Giro pelo mundo

Do paradoxo brasileiro

Mesmo com muito para se orgulhar, brasileiro ainda sofre com o chamado "complexo de vira-lata"
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Nas minhas andanças pelo mundo, nunca achei um povo falando mal de si como nós, os brasileiros. Impressionante. E nestes dias, às vésperas das eleições, essa autocrítica se torna uma angústia turbinada por todos os meios digitais e outros, uma desesperança, uma apatia e um país sem rumo. Tudo é ruim, nada me interessa, não quero saber.

De repente, vem à memoria um Brazil, com z mesmo, que me foi apresentado e ainda me vem hoje em dia, diferente. Não sem defeitos ou perspectivas de melhora, mas um país admirado, respeitado. Começa pelo povo. Nunca ouvi um gringo dizer que brasileiro não é educado, simpático, prestativo. Claro, do seu jeito, porque brasileiro não é prussiano, mas é brasileiro. Vejo só o carnaval, onde nos desfiles de escolas de samba se reúnem algumas milhares de pessoas, utilizando tecnologias mais avançadas, mas com músicas, visual e ritmo inigualáveis. E com uma disciplina, organização, beleza, incomparáveis. Nem guardas reais do Rei da Inglaterra são tão disciplinados, organizados e não possuem a beleza de nossas escolas de samba. E o carnaval em Pernambuco, Bahia, blocos em Belo Horizonte, milhões de pessoas, numa organização de fazer inveja.

A cultura brasileira é o estandarte da brasilidade. Música, desde Villa Lobos, na clássica, até Chico Buarque, Sérgio Mendes, Bossa Nova, Carmen Miranda, Gilberto Gil e mais e mais. Sepultura. Corpo na dança. Literatura, Jorge Amado, Clarice Lispector, Paulo Coelho. Artes plásticas como Segall, Tarsila de Amaral, Portinari, Vik Muniz, Eduardo Kobra. As listas são intermináveis.
A construção de Brasília, com o trio Niemeyer, Lúcio Costa e Burle Marx. Criaram não uma cidade, mas um estilo, uma escola de arquitetura e urbanismo respeitada, como também Jayme Lerner em Curitiba, e seguido pelo mundo afora.

O Rei Pelé e sua geração de futebol, ninguém esquece. Aí, a coisa fica um pouco mais complicada, porque mesmo que alguns jogadores continuem sendo referência no futebol mundial, o país com sua seleção ficou para trás. Mas, avançou no atletismo, onde a corrida de São Silvestre com 101 anos, é uma marca. O recente recordista mundial de 400 m com barreiras, Allison dos Santos, cravou a bandeira brasileira na disciplina maior do atletismo. E mais medalhas na ginástica olímpica, vôlei e até nos Jogos Olímpicos de Inverno.

O primeiro avião foi inventado por Santos Dumont, mas hoje tem a Embraer, tem o co-fundador da Microsoft, Severin, da Kalshi, empresa de previsão, Luana Lara, e mais tantos empreendedores e empresários de nível mundial como JBS, ABN, Suzano, Weg. Cientistas como Oswaldo Cruz, César Lattes e o Instituto Butantã. E sem esquecer Inhotim, referência mundial em arte contemporânea.

Isso e mais milhares de outros exemplos, de pessoas, de fatos e atos, também fazem parte de um Brasil que fica. Que as pessoas lá fora, além de tantas belezas naturais do país, conhecem, respeitam e admiram. Num quiz íntimo, você se perguntando, quanto eu conheço desse Brasil admirado lá fora, você respoderia o quê ao seu amigo gringo?

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Sobre o autor

Stefan Salej

Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), empresário, analista da política internacional e presidente da Slovenian Global Business Network.

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