Confiança impulsiona a agenda de infraestrutura, que atrai investimentos privados em Minas

Empresariado mineiro demonstra maior confiança em projetos de saneamento e logística no estado
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Confiança impulsiona a agenda de infraestrutura, que atrai investimentos privados em Minas
Projetos na área de saneamento estão entre os que mais atraem o interesse do capital privado | Foto: Divulgação Copasa

Para construir um futuro próspero e sustentável – objetivo primordial do projeto Parceiros do Futuro, comandado pelo Diário do Comércio – Minas Gerais, assim como o Brasil, precisa de investimentos para resolver gargalos de infraestrutura graves e históricos que vão desde questões relativas à universalização dos serviços de saneamento básico, passando pela estrutura logística intermodal para o escoamento da produção agrícola e minerária até a desburocratização do Estado, infraestrutura digital e o fortalecimento do ambiente de negócios.

O Parceiros do Futuro é uma plataforma de debates e planejamento estratégico voltada a mapear soluções, desafios e oportunidades de desenvolvimento para Minas Gerais. O projeto reúne representantes do setor empresarial, instituições públicas e da academia para construir planos de ação e cenários futuros para o Estado.

A boa notícia trazida pelo Termômetro do GRI – Edição Especial Infra Minas GRI 2026 – estudo que reúne a percepção de investidores, executivos e líderes do setor sobre o cenário de infraestrutura e energia no Estado, publicado em junho, é que, além de propenso a compor com o poder público um esforço para destravar tais investimentos, o empresariado mineiro está menos suscetível às intempéries eleitorais de 2026 do que estava no ano passado. Quando perguntado sobre qual a posição estratégica da sua empresa em relação a novos investimentos locais, a resposta escolhida pela maioria foi:

  • Expansão moderada: mantendo ou ampliando investimentos de forma seletiva, com 44,44%, e
  • Expansão acelerada: aumentando significativamente a atuação e os aportes, com 28,89%.

Na outra ponta, “Recuo estratégico – reduzindo ou encerrando operações na região” e “Ajuste cauteloso – reduzindo gradualmente a presença ou investimentos” não tiveram nenhuma resposta.

Estes sinais revelam uma confiança que, segundo o managing director do GRI Infrastructure, Moisés Cona, tem a ver com as características geográficas e econômicas do Estado e também com o desenrolar do ajuste fiscal realizado pelas últimas gestões.

“O clima impacta a velocidade de decisão. Quando o cenário tem algum tipo de mudança, a opção é a observação. O capital é cauteloso e, nesse caso, de longo prazo, voltado para a infraestrutura. Minas Gerais tem particularidades históricas e dificuldades fiscais pelo porte do Estado. Esse era um ponto de muita preocupação para atrair o capital. O trabalho de mais disciplina fiscal das últimas administrações se destacou em nível nacional, inclusive trazendo a disposição para investir. A previsibilidade é uma preocupação desse investidor acostumado a trabalhar com diferentes ciclos políticos e econômicos”, explica Cona.

Urna eletrônica
Às vésperas das eleições de 2026, empresários defendem estabilidade institucional | Foto: Reprodução Adobe Stock

Isso justifica os resultados obtidos pela pergunta “considerando que 2026 é um ano eleitoral, qual deve ser a prioridade da agenda do próximo governo de Minas Gerais?”. Os respondentes podiam escolher até três opções. As mais votadas, em ordem decrescente, foram:

  • Criar um ambiente favorável à atração de capital privado e ao financiamento de longo prazo (63,04%)
  • Garantir previsibilidade institucional e segurança jurídica (54,35%)
  • Manter disciplina fiscal e capacidade de investimento do Estado (54,35%)
  • Fortalecer a capacidade técnica do poder público para estruturar concessões e PPPs (36,96%)
  • Acelerar projetos estruturantes de infraestrutura logística e energética (32,61%)
  • Modernizar processos de licenciamentos e autorizações (15,22%)
  • Promover coordenação regional entre o Estado e o Governo Federal (15,22%)
  • Incorporar resiliência climática como eixo central do planejamento de infraestrutura (13,04%)
  • Integrar política de infraestrutura com desenvolvimento industrial, agroexportador e urbano (6,52%)
  • Avançar na agenda de transição energética com viabilidade econômica (2,17%)

