Café sem Filtro

Primeiro Campeonato de Home Baristas tem campeão e café mineiros.

Grão selecionado para o 1º Campeonato Gaggia Home Barista vem de Pratinha, no Cerrado Mineiro
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Neste fim de semana, Campinas recebeu o 1º Campeonato Home Barista Gaggia Brasil 2026. Foram 16 participantes, todos apaixonados por café, reunidos em uma competição que colocou à prova a técnica, a precisão e o sabor.

O café escolhido para esta edição veio de Minas Gerais. Mais precisamente, de Pratinha, município que faz parte da Região do Cerrado Mineiro, uma das principais origens produtoras de cafés especiais do país.

O Cerrado Mineiro foi a primeira região produtora de café do Brasil a conquistar uma Denominação de Origem. São 55 municípios em uma área com características próprias de clima, altitude, solo e manejo. A combinação desses fatores ajuda a construir uma identidade sensorial reconhecida para os cafés da região, tradicionalmente associados a aromas intensos, notas de caramelo e nozes, acidez delicadamente cítrica e sabor achocolatado.

Pratinha (MG) está justamente dentro desse território. E há algo muito interessante nessa escolha: colocar o café de uma cidade mineira relativamente pequena no centro de uma competição nacional (com a promessa de se tornar um campeonato mundial) ajuda a lembrar que a qualidade do café brasileiro não nasce nas máquinas de espresso ou na preparação de um café frutado. Ela começa muito antes: na lavoura, na escolha da variedade, no cuidado com a maturação, na colheita e no pós-colheita. Depois, passa pela classificação e pela torra, até chegar às mãos de quem prepara. Cada etapa acrescenta ou preserva características que podem aparecer na xícara.

Moagem, dose, distribuição, compactação, temperatura, tempo e rendimento foram as ferramentas usadas para revelar diferentes possibilidades durante os 12 minutos de cada duelo. O mesmo café, produzido na Região do Cerrado Mineiro, foi entregue a todos os competidores. O que resultou em preparos distintos para os jurados foi a maneira como cada participante interpretou o grão. O desafio do home barista foi entender o que aquele café tinha a oferecer e encontrar a melhor forma de expressá-lo em cada xícara.

Essa é uma mudança importante na cultura do café em casa. Durante muito tempo, preparar espresso era visto principalmente como apertar um botão ou reproduzir uma bebida de cafeteria. Hoje, cada vez mais consumidores querem entender o grão, experimentar regulagens, estudar a extração e perceber como pequenas mudanças podem alterar o resultado.

É justamente essa cultura que o campeonato coloca em evidência. E, ao escolher um café de Pratinha, o evento também coloca o território mineiro no centro da conversa.

E, para fechar com chave de ouro, foi um orgulho acompanhar a conquista do primeiro lugar por David Yang, home barista da Região Vulcânica de Minas.

No fim das contas, uma competição de home baristas pode parecer uma disputa entre máquinas, moinhos e técnicas. Mas, olhando com mais atenção, ela também é uma celebração de tudo o que acontece antes de o café chegar à bancada.

Porque, quando alguém encontra a melhor maneira de extrair aquele espresso, não está trabalhando apenas com água, pressão e temperatura. Está tentando traduzir, em poucos segundos, o trabalho de uma cadeia inteira, que começou muitos quilômetros dali.

E talvez essa seja uma das melhores formas de entender o café especial: a técnica pode mudar a extração, mas a história começa na origem.

Campeonato de Home Baristas
Foto: Reprodução Instagram @gaggiabrasil / Imagem tratada por IA

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Sobre o autor

Juliane Maciel

Diretora executiva na Loop Vídeo, diretora de negócios na Oitenta Café, sócia na Oliva Comunicação, embaixadora do Capitalismo Consciente, conselheira consultiva, articulista no OCI, colunista no Diário do Comércio e entusiasta do mundo dos cafés.

Sobre o autor

Daniel Alves

Empresário, diretor de fotografia, coffee hunter, especialista em cafés e barista.

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