Parceiros do Futuro: Minas mira avanço da indústria tecnológica e da inovação até 2040

Projeto Parceiros do Futuro tem o objetivo de tornar a inovação “Made in Minas” um produto de exportação
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Parceiros do Futuro: Minas mira avanço da indústria tecnológica e da inovação até 2040
Foto: Reprodução Adobe Stock

Contribuir para a construção de uma Minas Gerais mais próspera e protagonista de seu próprio desenvolvimento. Esse é o principal objetivo do projeto Parceiros do Futuro capitaneado pelo Diário do Comércio e que tem no Fórum de Líderes uma de suas mais importantes iniciativas. O evento reúne lideranças empresariais, institucionais e do ecossistema de inovação para consolidar as metas estratégicas para Minas Gerais no horizonte 2040. Em 20 de agosto, na sua quarta edição que aconteceu na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), o fórum debateu os desafios de cada uma das cinco missões do Parceiros do Futuro.

A primeira missão, “Hub global de tecnologia e inovação”, tem como finalidade, até 2040, evoluir a estrutura econômica do Estado de atividades de baixa agregação de valor para a incorporação de tecnologia e da economia do conhecimento, adensando cadeias produtivas e tornando a inovação “Made in Minas” um produto de exportação. Os cinco desafios da Missão 1 foram apresentados no fórum pelo CEO da Itaminas Mineração, Thiago Toscano:

  • Baixa complexidade produtiva e grau de adensamento das cadeias minerais: só 22% do VTI vem de setores de média-alta e alta tecnologia (Brasil: 30%). O minério sai com baixo beneficiamento, o complexo minerador importa bens de capital e 97% do valor do lítio exportado em 2024 foi concentrado enviado à China.
  • Escala do ecossistema de inovação e escassez de talentos digitais: Minas concentra 9,5% das startups do País (SP: 32,5%), Belo Horizonte é a 187ª no ranking global, os aportes recuaram a R$ 955 mi em 2025 e há déficit de profissionais de dados e IA.
  • Conexões frágeis, financiamento instável e concentração regional da CT&I: universidades, agências, empresas e governo atuam desarticulados; o repasse para a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) aumentou de R$ 69 milhões (2020) para R$ 568 milhões (2025); 62% da atividade de startups está em Belo Horizonte.
  • Conversão da vantagem energética em vantagem computacional: com 99% da eletricidade de fontes renováveis, Minas ainda não converteu a matriz limpa em infraestrutura computacional: o primeiro parque de data centers (Leopoldina, R$ 300 milhões) entra em operação em 2026.
  • Participação de setores estratégicos na economia mineira: direcionar a atração de investimentos na economia mineira para setores estratégicos de intensidade tecnológica e encadeamento insumo-produto no Estado, gerando efeito de spillover para demais regiões e setores.

Na opinião de Toscano, que é sponsor da Missão 1 do Parceiros do Futuro, o projeto é fundamental porque reúne uma série de lideranças, setor público e privado e academia para pensarem o futuro do Estado. “O grande desafio que a gente tem é o de não repetir os erros do passado. A provocação que eu faço é que nós temos que tirar esse plano do papel e, para isso, precisamos debater e entender quais foram os obstáculos que impediram a realização de tudo que foi planejado para que possamos lograr êxito dessa vez”, afirmou.

Para Toscano, o plano está muito bem delineado com anseios que vêm sendo debatidos nas últimas duas décadas e estão presentes no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), um plano de longo prazo para o Estado. “A grande questão que precisa ser debatida e enfrentada é entender o porquê de a gente não ter conseguido avançar tanto quanto gostaria nesse setor”, assinala.

Para a presidente da Invest Minas, agência vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede), Milena Pedrosa, Minas Gerais já possui competências industriais, científicas e tecnológicas que oferecem uma base importante para avançar nos objetivos da missão. Entre as frentes que podem ser desenvolvidas a partir dessa estrutura estão a atração de novos investimentos, o fortalecimento das conexões entre empresas e instituições de pesquisa e a incorporação de tecnologias às cadeias produtivas existentes.

