Exclusivo: Obrabox investe R$ 60 milhões em atacarejo de materiais de construção no Shopping Lagoa Santa
O Shopping Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), anunciou com exclusividade ao Diário do Comércio a chegada da Obrabox, atacarejo de materiais de construção voltado para profissionais do setor e consumidores finais. Com investimento de R$ 60 milhões, a operação ocupará aproximadamente 10 mil metros quadrados do complexo comercial. A estrutura terá salão de vendas, drive-thru da construção e áreas logísticas destinadas ao recebimento, à armazenagem e à expedição de mercadorias.
A expectativa é que a nova loja gere cerca de 450 empregos diretos e indiretos, considerando fornecedores, prestadores de serviços, transportadoras e demais empresas ligadas à cadeia da construção e à operação do empreendimento.
Drive-thru permitirá retirada e carregamento de materiais
Segundo a Argoplan, administradora do Shopping Lagoa Santa, a Obrabox é uma nova marca que chega ao mercado com a proposta de reunir uma ampla variedade de produtos para construção, reforma e manutenção. A empresa prevê atendimento especializado, disponibilidade de estoque e condições diferenciadas para compras em volume.
“A unidade de Lagoa Santa seguirá o padrão operacional da rede e terá um sortimento de aproximadamente 20 mil itens, abrangendo categorias como materiais básicos, elétrica, hidráulica, ferragens, ferramentas e pintura”, afirma a administradora do mall.
A proposta também prevê atender profissionais da construção, como pedreiros, gesseiros, pintores, eletricistas, bombeiros hidráulicos e engenheiros, com variedade de produtos e marcas voltadas a esses públicos.
A unidade também terá um drive-thru da construção, destinado à retirada e ao carregamento de mercadorias de maior volume.
Unidade deve responder por um terço do faturamento da rede
Segundo o diretor da Obrabox, Osmar Martins, a unidade de Lagoa Santa está entre as operações consideradas pela empresa com maior potencial de vendas. “A expectativa da companhia é que, nos primeiros 12 meses de funcionamento, a loja represente cerca de um terço do faturamento do grupo, refletindo o potencial de Lagoa Santa e sua capacidade de atender também consumidores e profissionais de diferentes municípios do Vetor Norte”, avalia.
Ainda segundo Martins, a escolha do Shopping Lagoa Santa para receber a operação está relacionada, entre outros fatores, à localização do empreendimento e à visão de longo prazo da empresa para o complexo.
Para o primeiro ano, a Obrabox também pretende ampliar o conhecimento da marca, estabelecer relacionamento com profissionais da construção e aumentar sua presença regional no segmento de materiais para construção, reforma e manutenção.
Para o sócio-diretor da Argoplan, Felipe Andrade, a chegada da Obrabox amplia e diversifica o mix do empreendimento, além de acrescentar uma operação de grande porte voltada a um segmento ligado ao crescimento urbano, imobiliário e empresarial do Vetor Norte.
Shopping terá aporte de R$ 400 milhões e inauguração prevista para outubro de 2027
Com investimento de R$ 400 milhões e capacidade para abrigar mais de 90 lojas, o Shopping Lagoa Santa está em construção na Rodovia Papa João Paulo II (MG-010), no Vetor Norte de Belo Horizonte. A inauguração está prevista para outubro de 2027, e a projeção é de R$ 500 milhões em vendas no primeiro ano de funcionamento.
Segundo a Argoplan, o novo mix inclui marcas como Renner, C&A, Natura, O Boticário, CVC e Cineart Multiplex, que terá as primeiras salas de cinema da região. Na área gastronômica, estão confirmados Café du Centre, Spoleto, Cheirin Bão, Mr. Black Café, Bendita Empada, Bem Querer, Milky Moo, Chiquinho Sorvetes e Goccia di Latte. Também estão previstas operações da Laluc Casa e da Loja do Cruzeiro. Até julho deste ano, 75% da Área Bruta Locável (ABL) do mall estava comprometida por contratos assinados.

Ainda conforme a administradora, a área de influência do Shopping Lagoa Santa reúne mais de 550 mil pessoas. O empreendimento também está localizado em uma via com fluxo diário estimado em aproximadamente 50 mil veículos, fatores que ampliam o potencial da nova operação para além dos limites do município.
