Espaço para boas notícias

Petrobras pretende ampliar os investimentos em refino para reduzir a dependência brasileira de derivados importados, sobretudo o óleo diesel
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Crédito: Jorge Silva / Reuters

Decisões equivocadas, em certa medida criminosamente equivocadas tendo em conta que atingiram interesses estratégicos do país, levaram a Petrobras a reduzir investimentos em refino e ao extremo de privatizar unidades em produção. Por conta delas o país, hoje detentor de reservas de peso global na indústria do petróleo e com produção de óleo bruto que representa mais que o dobro das necessidades de consumo interno, prossegue curvado à dependência da importação de refinados líquidos, em especial óleo diesel. Precisamente o combustível que movimenta a frota de caminhões que responde por quase 70% das cargas transportadas internamente. Tudo isso com impacto muito negativo na economia e nos negócios, além de provocar alta de preços que a todos alcança.

Eis a precisa medida da importância de anúncio feito esta semana pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo ela a estatal definiu no seu plano de negócios para o próximo quinquênio – 2027-2031 – elevação dos investimentos no parque de refino para assim ampliar a participação da produção nacional no consumo doméstico, especialmente do óleo diesel. Investimentos bastantes para permitir que tal participação salte dos atuais 70% para 90%. Na mesma ocasião, foi confirmado o otimismo com relação às perspectivas das reservas de óleo e gás já identificadas na Foz do Amazonas, na costa do Amapá. Feita a delimitação dos blocos, tarefa próxima de ser cumprida, será possível saber se as novas fronteiras de exploração garantirão que a produção prossiga em alta mesmo com o previsto declínio do volume extraído na região do pré-sal.

São, todas elas, notícias que chegam em boa hora, consideradas as tensões no mercado internacional mais uma vez geradas a partir do Oriente Médio, especificamente por conta do conflito que envolve o Irã, de um lado, Estados Unidos e Israel de outro. Boas notícias que também colocam a Petrobras em condições de rever sua política de preços para derivados de petróleo no mercado interno, com abandono do nunca bem explicado alinhamento aos preços do mercado internacional. O Brasil, à custa de muitos sacrifícios e enormes investimentos, alcançou a autossuficiência precisamente para escapar da dependência e das manipulações próprias do mercado internacional do petróleo, hoje – e como está dito acima – praticamente restrita aos 30% do óleo diesel que ainda vêm de fora.

E sem esquecer também que inflado pelas guerras, o preço do barril de petróleo no mercado internacional rompeu a barreira dos U$ 100, mas, extraído no mar territorial brasileiro custa à Petrobras menos que a décima parte desse valor. Eis tudo que interessa saber para que sejam tomadas decisões mais consequentes.

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