Thiago Toscano
Para Thiago Toscano, o plano de desenvolvimento integrado de longo prazo para Minas Gerais está muito bem delineado | Foto: Divulgação Itaminas

Ela defende que esses avanços podem ocorrer de forma progressiva, acompanhando a maturidade dos projetos, a disponibilidade de investimentos e as condições de mercado. Já a ampliação da participação da indústria de alta tecnologia na economia mineira, de acordo com Pedrosa, representa uma transformação estrutural, que depende de continuidade e de esforços coordenados ao longo do tempo.

O Fórum de Líderes estabeleceu as metas para 2040 para cada um dos cinco desafios da Missão 1:

  • Elevar a intensidade tecnológica da indústria de 22% para 35% do VTI; dobrar a parcela de minério com beneficiamento avançado e processar localmente 50% dos minerais estratégicos, com quatro plantas de ligas e materiais para baterias até 2035.
  • Dez empresas de tecnologia sediadas em Minas Gerais avaliadas em mais de R$ 1 bilhão e Belo Horizonte entre os 50 melhores ecossistemas do mundo; formar 500 mil profissionais na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em competências digitais.
  • Triplicar os contratos de transferência de tecnologia e multiplicar por dez os projetos cofinanciados; blindar o repasse de 1% e levar o P&D a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB); dez hubs regionais fora da RMBH até 2035.
  • Consolidar dez parques de data centers movidos a energia renovável até 2035 e criar, até 2030, o Centro Estadual de Computação de Alto Desempenho e IA Aplicada, com contrapartidas locais.
  • Participação de setores estratégicos intensivos em tecnologia na economia mineira em relação ao Brasil pela Matriz Insumo Produto, selecionar setores de maior encadeamento, elevando sua participação acima da média do Brasil até 2040.
Milena Pedrosa
Milena Pedrosa, presidente da Invest Minas | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a presidente da Invest Minas, para realizar uma das metas – ampliar a participação de Minas na indústria de alta tecnologia até 2040 – é preciso aproximar o conhecimento científico das demandas do setor produtivo. “Minas Gerais possui universidades, centros de pesquisa e uma base industrial diversificada, e essa combinação representa uma oportunidade importante para desenvolver novas tecnologias e ampliar sua aplicação na economia”, pontua.

Para Milena Pedrosa, o empresariado tem um papel fundamental nesse processo, tanto pelo investimento em pesquisa e desenvolvimento quanto pela abertura de oportunidades para testar e incorporar novas soluções. Segundo ela, as universidades e os centros de pesquisa contribuem com conhecimento, formação de profissionais e desenvolvimento tecnológico, enquanto as startups podem oferecer respostas inovadoras a desafios concretos da indústria.

“Um caminho importante é aproveitar as cadeias produtivas já consolidadas em Minas para estimular atividades de maior intensidade tecnológica. Setores como ciências da vida, mineração e indústria de transformação oferecem oportunidades para desenvolver novos produtos, modernizar processos e ampliar a agregação de valor”, acrescenta Milena. Ela ainda assinala que a atração de investimentos contribui para esse movimento ao ampliar a presença de empresas e atividades produtivas que demandam tecnologia, conhecimento especializado e inovação. “O desafio é fortalecer essas conexões para que a capacidade científica e industrial do estado se traduza em maior competitividade e novas oportunidades econômicas”, afirma.

Em relação aos obstáculos, a presidente da Invest Minas afirma que o desafio não está apenas na capacidade de produzir conhecimento, mas em criar condições para que ele chegue ao mercado. De acordo com ela, Minas Gerais possui instituições de ensino e pesquisa relevantes, no entanto, transformar uma descoberta científica em um produto, processo industrial ou negócio exige etapas adicionais de desenvolvimento, investimento e validação econômica.

Por isso, Milena Pedrosa defende que é necessário aproximar cada vez mais as instituições de pesquisa das demandas das empresas. “A universidade tem um papel fundamental na produção do conhecimento, enquanto o setor produtivo precisa identificar oportunidades de aplicação, avaliar a viabilidade econômica e investir no desenvolvimento das soluções. E essa aproximação também depende de financiamento, profissionais qualificados e mecanismos que facilitem a transferência de tecnologia. São desafios que envolvem diferentes instituições e exigem articulação contínua entre o poder público, o setor privado e o ambiente acadêmico”, destaca.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.


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