Desvendando a sopa de letrinhas da remoção de carbono
À medida em que a questão climática se agrava, a urgência faz com que toda e qualquer ação que possa ajudar no combate às mudanças climáticas seja bem-vinda. Nesse contexto, as soluções que buscam a remoção de carbono da atmosfera ganham mais força e hoje já ocupam espaço relevante em laboratórios, fazendas, indústrias e até no fundo do mar. Por isso, vale a pena entender esse novo vocabulário e o que significa essa sopa de letrinhas que causa até vertigem em quem não está acostumado.
A ideia central é simples: existem tecnologias capazes de capturar CO₂ de diversas formas e em diversos ambientes. Quando essa remoção se dá diretamente no ar, por meio de máquinas que funcionam como filtros gigantes de CO₂, ela recebe o acrônimo DAC (Direct Air Capture).
Há também o BECCS (Bioenergy with Carbon Capture & Storage), que busca tornar a geração de energia por biomassa ainda mais sustentável por meio da captura dos gases produzidos na queima antes de irem para a atmosfera. A mesma lógica aparece no CCS (Carbon Capture and Storage), em que o CO₂ é capturado diretamente das chaminés industriais e armazenado em formações geológicas profundas. Em alguns casos, esse carbono capturado é utilizado para criação de materiais, combustíveis sintéticos ou processos industriais; quando isso acontece, o processo recebe o nome de CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage).
No agro, duas estratégias têm ganhado destaque: a transformação de resíduos agrícolas em biochar, um carvão estável que devolve carbono ao solo e melhora sua fertilidade, chamada de CRSA (Carbon-Rich Soil Amendment); e o EW (Enhanced Weathering), que usa minerais triturados conhecidos por absorverem CO₂ do ar por meio de reações químicas naturais, como o basalto.
Além dos métodos citados, o oceano, com sua imensa capacidade de troca gasosa, pode ter seus ciclos naturais intensificados, no que se chama MCR (Marine Carbon Removal). E temos também as soluções tradicionais, conhecidas há séculos: plantar árvores, restaurar florestas e melhorar práticas agrícolas para estocar mais carbono no solo.
Cada uma dessas abordagens guarda uma lógica própria, um tempo de armazenamento diferente e um custo por tonelada que varia bastante. Todas compartilham um mesmo desafio: a dificuldade de medir com precisão o que está sendo removido. Nesse contexto, o trio monitoramento, reporte e verificação tem sido elemento essencial para a ampliação e consolidação dessas estratégias e do mercado de carbono relativo a elas. Sem o aprimoramento desse trio, não há credibilidade, nem mercado e nem confiança.
Essas tecnologias mostram que o futuro da ação climática conciliará a redução de emissões e a remoção do que já foi gerado e, nesse movimento, ciência, práticas tradicionais, tecnologia e economia podem trazer oportunidades e vantagens competitivas importantes para o Brasil. Mas, para isso, é preciso encarar a questão climática com uma lente mais positiva.
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