Economia

EXCLUSIVO: Mineradora Jaguar Mining planeja investir até US$ 190 milhões em Minas Gerais em cinco anos

Os investimentos são parte do robusto plano de crescimento da empresa, que visa se tornar uma produtora de ouro de médio porte
EXCLUSIVO: Mineradora Jaguar Mining planeja investir até US$ 190 milhões em Minas Gerais em cinco anos
Plano de investimento da Jaguar compreende aporte em operações no Estado | Foto: Divulgação Jaguar Mining

Como parte de um plano de expansão acelerado para se tornar uma produtora de médio porte, impulsionado pela alta do ouro, a Jaguar Mining, mineradora listada no Canadá, pretende investir entre US$ 170 milhões e US$ 190 milhões em Minas Gerais até 2030.

Os recursos serão destinados à preparação de minas já existentes da empresa no Quadrilátero Ferrífero para ampliar os volumes de produção, ao desenvolvimento de novas áreas de deposição de rejeitos e estéreis, à exploração de alvos minerais e à implementação do Projeto Onças de Pitangui, que abrange a construção de uma mina em Pitangui, com previsão de começar a extração de minério no segundo semestre de 2027.

As informações foram reveladas pelo CEO Luis Albano Tondo em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio. No cargo desde agosto de 2025, o executivo busca replicar na Jaguar o sucesso da Kinross Gold com a expansão da mina Morro de Ouro, em Paracatu, no Noroeste de Minas, em meados dos anos 2000, onde atuava como diretor de desenvolvimento de projetos.

Segundo ele, a ideia é que a empresa avance rapidamente de pequena para média produtora de ouro, e quiçá, no futuro, se transforme em uma grande do setor, a exemplo da companhia para a qual contribuiu anteriormente. Para isso, a estratégia de crescimento está baseada em três pilares, sendo os dois primeiros atrelados aos investimentos no Estado:

  • maximizar ativos e recursos principais
  • alavancar o portfólio de exploração
  • buscar oportunidades estratégicas

Empresa visa ampliar produção para até 120 mil onças de ouro por ano

Ao detalhar as diretrizes, Albano afirma que a Jaguar buscará extrair ao máximo o potencial das minas e plantas de processamento que possui para elevar a produção anual de 40 mil para até 120 mil onças de ouro em cinco anos. Ainda realizará, no período, um amplo programa de exploração no Quadrilátero Ferrífero, com 220 mil metros de sondagem, capaz de identificar até oito milhões de onças, triplicando também os recursos atuais.

Atualmente, a mineradora é dona de três complexos em Minas Gerais, todos formados por uma mina subterrânea e uma unidade de processamento. São eles: Complexo de Caeté (mina Pilar e planta de Caeté); Complexo MTL (mina de Turmalina e planta de Turmalina); e Complexo Paciência (mina Santa Isabel e planta de Paciência).

No ano passado, apenas o de Caeté estava em funcionamento. Entretanto, em março deste ano, a empresa retomou as atividades do MTL, após ficarem suspensas desde dezembro de 2024 em decorrência de deslizamento em uma pilha de rejeitos e estéreis. Além disso, no segundo semestre, voltará a extrair ouro na mina Santa Isabel, paralisada em 2012, inicialmente transportando o produto para a planta de Turmalina processar.

De acordo com o CEO, a planta de Paciência precisa passar por reforma para voltar a operar. A decisão de reativá-la, porém, deve ser tomada apenas no próximo ano, caso as sondagens indiquem níveis de reservas que justifiquem o aporte.

Tanto a planta de Turmalina quanto a de Caeté estão funcionando com pelo menos 40% de ociosidade. A título de exemplo, a última unidade processou 370 mil toneladas de minério em 2025, mas está licenciada para ser alimentada com 680 mil.

Jaguar ainda mantém área relevante de direitos minerários inexplorada

Conforme o executivo, as minas são o gargalo que limita o aproveitamento das unidades de processamento da Jaguar Mining. Portanto, é necessário encontrar novas jazidas, idealmente próximas às plantas, para reduzir a ociosidade e, consequentemente, ampliar a produção, inclusive, para além do volume já projetado de 120 mil onças anuais.

Apesar de ter mais de duas décadas, a empresa, dona de 46,6 mil hectares de direitos minerários no Quadrilátero Ferrífero, ainda mantém uma área relevante inexplorada, em parte pela ausência de um programa sistemático de sondagem. “Temos uma baita oportunidade de exploração, que ficou todos esses anos dormente”, destaca Albano.

Nova mina é essencial para a expansão da empresa

A mina do Projeto Onças de Pitangui é considerada fundamental para a expansão da Jaguar, porque em plena capacidade adicionará 42 mil onças de ouro à produção anual da empresa. Neste momento, a unidade passa pela fase de licenciamento ambiental, com expectativa de que a licença de instalação seja aprovada ainda no segundo semestre de 2026.

Segundo o CEO, a nova mina ficará localizada a aproximadamente 30 quilômetros da planta de Turmalina. Com isso, deverá ocupar a capacidade ociosa da unidade de processamento, além de eliminar a necessidade de construir uma nova planta. “Isso reduz o nível de investimento para implementar um projeto como esse”, afirma.

Mineradora avalia oportunidades de aquisição de projetos no Brasil e no exterior

Para crescer ainda mais e superar, no mínimo, a faixa de 220 mil onças de ouro produzidas anualmente, a Jaguar pretende adquirir ativos. Albano revela que estão sendo avaliadas opções em Minas Gerais, Pará, Mato Grosso e Tocantins, além do Chile, Peru e Estados Unidos. De acordo com ele, provavelmente a aquisição não envolverá ativos no Estado.

O executivo afirma que quatro acordos de confidencialidade já foram fechados e a mineradora está atuando no processo de diligência prévia, com expectativa de anunciar uma compra neste ano. O CEO ressalta que a busca é por projetos que sejam capazes de adicionar ao menos 100 mil onças de ouro à produção anual da empresa.

Ele explica que a Jaguar Mining deseja adquirir projetos que estejam quase prontos, com recursos identificados, parte da engenharia feita e trâmites de licenciamento iniciados, para que dê continuidade no desenvolvimento e na construção. Mas também poderá comprar mais um ativo, menos avançado, que demande mais exploração, contanto que tenha alguns recursos pré-definidos e potencial de crescimento para chegar a 100 mil onças/ano.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas