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Neste 18 de outubro, o DIÁRIO DO COMÉRCIO comemora 88 anos. E nesta mesma data, completo um ano à frente deste jornal como Presidente. Assumi com uma importante missão: honrar toda a história do DC, construída com alicerce sólido de respeito e confiança, contribuindo com o desenvolvimento de Minas Gerais, sob a ótica do bem comum.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO é fruto de um projeto de vida de um grande homem. José Costa empreendeu na construção de um veículo de comunicação focado na economia do Estado, que começou como o boletim Informador Comercial. Mas seu propósito era maior. Era um visionário, um líder empresarial que tinha como objetivo contribuir para o desenvolvimento de Minas.

Engajou-se nos grandes debates que considerava importante para o desenvolvimento de Minas e do País. Foi incansável, junto com outras lideranças que compartilhavam a mesma visão e o senso de colaboração, de esforço conjunto para a construção de um projeto de Estado inserido em um projeto de nação. Fez diferença.

José Costa faleceu em 1995. Deixou um legado que foi continuado pelos meus antecessores na presidência, que também precisam ser lembrados e honrados neste momento de celebração dos 88 anos do DC – Marcílio Gonçalves, José Motta Costa e Luiz Carlos Motta Costa. Fizeram parte desta história que tenho hoje, como desafio, levar adiante. Minha missão é honrar este passado e projetar o DC para o futuro – com gratidão por cada um que passou pelo jornal. Muita gente boa escreveu e escreve páginas dessa história. O DIÁRIO DO COMÉRCIO tem uma legião de amigos que reconhece sua seriedade e relevância para Minas Gerais – este é nosso maior ativo!

Mas pensar no futuro requer uma reflexão mais profunda do presente. Vivemos em uma cultura imediatista, onde resultados rápidos – quase sempre superficiais – são a ordem do dia, seja no setor privado, nas políticas públicas e até no campo individual. Não temos um projeto de futuro, assim como o País não apresenta um projeto de nação. Resgatando o editorial publicado neste jornal no dia 14 de outubro, Minas precisa buscar o seu lugar – de protagonismo e relevância no cenário nacional.

E puxar o fio da meada para uma política desenvolvimentista, sem deixar os problemas estruturais que enfrentamos enquanto sociedade de lado, “sem deixar ninguém pra trás” – meta da ONU com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis. Estamos estagnados. Somos o terceiro PIB, mas ocupamos o 9º lugar no ranking nacional de IDH. Há algo estranho.

E aqui volto ao espírito de José Costa e outros tantos que, em sua época, lutaram por Minas e pelo Brasil. Acho que precisamos buscar boas referências no passado para construir nosso futuro. Referências de lideranças que sonhavam grande, acreditavam neles, tinham ideais e se movimentavam com força e coragem, mas sobretudo, juntos. É preciso uma articulação para retornarmos ao lugar que merecemos.

É preciso que cada um, do lugar que ocupa, se aproprie da responsabilidade com a vida, com suas escolhas e, sobretudo, com um futuro melhor, mais justo, próspero e igualitário. Se já havia uma urgência em pensar em novos modelos possíveis para o desenvolvimento do Estado, com a pandemia essa urgência se torna extrema. Está claro que o atual modelo não se sustenta mais. E quais serão nossas escolhas para o futuro? É hora de articulação para uma construção conjunta, para solucionar os problemas que estão aí porque no passado não nos disponibilizamos a resolvê-los. Quantas pandemias serão necessárias para entendermos que Minas precisa se juntar? Juntos somos mais fortes!

E, neste contexto, volto à importância e responsabilidade da imprensa: não existe Estado forte sem uma imprensa forte. O mercado, agentes econômicos, poder público e outros atores precisam reconhecer este fato e contribuir com o fortalecimento da mídia do Estado. Falando de responsabilidade, também precisamos refletir sobre o nosso papel e na parte que nos cabe, enquanto veículos de comunicação.

Existem dados que mostram como a imprensa contribui para a desesperança de uma sociedade. Isso é grave. Falando do DIÁRIO DO COMÉRCIO, temos refletido sobre o nosso papel. Reflexões profundas. Neste sentido, algumas ações nortearam este primeiro ano da minha gestão. Primeiramente, aderimos ao Instituto Capitalismo Consciente Brasil, como norte. Realizamos um trabalho interno de alinhamento e cultura organizacional. Buscando na origem do DC a sua essência, refletimos sobre nossos valores e propósito – “Fortalecer a economia mineira por meio de um jornalismo econômico propositivo e baseado nos conceitos do capitalismo consciente” –, entendendo que precisamos nos posicionar e defender causas, apontar tendências e caminhos para um futuro melhor.

Estamos juntos imbuídos nessa missão – todo o time DC, com competência e dedicação. Também refletimos sobre a necessidade de praticar, de forma cada vez mais estruturada, um jornalismo propositivo, de escuta e de solução. Ainda no pilar da abordagem, entendemos que precisamos ir além da informação. Precisamos aprofundar, provocar, formar, conscientizar. No pilar da inovação e tecnologia, iniciamos um processo de transformação digital.

Estamos buscando novas formas, novas plataformas e novas linguagens para ampliar nosso horizonte e a capacidade de entrega, de influência e de valor. Estamos desenvolvendo novos modelos de negócios, baseados em cinco eixos: conexões, conhecimento, inovação, narrativa e negócios. Nossa responsabilidade é grande e nosso sonho não pode ser menor. Precisamos de ousadia, sonhar o futuro que queremos e acreditar que ele é possível. Vamos juntos?

Adriana Costa Muls
Presidente e Diretora Editorial