Economia

Indústria mineira busca aumentar competitividade para se beneficiar do acordo Mercosul-EU

Estado de Minas Gerais, principal exportador para o bloco europeu, planeja diversificar exportações e fortalecer setor industrial
Indústria mineira busca aumentar competitividade para se beneficiar do acordo Mercosul-EU
Foto: Divulgação Sindaport

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrará em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1º de maio, quando os dois blocos poderão realizar transações com benefícios mútuos, como condições mais equilibradas em tarifas e ajustes em possíveis barreiras de exportações e importações.

A indústria mineira quer ampliar as oportunidades com o acordo. Minas Gerais é o estado brasileiro com maior superávit comercial com o bloco europeu, com saldo de US$ 4 bilhões em 2025, além de ter a União Europeia como seu segundo maior parceiro comercial.

De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Estado concentra cerca de 15% de todas as exportações brasileiras destinadas à União Europeia em 2025, o que reforça a relevância estratégica de Minas na relação comercial entre o Brasil e o Velho Mundo. A avaliação é de que o acordo pode impulsionar ainda mais esse desempenho, abrindo espaço para a diversificação da pauta exportadora e a ampliação da participação de produtos industrializados.

Acesso

Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, a expectativa da entidade e do empresariado mineiro é que o segmento tenha um caminho simplificado para acessar o novo bloco, gerando novas oportunidades. E diversificar é essencial para atender aos anseios do mercado consumidor europeu.

“Um dos impactos que a gente espera com esse acordo é justamente que a indústria consiga acessar mais facilmente o mercado da União Europeia e que amplie sua presença. A diversificação da nossa pauta é importante porque, apesar de a União Europeia ser um mercado muito expressivo, nosso segundo parceiro comercial, só atrás da China, é fundamental que tenhamos essa diversificação. E com o acordo, isso tende a acontecer”, disse.

Verônica afirmou que, além da diversificação, tornar a indústria mineira competitiva é um ponto vital. Algumas pautas do segmento no Estado e no País são consideradas prioritárias para que haja condições reais de competir em mercados internacionais, como uma reforma tributária que alivie o setor e uma política monetária com juros menos corrosivos ao capital das empresas.

Adequações também serão exigidas da indústria como um todo. O respeito às regulamentações sociais, ambientais e econômicas para produzir e exportar deverá estar no horizonte de quem busca entrar e comercializar dentro do bloco.

“A indústria mineira vai estar mais exposta à concorrência da produção da União Europeia aqui. Então, temos a preocupação em melhorar a competitividade, em fortalecer e modernizar a produção. Temos feito orientações, capacitando, elaborando levantamentos e estudos, justamente para auxiliar as empresas com informações sobre as exigências regulatórias, como ambientais e sanitárias, porque é um mercado muito exigente”, comenta a coordenadora.

Segmentos prontos

No cenário nacional, o estudo da Fiemg identificou cerca de 11 bilhões de euros em produtos imediatamente beneficiados pelo acordo, com base no que o bloco importou do Brasil em 2025, com ganhos associados à expansão do comércio exterior, além de aumento da produtividade e maior integração às cadeias globais de valor.

Em Minas, alguns setores já estão “prontos” para encarar o desafio internacional de imediato. No entanto, há partes da indústria do Estado que ainda terão um caminho mais longo para embarcar na aventura europeia.

“Os segmentos com potencial para atingir o bloco de imediato são os que já exportam, alguns inclusive já têm tarifa zerada, independentemente do acordo. Portanto, petróleo, café e minério saem na frente. Mas também há produtos que terão isenção imediata ou redução tarifária mais rápida e que são produzidos em Minas, como couro, café solúvel, rochas ornamentais e algumas autopeças”, afirma Verônica Winter, da Fiemg.

“Minas Gerais já tem uma relação comercial relevante com a União Europeia, sobretudo em commodities agrícolas, minerais e insumos industriais. A oportunidade agora é avançar na diversificação das exportações e aumentar a participação de produtos industrializados, garantindo maior valor agregado e competitividade internacional”, completa.

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