Ao lado do mall, também estão em construção um World Trade Center (WTC) e uma unidade da Faculdade Serra Dourada, administrada pela Trivento Educação. O complexo multiuso, com mais de 100 mil metros quadrados, contará com três torres, incluindo uma de 190 metros de altura. A instituição de ensino deve ofertar, até fevereiro de 2028, 14 cursos de graduação, entre eles medicina veterinária, nutrição e terapia ocupacional. Em 2027, as atividades da faculdade serão realizadas, em caráter temporário, no espaço da Escola Municipal Dr. Lund, no Centro de Lagoa Santa.
Shopping pode gerar R$ 20 milhões anuais em arrecadação
A chegada do Shopping Lagoa Santa poderá acrescentar aproximadamente R$ 20 milhões por ano à arrecadação municipal, segundo estimativa do secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura de Lagoa Santa, Jean Carlo Seabra Pedrosa. Desse total, cerca de R$ 3,5 milhões deverão vir do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). A arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) relacionada às atividades dos lojistas é estimada em R$ 6 milhões, enquanto o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) poderá acrescentar outros R$ 11 milhões aos cofres municipais.
Para a administração municipal, um dos efeitos econômicos esperados do projeto é o aumento da circulação de pessoas na cidade. Segundo o secretário, somente o WTC deverá receber pelo menos 700 eventos por ano, com circulação estimada em cerca de 5 mil pessoas por dia.
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“Essas pessoas se hospedarão em Lagoa Santa, a dez minutos do aeroporto de Confins, e irão usufruir da estrutura já existente na cidade, seja na área gastronômica ou nos atrativos turísticos”, destaca Pedrosa.
Prefeitura quer integrar shopping ao comércio local
O chefe da pasta descarta a possibilidade de o shopping competir com o comércio tradicional da cidade, especialmente com os pequenos negócios. Na avaliação dele, o projeto poderá contribuir para a economia local, principalmente por estar localizado em uma região diferente do atual eixo comercial do município.
Jean Carlo Pedrosa afirma que a prefeitura pretende criar mecanismos de transporte para facilitar o deslocamento dos visitantes entre o complexo e outras regiões da cidade e estimular o consumo no comércio local. Segundo o secretário, a ideia é fazer com que os visitantes do shopping e do centro de convenções também conheçam outros pontos de Lagoa Santa e consumam no município.

Na avaliação de Pedrosa, os impactos esperados vão além da arrecadação e do consumo. O secretário acredita que o complexo poderá alterar o perfil econômico de Lagoa Santa e ampliar a participação do município no setor de comércio e serviços do Vetor Norte.
Um dos gargalos identificados pela prefeitura é a capacidade hoteleira. Segundo Pedrosa, Lagoa Santa possui aproximadamente 2,5 mil vagas de hospedagem, enquanto o complexo poderá receber cerca de 5 mil pessoas por dia. Diante desse cenário, a administração municipal pretende estimular novos investimentos no setor nos próximos meses.
Chegada do complexo amplia disputa por áreas empresariais
O secretário também relaciona o projeto ao aumento da demanda por mão de obra. Segundo ele, os empreendedores responsáveis pelo complexo estimam, inicialmente, a geração de cerca de 4 mil empregos. A prefeitura considera, porém, que o impacto poderá ser maior com a criação de postos indiretos e a chegada de novos negócios ao entorno.
A administração municipal também trabalha com a possibilidade de geração de outros 1,5 mil a 2 mil empregos associados ao desenvolvimento do complexo nos próximos anos.
“Do lado contrário ao complexo a gente vai ter um programa de habitações populares, afinal precisamos atrair trabalhadores também”, afirma, acrescentando que a cidade já vem sendo impactada por um crescimento populacional nos últimos anos.
Segundo o secretário, o movimento de expansão já se reflete na procura por áreas empresariais. Em 2026, a prefeitura realizou a alienação de oito terrenos no Distrito Industrial, o maior número já registrado, conforme Pedrosa. Uma nova rodada, também com oito áreas, está prevista para o próximo dia 29.
“No último leilão que nós fizemos, tivemos praticamente o dobro do valor avaliado nas áreas que foram vendidas. Então isso demonstra o quanto Lagoa Santa vem sendo disputada. Eu não tenho dúvida nenhuma de que este complexo é um divisor de águas, não só para a nossa cidade, mas também para a região. O que a gente precisa, como poder público, é nos organizarmos para o crescimento ser organizado”, conclui.
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