A missão que levou o espaço brasileiro para perto do mercado europeu
Terminou na sexta-feira, 18 de setembro, a Missão Europeia de Cooperação e Inovação Espacial organizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo UNOOSA, o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior. Em três semanas, uma delegação de cerca de 15 representantes de governo, indústria espacial, parques tecnológicos e fundos de investimento cumpriu agenda em Munique, Viena, Tallinn, Haia e Noordwijk.
Dentre as empresas participantes, estavam as mineiras Bioflore, que desenvolve tecnologias para gestão, mensuração e monitoramento de ativos ambientais, transformando a vegetação nativa e ecossistemas ambientais e Concert Space que é a unidade do grupo Concert Technologies focada em desenvolvimento de sistemas que ancoram as operações de preparo, lançamento e rastreio no Programa Espacial Brasileiro.
O propósito foi definido de forma direta por Leila Fonseca, coordenadora de Estudos Estratégicos e Novos Negócios da AEB: “Com esta missão, a Agência Espacial Brasileira (AEB) busca impulsionar a internacionalização das empresas brasileiras e abrir oportunidades de parceria com instituições e empresas europeias para desenvolver tecnologias e gerar inovação no setor espacial.” Mais do que tecnologia de lançamento, o que está em jogo é a capacidade das empresas de ocupar mercado, e esse foi o fio condutor de toda a agenda europeia.

Em Munique, o ecossistema bávaro exibiu a engrenagem completa: incubação no ESA BIC Bavaria, pesquisa aplicada no DLR e startups como a OroraTech, que converteu dados de satélite em serviço de detecção de incêndios florestais. Em Viena, a Áustria mostrou que política espacial eficaz não exige uma nova agência: o ministério formula, a agência nacional de fomento à pesquisa (FFG) executa os programas e um centro de dados em parceria público-privada sustenta a observação da Terra. Em Tallinn, a Estônia provou o que um país de 1,3 milhão de habitantes constrói com Estado digital, regulação clara e empresas voltadas à exportação. Na Holanda, o ESA Industry Space Days, no centro técnico da Agência Espacial Europeia, colocou empresas brasileiras frente a frente com a cadeia de fornecedores do continente.
Três lições se repetem nos quatro países. A primeira: o valor da economia espacial está cada vez mais na aplicação do dado do que no hardware em órbita. A segunda: instrumentos de fomento à inovação já existentes podem abrigar o espaço, sem estruturas paralelas. A terceira: internacionalização é resultado de preparo, com empresa catalogada, produto maduro e plano de entrada em mercado.
Para Minas Gerais, a leitura é prática. Não é preciso fabricar satélites para entrar nessa cadeia. Sensoriamento remoto para agropecuária e mineração, monitoramento de barragens e de cobertura vegetal, rastreabilidade logística e conectividade em áreas remotas são economia espacial e dialogam com linhas de FINEP, FAPEMIG e BNDES já disponíveis.
A próxima vitrine já tem data: o Congresso Internacional de Astronáutica, em Antalya, na Turquia, de 5 a 9 de outubro, onde a AEB levará empresas brasileiras ao seu pavilhão institucional. Missões valem pelo que sobra quando os voos terminam. A pergunta, agora, é: quantas empresas estarão prontas para aproveitar as portas que foram abertas?
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