Fórum de Líderes define metas para logística e turismo em Minas Gerais
Liderado pelo Diário do Comércio, o projeto Parceiros do Futuro tem como objetivo contribuir para a construção de uma Minas Gerais mais próspera e protagonista de seu próprio desenvolvimento. Uma das suas faces mais importantes é o Fórum de Líderes, que reúne lideranças empresariais, institucionais e do ecossistema de inovação para consolidar as metas estratégicas para Minas Gerais no horizonte 2040.
A quarta edição do encontro, realizado na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), no dia 20 de agosto, debateu os desafios de cada uma das cinco missões do Parceiros do Futuro.
A quinta missão, “Turismo, Infraestrutura e Valorização Regional”, pretende posicionar Minas Gerais, até 2040, como destino turístico global de identidade e principal corredor logístico do Brasil, assegurando que turismo e infraestrutura sejam vetores de integração e de redução comprovada da desigualdade inter-regional.
Os desafios foram apresentados pelo consultor de empresas especializado em cenários futuros, Frederico Madureira:
- Baixa captura de valor e potencial de aumento do turismo nacional: o Estado ainda captura pouco valor por visitante e depende fortemente de eventos sazonais (Carnaval, Inverno, Natal). Minas tem no próprio turista brasileiro e mineiro a alavanca mais viável no curto prazo: consolidar demanda doméstica, produtos permanentes e infraestrutura receptiva.
- Passivo de qualidade e pavimentação da malha rodoviária: Minas tem a maior malha do País (272 mil km), mas 65,4% dos trechos avaliados estão em estado insatisfatório — acima da média nacional (59%) — e cerca de 5 mil km da malha estadual seguem sem pavimentação.
- Ferrovia: contrapartidas desproporcionais e risco de desconexão da malha mineira. Nas renovações antecipadas de MRS e Vitória-Minas, Minas ficou com apenas 9% dos recursos acordados, apesar de deter o maior trecho das malhas. Na renovação da FCA, 3,1 mil km ociosos serão devolvidos e o trecho Minas-Bahia segue em disputa.
- Concentração da malha aérea e conectividade regional limitada: O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ultrapassou 10 milhões de passageiros em 2024, mas o Estado tem voos regulares para apenas 17 cidades, o que limita a regionalização do turismo e dos negócios e reforça a concentração na capital.
- Desigualdade inter-regional e ausência de financiamento estruturante: A desigualdade entre regiões se dilata a cada ano: a ocupação hoteleira é de 62,8% na RMBH contra 49,6% no interior, e o ICMS Turismo, que beneficiou 569 municípios, é insuficiente frente ao passivo das regiões do Jequitinhonha, Norte, Mucuri e Rio Doce.
Assim, a posição geográfica de Minas Gerais é vista como estratégica para torná-la um centro logístico nacional. Contudo, há um consenso de que o Estado está atrasado devido à falta de estrutura. A ausência de um contorno metropolitano em Belo Horizonte exemplifica bem essa deficiência.
“A falta de conexões físicas e digitais isola parte significativa dos municípios mineiros. A prioridade apontada para viabilizar o desenvolvimento econômico é conectar as cidades por meio de estradas e redes de fibra óptica. No setor agrícola, a precariedade das estradas rurais gera gargalos severos tanto para a chegada de insumos quanto para o escoamento da produção”, explica Madureira.
O Fórum de Líderes estabeleceu as metas para 2040:
- Aumentar em 50% o gasto médio real e a permanência, com produtos permanentes de base cultural, gastronômica e natural.
- Elevar para ao menos 80% a parcela da malha estadual em bom ou ótimo estado até 2040 e pavimentar ao menos 50% dos 5 mil km não pavimentados até 2035, com priorização explícita de acessos a regiões produtoras e destinos turísticos das áreas menos desenvolvidas.
- Assegurar contrapartidas de investimento proporcionais à extensão da malha mineira, manter e requalificar a ligação Minas-Bahia, executar o Contorno Ferroviário de Belo Horizonte e elevar a participação do modal ferroviário na matriz de transporte do Estado até 2040.
- Dobrar até 2035 o número de cidades mineiras com voos regulares, consolidar ao menos três novas conexões intercontinentais e implantar rede de ao menos 10 terminais intermodais integrando rodovia, ferrovia e modal aéreo até 2040.
- Instituir até 2028 fundo estadual de desenvolvimento regional com fontes vinculadas (parcela da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM – e da compensação hídrica) e governança comunitária, estruturar 10 novos destinos turísticos completos nas regiões prioritárias até 2035 e adotar indicador oficial de convergência regional na Fundação João Pinheiro.
O vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Luiz Antônio Athayde Vasconcelos, avalia as metas:
“E quando se discute qualquer agenda de prazos, muitas vezes o problema é a não conexão entre toda a estrutura, os atores do Estado. É muito importante o foco no turismo nacional, sem demérito à agenda do turismo internacional. Nós temos que trazer um brasileiro para conhecer o nosso Estado. E claro, sem abrir mão de trazer o turista internacional. É uma agenda para cumprir”, afirma Vasconcelos.
Para o engenheiro de Minas e Metalurgista e ex-presidente do Indi (hoje InvestMinas), Carlos Eduardo Orsini, os recursos da engenharia são capazes de prover soluções para a diminuição das desigualdades regionais, destravando o desenvolvimento a partir da integração de territórios e economias. Para ele, no Vetor Sul da Capital, Belo Horizonte, Nova Lima e toda a Região Metropolitana possuem diante de si uma oportunidade histórica: transformar barreiras geográficas em corredores de integração, transformar congestionamentos em mobilidade e transformar limitações em oportunidades.

A ideia principal passa pela construção de túneis entre as duas cidades, melhorando a logística e permitindo um fluxo de pessoas e mercadorias mais eficiente e sustentável.
Embora a topografia montanhosa da RMBH e a Serra do Curral sejam vistas como obstáculos, elas representam uma oportunidade ideal para a implantação de soluções subterrâneas. A engenharia moderna demonstra que túneis viabilizam a conectividade territorial com impactos ambientais superficiais mínimos. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago (Chile), Madri (Espanha) e Oslo (Noruega) já utilizam o subsolo com sucesso. Adicionalmente, a engenharia moderna aponta que, atualmente, construir um quilômetro de túnel é mais barato do que um quilômetro de viaduto.
Existe uma situação de crescente estresse social decorrente das dificuldades de deslocamento entre os municípios metropolitanos e dentro da própria capital. Milhões de pessoas convivem diariamente com congestionamentos, atrasos, perda de produtividade. Uma das questões menos exploradas no planejamento regional refere-se ao aproveitamento da própria topografia de Belo Horizonte e da Serra do Curral como elemento estruturador de soluções modernas de mobilidade.
“Diferentes cidades adotaram sistemas de túneis urbanos como instrumentos eficientes para reduzir congestionamentos, distâncias e minimizar interferências ambientais superficiais. Os túneis urbanos e metropolitanos não devem ser vistos como obras extraordinárias ou utópicas. A Serra do Curral não é uma barreira ao desenvolvimento. Mediante engenharia adequada e planejamento responsável, ela pode ser o elemento de uma nova infraestrutura metropolitana capaz de aproximar pessoas, reduzir desigualdades territoriais e construir uma Belo Horizonte mais conectada, competitiva e humana”, analisa Orsini.
Os desafios e metas propostos pelo Parceiros do Futuro foram entregues aos candidatos ao governo de Minas Gerais em uma série de eventos ao longo do mês de setembro em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (CodeseBH) e com o Minas Tênis Clube.
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