Fórum de Líderes define desafios e metas para Minas Gerais 2040
A quarta edição do Fórum de Líderes, realizado na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), na região Centro-Sul da Capital, reuniu lideranças empresariais, institucionais e do ecossistema de inovação para consolidar os principais desafios e metas estratégicas para Minas Gerais no horizonte 2040, propondo metas de longo prazo ligadas às cinco missões do Parceiros do Futuro:
- Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação.
- Economia verde, circular e transição energética.
- Potência agroindustrial e agropecuária.
- Estado desburocratizado e fortalecimento do ambiente de negócios.
- Turismo, infraestrutura e valorização regional.
O projeto Parceiros do Futuro, liderado pelo Diário do Comércio, tem como objetivo contribuir para a construção de uma Minas Gerais mais próspera e protagonista de seu próprio desenvolvimento.
O presidente da Itaminas, Thiago Toscano, sponsor do Grupo 1 – “Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação”, apresentou os cinco principais desafios da missão:
- Baixa complexidade produtiva e grau de adensamento das cadeias minerais.
- Escala do ecossistema de inovação e escassez de talentos digitais.
- Conexões frágeis, financiamento instável e concentração regional de CT&I.
- Conversão da vantagem energética em vantagem computacional.
- Participação de setores estratégicos na economia mineira.
“Temos um Estado com ciência de ponta, porém com economia de baixa complexidade. Precisamos saber como vamos transformar de fato a realidade de Minas. Gostamos muito de dizer o que temos, o que produzimos, mas tudo isso não aparece, não vira notícia. O que o mundo enxerga da gente? E quais são as oportunidades que temos para além das vocações? Para sermos inseridos na geopolítica mundial, precisamos discutir assuntos internacionais. Não adianta dizer que temos e não oferecermos o que os compradores querem”, explicou Toscano.
Os desafios da missão 2 – “Economia Verde, circular e transição energética”, foram apresentados pela presidente da Sociedade Mineira de Engenharia (SME), Patrícia Boson.
- Subremuneração dos recursos hídricos e potencial hidroviário inexplorado.
- Monetização incipiente dos ativos ambientais e fragilidade institucional da gestão ambiental.
- Disposição e gestão de rejeitos e descarbonização da mineração e da siderurgia.
- Persistência de lixões, fragilidade dos consórcios regionais e exclusão dos catadores.
- Subaproveitamento econômico do ativo florestal em modelos de bioeconomia regenerativa.
“Temos que perguntar por que temos tanto e fazemos tão pouco. Somos uma potência em energia limpa e de minerais estratégicos, mas não de economia verde. Não adianta nada ter um grande cenário para nos impulsionar e não fazer nada com isso. Não estamos começando do zero, temos uma base que poucos têm no mundo. Precisamos fomentar uma mentalidade disruptiva, com um pensamento econômico e de negócios sobre essas questões, longe da cultura do ‘não pode’”, analisou Patrícia Boson.
“Potência agropecuária e agroindustrial” é a terceira missão e teve seus desafios relatados pelo gerente executivo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Bruno Rocha de Melo:
- Escassez de mão de obra qualificada e barreiras à sucessão rural familiar.
- Vulnerabilidade climática, degradação do solo e manejo hídrico ineficiente.
- Falta de tecnologias acessíveis e limitações na conectividade digital no campo
- Baixa agregação de valor e barreiras sanitário-regulatórias.
- Gargalos nas estradas rurais e instabilidade no fornecimento de energia elétrica.
“Existe um descompasso entre produzir e agregar. Temos um modal de pequenas propriedades, com menos de 50 hectares, que precisa de assistência para se manter. Temos a cadeia mais diversificada do Brasil e temos desafios muito diferentes entre as regiões. Queremos olhar também o aspecto quantitativo e a agregação de valor”, afirmou Melo.

A penúltima missão, “Estado desburocratizado e fortalecimento do ambiente de negócios”, teve como sponsor o fundador da Passalio Capital, Fernando Passalio, que foi secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais entre 2021 e 2025. Ele apresentou os seguintes desafios:
- Capilaridade municipal e janela única de licenciamento.
- Licenciamento ambiental e outorga com prazo, risco e transparência
- Travessia tributária
- Infraestrutura viabilizada por capital privado
- Governança de dados e métricas de resultado.
- Tudo isso sem abrir mão da qualidade e do rigor, com análise mais customizada.
“A simplificação regulatória avançou, mas o gargalo mudou de lugar. Minas é pioneira na Lei de Liberdade Econômica, mas é importante os municípios aderirem. Precisamos ter interoperabilidade entre as bases do governo, dando subsídios às decisões com a máxima transparência, aumentando a governança e a segurança jurídica percebida pela sociedade e pelos parceiros. Tudo isso, claro, sem abrir mão da qualidade e do rigor”, destacou Passalio.
E na quinta missão, “Turismo, infraestrutura e valorização regional”, o coorganizador do Parceiros do Futuro, Frederico Quaresma, apresentou os cinco principais desafios:
- Baixa captura de valor e turismo internacional incipiente
- Passivo de qualidade e pavimentação da malha rodoviária
- Ferrovia: contrapartidas desproporcionais e risco de desconexão da malha mineira
- Concentração da malha aérea e conectividade regional limitada.
- Desigualdade inter-regional e ausência de financiamento estruturante.
“Existe um claro descompasso entre fluxo de turistas e a geração de valor. Embora o número de visitantes esteja crescendo, eles ainda estão concentrados em regiões específicas. E para que o desenvolvimento seja distribuído, precisamos, mais uma vez, olhar para a questão da infraestrutura e da conexão entre as regiões e de Minas com o Brasil”, pontuou Quaresma.
Para a diretora editorial e presidente do Diário do Comércio, Adriana Muls, a apresentação dos desafios e a contribuição dos demais participantes garante a construção de um documento profundo para ser entregue aos candidatos ao governo de Minas. As propostas validadas pelo grupo levarão a visão das lideranças mineiras para a pauta e a agenda pública. A entrega será feita em um encontro com os candidatos em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (CodeseBH) e o Minas Tênis Clube.
“A discussão nesse Fórum mostrou a complexidade dos desafios e também a consciência sobre o papel da sociedade civil na construção de um futuro próspero e real para todos. Estamos no começo, com muito trabalho pela frente”, avaliou Adriana Muls.
A próxima e última edição do Fórum de Líderes em 2026 está marcada para 26 de novembro.
“Sempre abraçamos as iniciativas em que a sociedade civil pensa o futuro de Minas. É muito comum a gente perguntar para os candidatos o que eles querem fazer, quais são os projetos deles. Aqui mudamos o paradigma, vamos apresentar aos candidatos o que a sociedade acha que é importante para o desenvolvimento socioeconômico. Processos de mudanças exigem tempo. Mais que parceiros do futuro, somos com o futuro, a partir das missões estabelecidas”, completou o presidente em exercício da ACMinas, Marcos Brafman.
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