Economia

Emprego formal em Minas registra o melhor resultado em 13 meses

Desempenho foi impulsionado pela recuperação do comércio, que reverteu o saldo negativo, somado ao salto expressivo de 200% na agropecuária
Emprego formal em Minas registra o melhor resultado em 13 meses
No acumulado do primeiro trimestre, foram geradas 70.625 vagas formais no Estado | Foto: Reprodução Adobe Stock

Minas Gerais encerrou o mês de março com saldo positivo de 38.845 empregos formais, o melhor resultado em 13 meses. O desempenho foi impulsionado pela recuperação do comércio, que reverteu o saldo negativo de 126 postos em fevereiro para 3,7 mil no último mês, somado ao salto expressivo de 200% na agropecuária.

Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quarta-feira (29), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ao todo, o Estado contabilizou em março 274.365 admissões e 235.520 desligamentos. No acumulado do primeiro trimestre, o saldo acumula desempenho positivo de 70.625 postos, com resultados favoráveis em todos os três meses.

Na comparação com março de 2025 (18.405), o desempenho no saldo de empregabilidade chega a ser 111% superior. O avanço, no entanto, pode ser explicado pelo efeito calendário, já que o Carnaval do ano passado ocorreu em março, reduzindo os dias úteis e consequentemente as contratações no mês.

Único setor com variação negativa em fevereiro (-126), o Comércio reverteu a queda e chegou ao saldo de 3.752 empregos formais com carteira assinada. Com esse resultado, todos os cinco setores analisados apresentaram desempenho positivo, liderados pelos Serviços, que chegou a 17.865 postos, cerca de 45% do total).

Em seguida, a agropecuária também registrou crescimento, passando de assou de 3.237 em fevereiro para para 9.722 em março. Além de apresentar o segundo maior saldo absoluto, a categoria obteve a menor permanência média dos desligados (16,9 meses), indicando alta rotatividade sazonal.

A Construção Civil também acelerou no último mês, dobrando o saldo frente a fevereiro (de 1.923 para 4.176). A Indústria, embora tenha apresentado menor crescimento que as outras categorias, também avançou, saltando de 1.718 postos formais para 3.331.

O economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Paulo Casaca, explica que esse movimento de recuperação de março com relação aos meses anteriores é majoritariamente de caráter sazonal. Segundo ele, o início do ano normalmente concentra mais demissões no comércio com o fim do fôlego de fim de ano, e em seguida, volta a registrar crescimento. “Agora, os setores começam a se programar para os próximos meses, tanto o comércio quanto indústria, e gera essa recuperação”, afirma.

Com economia próxima do limite, emprego caminha para estabilidade

No entanto, Casaca ressalta que a evolução deve seguir de forma pontual. Ele observa que 2024 e 2025 foram anos de forte dinamismo no mercado de trabalho, e quando a economia atinge níveis mais baixos de desemprego, tende a se aproximar do potencial, com a capacidade produtiva operando próxima do limite.

“Nesse contexto, há menor margem para avanços acelerados. Além disso, não há um contingente significativo de mão de obra disponível, nem ociosidade relevante nas empresas. Por isso, é natural observar um movimento de estabilização nas contratações”, argumenta.

Outra pressão sobre os segmentos pode agravar o desempenho do mercado de trabalho em Minas Gerais: o cenário adverso em decorrência da guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel. Segundo Casaca, o conflito já pressiona os preços dos combustíveis, com reflexos inflacionários. Esse movimento tende a encarecer itens básicos, como alimentos e transporte, gerando um efeito dominó sobre a economia e impactando a dinâmica do emprego.

Em decorrência disso, as expectativas são cautelosas para os próximos meses. “Se o conflito se intensificar nas próximas semanas e pressionar ainda mais os preços dos combustíveis, pode haver um novo repique da inflação. Esse movimento tende a prejudicar a economia como um todo, com impactos sobre o mercado de trabalho, como redução de contratações, aumento de demissões e retração dos investimentos”, finaliza.

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