Despesa pública em Minas Gerais passa de R$ 100 bilhões em 2026

O Estado alcançou essa marca de despesas em outubro deste ano, quase um mês antes do que em 2025
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Despesa pública em Minas Gerais passa de R$ 100 bilhões em 2026
A despesa primária do governo do Estado corresponde a 22,9% da região Sudeste | Foto: Gil Leonardi / Imprensa-MG

A despesa pública primária de Minas Gerais atingiu o patamar de R$ 100,3 bilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. Em 2025, Minas Gerais encerrou o ano com R$ 122,9 bilhões em despesas primárias, excluídas as transferências. Naquele ano, o Estado levou 307 dias para atingir a marca de R$ 100 bilhões, o que só aconteceu no início de novembro. Em 2026, a mesma marca foi alcançada em outubro, quase um mês antes. No acumulado dos três primeiros bimestres, a despesa mineira cresceu 15,1% na comparação com o mesmo período de 2025, acima da média dos estados brasileiros, de 14,2%.

O coordenador da plataforma Gasto Brasil, Cláudio Queiroz, explica que, ao se considerar uma população de 20,5 milhões de habitantes no Estado e a despesa realizada até agora, Minas registra cerca de R$ 4,9 mil per capita. O conjunto dos estados brasileiros soma R$ 1,18 trilhão em despesas primárias, o equivalente a R$ 5,5 mil por habitante. “A despesa per capita mineira está, portanto, cerca de 11% abaixo da média dos estados. Mas o principal problema não é quanto o Estado gasta e sim se esse gasto é sustentável e se ele representa benefícios concretos para a população”, pondera.

Na opinião de Cláudio Queiroz, o Estado precisa reduzir despesas ineficientes, estruturas redundantes, desperdícios, contratos mal dimensionados e programas que não entregam resultados. Por outro lado, ele alerta que não seria adequado cortar indiscriminadamente despesas com saúde, educação, segurança ou investimentos capazes de ampliar a produtividade e o crescimento econômico. “Minas Gerais não precisa simplesmente gastar menos; precisa controlar o crescimento das despesas e gastar melhor. O ajuste deve atingir o gasto ineficiente, e não os serviços essenciais e os investimentos estratégicos”, pontua.

Na comparação feita por Queiroz, a despesa primária de Minas Gerais corresponde a 21,6% do total da região Sudeste, cujos estados já somam R$ 464 bilhões em despesas. No acumulado dos três primeiros bimestres, Minas tem o segundo menor crescimento da região (15,1%), abaixo do Rio de Janeiro (21,2%) e de São Paulo (15,9%) e acima apenas do Espírito Santo.

Para Cláudio Queiroz, se o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, último ano com dados estaduais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), for tomado como referência, a despesa realizada até agora equivale a 10,9% do PIB mineiro. É a segunda maior proporção do Sudeste, atrás apenas do Espírito Santo (11,8%). “Entre as 27 unidades da federação, Minas tem a quinta menor proporção. Como o denominador é o PIB nominal de 2023, a razão tende a estar superestimada em relação ao PIB corrente”, assinala o especialista.

De acordo com Queiroz, em Minas Gerais, os investimentos cresceram 82,1%, as despesas com pessoal e encargos sociais, 8,1%, e as outras despesas correntes, 16,7%. No conjunto dos estados, os percentuais foram de 39,9%, 13,1% e 8,2%, respectivamente. “Até o início do quarto bimestre de 2026, o estado registra superávit primário de R$ 281 milhões. Contudo, desconsideradas as receitas de transferências, o resultado primário passa a ser deficitário”, afirma.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.


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