Do Cáucaso à Península Ibérica, histórias, sotaques e tradições marcam grande encontro do vinho
André Baader mora há três anos na Geórgia, país do Cáucaso onde o vinho é uma tradição que atravessa milênios. Wine hunter da importadora Ancestral Wine, traz para o Brasil histórias de um país com 525 variedades de uvas nativas e uma relação com a bebida que remonta a oito mil anos.
Conversei com Baader na ProWine, uma das feiras mais importantes do setor de bebidas, realizada semana passada em São Paulo.
No estande da Geórgia, o destaque eram os rótulos da vinícola Askaneli, em especial os ‘qvevri’, que passam por ânforas de argila, declaradas Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco e utilizadas desde os tempos ancestrais para fermentação.
A importadora tem números expressivos: 27 rótulos georgianos negociados no país e uma importação que supera 20 mil garrafas. Até dezembro haverá mais 15 rótulos no catálogo. São vinhos para quem frequenta lojas especializadas, restaurantes e confrarias, dispostos a experimentar novidades.
No estande alemão, a ideia é deixar para trás a imagem da garrafa azul de qualidade duvidosa que, por muito tempo, resumiu a presença dos vinhos germânicos no Brasil a algo de baixa qualidade.

Casta emblemática do país, a Riesling já conquistou admiradores, mas os alemães querem mostrar mais e incluir seus tintos, como o Pinot Noir, no paladar nacional. É uma estratégia boa, mas que encontra obstáculos. Representantes no estande não falavam português.
A Espanha, por sua vez, ampliou bastante a área de exposição. Portugal também vem se apresentando de forma cada vez mais segmentada. Os dois movimentos refletem uma mudança na maneira de vender vinho: destacar regiões, produtores e estilos, em vez de tratar a produção nacional como um bloco homogêneo.
Da Argentina, a Huarpe Riglos Family Wines chega ao mercado brasileiro pelas mãos da importadora paulista SetWines. A meta é comercializar 150 mil garrafas nos próximos três anos, aproximando o público da diversidade dos terroirs de Gualtallary e Agrelo, de Mendoza. Entre os destaques está o Riglos Gran Cabernet Sauvignon 2022, de vinhedo único em Gualtallary, no Valle de Uco, que recebeu 95 pontos no Guia Descorchados 2026.
Os pavilhões do Expo Center Norte também abrigaram uma produção nacional cada vez mais diversificada. A Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin) reuniu oito produtores de vários estados, como a Casa Geraldo (Minas Gerais) e a São Patrício (Goiás). A Uvva, da Chapada Diamantina, na Bahia, estava com um lindo espaço próprio.
Santa Catarina marcou presença com seus vinhos de altitude. A Villa Francioni, de São Joaquim, apresentou uma garrafa em edição comemorativa de seus 25 anos. Fundada em 2001 por Manoel Dilor Freitas, a vinícola levou à feira um rótulo especial que incorpora uma obra preservada pela família há 39 anos, assinada por Siron Franco.
Com 25 mil visitantes nesta edição, a ProWine confirma sua expansão: em um ano, os expositores cresceram 9%, com aumento de 40% entre os estrangeiros.
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