A lista revela um alinhamento com os pilares do projeto Parceiros do Futuro:

  • Diversificação econômica, com foco na redução da dependência do extrativismo e na agregação de valor às cadeias produtivas.
  • Tecnologia verde e regeneração, estimulando inovação, sustentabilidade e a produção de bens e serviços de maior valor agregado.
  • Desenvolvimento equilibrado, promovendo a integração entre setor produtivo, poder público, academia e sociedade civil para ampliar a geração de riqueza e sua distribuição.

porém, ainda revela inconsistências como a distância entre o quarto lugar para “acelerar projetos estruturantes de infraestrutura logística e energética” (com 32,61%) e o décimo lugar para “avançar na agenda de transição energética com viabilidade econômica” (apenas com 2,17%).

“Os itens mais citados estão ligados à construção de um ambiente favorável para o financiamento, previsibilidade e segurança, que é o básico para que o investidor olhe para esses projetos. Os demais itens eu considero que estão em uma etapa do capital: uma vez que se sente seguro, existe um framework para investir com condições de retorno. Em um segundo momento, ele passa a olhar a alocação do capital, as condições para investir em projetos estratégicos. O capital privado busca projetos que já estejam desenhados e não apenas ‘ideias’. Por isso, quando ele se interessa por logística intermodal, ele pensa em estruturas que já estão prontas e não em que precisam ser construídas como ferrovias e hidrovias”, analisa.

Saneamento e logística são os principais segmentos para investimentos da iniciativa privada em infraestrutura no Estado

O Termômetro do GRI – Edição Especial Infra Minas GRI 2026 – perguntou aos empresários mineiros: “Na sua avaliação, quais segmentos de infraestrutura e energia oferecem maior potencial de investimentos em Minas Gerais nos próximos anos?”. Cada um poderia assinalar até três opções, e os resultados foram:

  • Saneamento básico e infraestrutura hídrica (76,09%)
  • Rodovias e logística intermodal (52,17%)
  • Mineração sustentável e cadeia de minerais críticos (34,78%)
  • Resíduos sólidos (26,09%)
  • Infraestrutura social (26,09%)
  • Data centers, conectividade e infraestrutura digital (23,91%)
  • Mobilidade urbana (13,04%)
  • Ferrovias (10,87%)
  • Energia – distribuição (10,87%)
  • Energia – armazenamento (8,7%)
  • Energia – transmissão (6,52%)
  • Energia – geração (4,35%)
  • Iluminação pública (4,35%)
  • Aeroportos (2,17%)
  • Hidrovias (0,0%)

As escolhas são compatíveis com as missões defendidas pelo projeto Parceiros do Futuro:

  • Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação
  • Economia verde, circular e transição energética
  • Potência agroindustrial e agropecuária
  • Estado desburocratizado e fortalecimento do ambiente de negócios
  • Turismo, infraestrutura e valorização regional

“No ano passado tivemos destaque sobre riscos eleitorais e continuidade de políticas públicas, porque existiam pautas ainda em estruturação e sem clareza sobre o seu desenvolvimento, como a desestatização da Copasa, por exemplo. O temor de descontinuidade é menor; isso trouxe novos desafios porque agora temos prazos que precisam ser cumpridos. A universalização do saneamento ficou mais premente. Agora temos um crescimento na preocupação sobre a capacidade técnica de cada projeto. Um só projeto não é escalável, é necessário ter uma carteira de projetos para formar a decisão”, alerta o managing director do GRI Infrastructure.

Sobre o autor

Daniela Maciel

Repórter do Diário do Comércio desde 2011. Graduada em Jornalismo pelo UniBH e em História pela UFMG.

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