COTAÇÃO DE 21-06-2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,0220

VENDA: R$5,0230

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,0200

VENDA: R$5,1830

EURO

COMPRA: R$5,9972

VENDA: R$5,9999

OURO NY

U$1.783,34

OURO BM&F (g)

R$288,80 (g)

BOVESPA

+0,67

POUPANÇA

0,2446%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Opinião Opinião-destaque
ibovespa
Crédito: Paulo Whitaker/ Reuters

Gustavo Habib*

A últimas semanas foram movimentadas pelas startups e IPOs no Brasil e também no exterior. O mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) foi fundamental para o melhor terceiro trimestre para negócios dos EUA desde o ano 2000. E o Brasil chega à impressionante marca de 12 startups unicórnios, que valem mais de US$ 1 bilhão antes mesmo de abrirem capital.

PUBLICIDADE

Unicórnios são frequentemente mencionados no mercado e na imprensa como casos de sucesso. Mas o que determina o sucesso de uma empresa? Quais são os indicadores e métricas usados para legitimar esse adjetivo? Alcançar o primeiro bilhão em valor de mercado é suficiente? Aqui não vamos discutir a importância de se chegar nesse bilhão. É um fato notável e deve ser reconhecido como tal. O objetivo é dar um passo além desse feito e pontuar métricas objetivas que sugerem que uma empresa atingiu o tal sucesso.

Se sucesso for apenas o enriquecimento do fundador, podemos seguir com o valor da empresa após um aporte (o Valuation) como métrica, afinal o objetivo pessoal foi cumprido. Claro, isso nem sempre acontece, dado que em muitos casos os fundadores foram tão diluídos durante o processo que partem para uma nova empreitada logo em seguida na busca do Santo Graal.

Pensando no aspecto do legado, ou seja, no valor gerado pela empresa e na perenidade da entrega desse valor, outros indicadores se mostram mais úteis. E aqui precisamos nos aprofundar um pouco nos conceitos básicos de negócios. Sim, estavam fora de moda até pouco tempo atrás, mas a crise acaba por mostrar, de um jeito bastante duro, quem faz a lição de casa.

Lucro Bruto e Margem Bruta, por exemplo, são métricas muito subestimadas pelos novos gestores, mas que possuem importância fundamental na análise de sucesso de uma empresa. A relação entre o que sobra após os custos e a receita indicam que a empresa tem mais espaço para trabalhar despesas de marketing e desenvolvimento de forma sustentável. Uma alta margem bruta mostra que a empresa gera valor ao cliente e também pode ter flexibilidade para efetuar descontos durante certo tempo e ganhar fatias de mercado sem ficar na corda bamba. Boa parte do setor de varejo, por exemplo, deve ter aqui um de seus principais indicadores de sucesso.

Um índice muito importante a ser considerado também é o Ebitda e sua margem, através do qual é possível descobrir quanto uma empresa está gerando com suas atividades operacionais não incluindo depreciação, amortização, resultados financeiros e impostos. Dessa forma, é uma  boa aproximação do resultado operacional da empresa, entendendo se ela está criando valor naquilo que se propõe a fazer.

Em relação à sua estrutura de capital (ou como ela consegue dinheiro para seus investimentos), temos a dívida líquida (e sua relação com o Ebitda) para apontar a alavancagem da empresa, ou sua capacidade de pagamento das suas dívidas com o resultado de sua operação. O endividamento não é necessariamente algo ruim (inclusive pode contribuir para o aumento do retorno, se bem administrado), porém caso seja exacerbado, pode se tornar insustentável em pouco tempo – principalmente se houver uma crise inesperada (já aprendemos que precisamos nos preparar para isso). Casos de insucesso não faltam no setor aéreo e na construção civil.

Uma empresa que pode ser considerada de sucesso também deve ter um alto retorno sobre o investimento daqueles que apostaram no negócio. O Roic, ou Return on Invested Capital, é uma boa métrica para isso. Essa medida é o que avalia se faz sentido colocar energia (dinheiro) naquela operação, ou se é melhor partir para outra empreitada buscando maiores retornos. Hoje aquela regra de que a missão da empresa é exclusivamente gerar valor ao acionista talvez não seja tão exata assim, mas definitivamente não foi excluída da conta, e é aqui que ela entra.

E talvez a métrica mais ignorada por gestores é o fluxo de caixa gerado pelas atividades operacionais da empresa e seu ciclo de conversão de caixa. Sob esse prisma, avaliamos o prazo de pagamento de fornecedores, prazos de clientes, estoques e outros aspectos que podem indicar descasamento, o que implicaria na necessidade de recursos provenientes de outras fontes (com custos atrelados, como empréstimos) para rodar as operações da empresa. O que faz empresas quebrarem não é falta de lucro, é falta de caixa. E aqui está a causa do insucesso de inúmeras startups pelo mundo todo: as famosas queimadoras de caixa, que se mantêm assim por muito tempo na esperança do futuro, que chega para pouquíssimas delas.

Hoje, é muito comum avaliar o sucesso de uma empresa através do último aporte recebido ou de seu valor de mercado, porém esses números por si só não dizem se a empresa conseguirá entregar sua proposta de valor de forma sustentável ao longo do tempo. Dependendo do modelo de negócio, há um período em que a empresa deve passar por essa etapa de crescimento, buscando altos investimentos, isso faz parte da trajetória. A questão é: o quão longo é esse caminho e o quanto se abre mão da sustentabilidade?

Empresas como Amazon e Facebook são frequentemente citadas como vitrine de sucesso desse modelo, mas muitos se esquecem de que a Amazon faturou apenas US$ 15 milhões em 1996 (longe do volume que se espera de um unicórnio) e teve geração de caixa em 2002, e o Facebook já era (muito) lucrativo em 2012, ano de sua estreia na Nasdaq. Esses pontos não são detalhes. Ambas possuem robustez nas métricas financeiras citadas acima, que indicam a sustentabilidade de um negócio a longo prazo, gerando valor para a empresa, garantindo a continuidade da entrega de sua proposta de valor.

As críticas (muitas vezes duras) ao modelo de crescimento acelerado sem sustentabilidade financeira podem incomodar bastante, mas o propósito é didático. Não para deixar o modelo, mas para lembrar que há outros aspectos que devem ser levados em consideração na busca do tão famigerado sucesso.

*General Manager na BTC (Business Training Company) gustavo.habib@btcompany.com.br

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

CONTEÚDO RELACIONADO

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!