Lamas Destilaria mira mercado de luxo e quer ampliar presença do whisky mineiro no exterior

Com parceiros em quatro países, empresa de Matozinhos negocia entrada em outros seis mercados e prevê que exportações respondam por 20% do faturamento até 2028
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Lamas Destilaria mira mercado de luxo e quer ampliar presença do whisky mineiro no exterior
A diretora de Comunicação e Branding da Lamas Destilaria, Luciana Lamas, celebra a internacionalização da marca com o presidente da St. Andrew Society, associação centenária que congrega a comunidade escocesa no Brasil, Ian Cook. | Foto: Divulgação/Amoa

Com sede em Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Lamas Destilaria planeja ampliar sua atuação no segmento de luxo, no Brasil e no exterior. A estratégia faz parte de um movimento de reposicionamento da marca, que busca conquistar novos mercados e levar seus produtos para além das fronteiras nacionais.

Segundo a diretora de Comunicação e Branding da destilaria, Luciana Lamas, as exportações da empresa devem representar cerca de 20% do faturamento anual até 2028. Atualmente, a marca conta com parceiros na França, Rússia, Coreia do Sul e Holanda, mas há negociações em andamento com a Escócia, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Portugal e China.

“Observamos a trajetória internacional como parte de um movimento muito mais amplo, que é um interesse crescente dos outros países do mundo por produtos genuinamente brasileiros e de muita qualidade. Então, para a Lamas, exportar significa participar ativamente dessa conversa”, destaca Luciana.

Ainda conforme a executiva, a ampliação dos compradores internacionais representa a oportunidade de apresentar ao mundo uma interpretação brasileira do whisky e de outros destilados, construída a partir de ingredientes locais e de uma criação autoral das receitas.

Whisky ganha espaço e já responde por 75% do faturamento da Lamas

Questionada se o reposicionamento da marca pode provocar ajustes nos preços das bebidas nas prateleiras, a diretora da Lamas afirma que, embora esperado, inclusive por fatores mercadológicos, o aumento é fruto de um passo estratégico no processo de mudança. “Atualmente, o nosso portfólio de whisky varia entre R$ 170 e R$ 320. Já as edições limitadas disponíveis no momento oscilam entre R$ 500 e R$ 650”, acrescenta a executiva.

Com cerca de 30 produtos no portfólio, entre cachaças, gins, licores, vodkas e coquetéis, o whisky continua, conforme Luciana, na liderança como a principal linha de negócio da empresa. “Em 2025, eles representaram 65% do nosso faturamento. E nesse ano, eles já saltaram para 75%. A nossa expectativa é fechar 2026 com um crescimento de 30% em relação ao ano anterior”, revela a empresária.

No entanto, segundo ela, a linha de licores, atualmente com quatro rótulos, também vem conquistando bons resultados de vendas. “O nosso licor Gold Cream, por exemplo, que é a base de whisky cappuccino, e o Cocoa Royale, feito com cacau, têm demonstrado uma performance surpreendente. Possivelmente é algo que a gente planeja trabalhar mais no futuro, talvez com novos sabores e edições limitadas”, diz.

Garrafa da Lamas Destilaria
Foto: Divulgação Lamas Destilaria

Nova fábrica em Pedro Leopoldo terá aporte de R$ 50 milhões

No mercado há sete anos, a Lamas investe atualmente R$ 50 milhões em uma nova unidade fabril em Pedro Leopoldo, também na RMBH, que triplicará sua capacidade produtiva, atualmente estimada em 10 mil litros mensais, e focará no turismo de experiência. A proposta é que os visitantes que conhecerem o espaço possam ter acesso ao universo dos whiskys por meio de uma imersão sensorial que aproxima as pessoas dos processos e métodos de armazenagem da bebida.

Uma das estruturas do projeto será uma cave com capacidade para armazenar 3,5 mil barris. A expectativa da empresa é começar a receber visitas na nova área a partir do início de 2027.

“Os visitantes vão poder ver o processo produtivo, mas ainda em uma fase anterior à conclusão do projeto, que é previsto para mais dois anos. Na fase final, o salão de eventos, que hoje abriga a área de produção, volta à sua função original, e a gente vai poder realizar diversos eventos, festas, conferências e cerimônias”, conclui Luciana Lamas.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026


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