modelo de atuação focado na compra de terrenos ou imóveis antigos em regiões valorizadas do país norte-americano, que são demolidos e dão lugar a novas casas de alto padrão. Os ativos são vendidos com potencial de retorno em dólar.

Hoje, a empresa atua principalmente em Orlando, Winter Park e Tampa, cidades da região central da Flórida. Com mais de 100 propriedades adquiridas, a Invisto já atingiu a marca de R$ 1 bilhão sob gestão.

“O nosso público é composto exclusivamente por famílias de alta renda, empresários e family offices (estruturas privadas criadas para administrar o patrimônio de famílias muito ricas). O ticket mínimo de entrada é de US$ 250 mil (mais de R$ 1 milhão), o que naturalmente filtra investidores mais sofisticados”, conta o CEO da Invisto, João Vianna.

Portfólio diversificado reduz riscos

Ao contrário de compradores interessados em uma segunda residência, os clientes da empresa, segundo Vianna, investem por meio de fundos, e não diretamente nos imóveis. Os dois primeiros fundos, que captaram mais de R$ 1,2 bilhão, já foram integralmente distribuídos e reúnem mais de 70 ativos compostos por 257 casas com mais de 300 m², avaliadas entre US$ 1,5 milhão e US$ 4 milhões.

Cada investidor obtém retorno anual em torno de 15% em dólar, a partir da comercialização desses imóveis. “Um terceiro fundo será lançado em 2027, ainda sem definição de valor mínimo de cota ou meta de captação”, afirma o executivo.

João Vianna explica que, do ponto de vista mercadológico, o investimento em fundos é mais assertivo por uma série de fatores, entre eles a própria estrutura de governança do modelo. “O fundo é auditado e administrado por empresas independentes, além de seguir uma série de regulamentações do mercado financeiro que defendem os interesses dos investidores”, afirma.

O executivo destaca ainda que, ao optar por um fundo, o investidor conta com um portfólio de ativos, o que é estratégico na diversificação de riscos. “Quando você investe somente em uma casa, coloca todo o risco em um só ativo. A diversificação protege o investidor”, reforça.

O CEO também afirma que, desde o início das operações, a Invisto tem apostado na aproximação com investidores mineiros, estratégia que incluiu eventos presenciais em solo americano para que eles conheçam as casas e os bairros em que estão localizadas. “O fato de termos uma classe de ativos tangíveis corrobora para a confiança do investidor”, pontua.

Atualmente, além de Minas e São Paulo, a empresa também possui clientes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, embora com menor representatividade.

Expansão do mercado doméstico

O avanço dos investidores mineiros no exterior ocorre em paralelo à expansão da base local no mercado doméstico. Em junho de 2025, Minas Gerais já somava mais de 618 mil contas sob custódia, consolidando-se como o segundo Estado com maior número de investidores na Bolsa brasileira, atrás apenas de São Paulo.

Em termos de volume financeiro, os aportes dos mineiros alcançam R$ 47,74 bilhões, colocando o Estado na terceira posição no ranking nacional, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro.

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