Granja mineira conquista certificação inédita de bem-estar animal na suinocultura brasileira
A adoção de práticas que promovam o bem-estar na criação dos suínos contribui para os ganhos de produtividade em todas as fases da produção. Diante de um mercado mais exigente, produtores estão investindo em formas de tornar a produção mais responsável e alinhada às melhores práticas da suinocultura. Em Minas Gerais, a Auma Agronegócios, com sede em Patos de Minas, foi a primeira granja de suínos do Brasil a conquistar a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem.
O reconhecimento abrange todas as fases de produção, desde a gestação, maternidade, creche até a terminação. Para a conquista da certificação, foi avaliado todo o sistema produtivo, incluindo ambiência, sanidade, enriquecimento ambiental, alimentação, práticas de manejo e gestão operacional. O selo tem validade de um ano.
Conforme o CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, a certificação é mais um passo que reafirma o compromisso da empresa em realizar uma produção cada vez mais responsável e alinhada às melhores práticas da suinocultura. O selo é uma validação das práticas adotadas e contribui para ampliar a disciplina e a padronização dos processos de manejo, ambiência, sanidade e gestão.
A expectativa com o selo é fortalecer o posicionamento da companhia frente aos clientes e parceiros que valorizam cadeias produtivas mais transparentes e sustentáveis, ao mesmo tempo em que estimula internamente a melhoria contínua e o engajamento das equipes.
“O bem-estar animal é um pilar fundamental dentro da nossa estratégia, pois está diretamente ligado à sustentabilidade, à eficiência produtiva, ao cuidado com os animais e à qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor. Receber esse reconhecimento mostra que estamos no caminho certo e fortalece nossa visão de longo prazo para o setor”, explicou.
O processo estruturado de implementação das práticas na Auma Agronegócios começou em 2022 e contou com apoio técnico especializado. Além do sistema produtivo, também foram considerados todos os ecossistemas que envolvem animais, colaboradores e meio ambiente.
Mercado já reconhece diferencial do bem-estar animal
O diretor executivo da Produtor do Bem, José Rodolfo Ciocca, explica que o mercado já vem reconhecendo o diferencial dos cuidados com o bem-estar animal, mas é um movimento ainda inicial.
“O mercado vem, gradualmente, reconhecendo as práticas relacionadas ao bem-estar animal, especialmente entre grandes redes varejistas, a indústria e consumidores mais atentos à origem dos alimentos. Esse movimento ainda não é homogêneo no País nem entre as diferentes espécies de produção. Ele teve início mais evidente no setor de ovos e, progressivamente, vem se expandindo para outras cadeias, principalmente a de suínos. Ainda assim, já se traduz em diferenciação competitiva e em acesso a mercados mais exigentes, inclusive no âmbito internacional”.
Ainda conforme Ciocca, entre os retornos para os produtores que investem no bem-estar animal está a agregação de valor, apesar dela ainda variar bastante conforme o canal de comercialização, o nível de certificação e o posicionamento da marca. “Não há uma porcentagem única consolidada, mas, em geral, produtos certificados tendem a acessar nichos premium e podem capturar margens superiores, especialmente quando associados a atributos como rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade”.
Já dentro das granjas, o bem-estar animal reflete na produtividade e na qualidade dos produtos. Na Auma Agronegócios, conforme Ciocca, foram registrados ganhos como a redução de natimortos, a redução da mortalidade, a menor incidência de lesões e doenças, melhora na conversão alimentar e maior uniformidade dos lotes.
“Além disso, animais criados em melhores condições tendem a apresentar menor estresse, o que impacta positivamente a qualidade da carne. Também há ganhos operacionais, como maior padronização dos processos e melhor gestão da produção, o que contribui para eficiência e previsibilidade ajudando na gestão do negócio”, disse.
Desafio
A implantação das práticas de bem-estar animal tem como principal desafio a adaptação dos sistemas produtivos e a mudança de cultura, já que o bem-estar animal exige uma abordagem mais proativa de todos os envolvidos.
“Existem investimentos iniciais, que podem envolver adequações de infraestrutura. No entanto, a capacitação de equipes e a implementação de rotinas de monitoramento não são custosas e já respondem por uma parte significativa dos resultados. Ainda assim, esses custos variam de acordo com o nível de maturidade da operação. É importante destacar que o modelo de certificação multinível permite uma evolução gradual, respeitando a realidade de cada produtor. Com o tempo, os ganhos em eficiência produtiva e acesso a mercados tendem a compensar os investimentos realizados”, concluiu Ciocca.
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