EUA respondem por 1/4 do investimento estrangeiro no Brasil, e Minas é destino-chave para aportes
Os Estados Unidos (EUA), além de serem o principal destino da internacionalização de empresas brasileiras, também lideram o estoque de investimento estrangeiro no País, respondendo por aproximadamente 25% do total, segundo o CEO da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto.
Os investimentos do país norte-americano são disseminados pelo Brasil e diversificados em termos de setores, conforme ele. E Minas Gerais é um polo importante de atração desses aportes. O executivo destaca que o Estado reúne uma série de atrativos por ter uma força empresarial em várias áreas, como indústria, mineração, agronegócio, serviços e construção civil.
De acordo com Neto, os estadunidenses investem bastante no País, por exemplo, no segmento financeiro, em consultoria e em serviços profissionais, mas igualmente no segmento de máquinas e equipamentos, em insumos para agricultura e em tecnologia. O CEO acrescenta que as terras-raras brasileiras – cobiçadas por múltiplas nações – são uma nova fronteira que tem se aberto para o capital dos Estados Unidos.
E apesar do cenário de instabilidade geopolítica global e das tensões comerciais entre os dois países diante do “tarifaço”, o executivo afirma que o interesse histórico dos EUA pelo Brasil continua, assim como os aportes. Segundo ele, as decisões de investimento olham mais para o futuro do que para questões imediatas, permanecendo a visão de longo prazo dos norte-americanos de acreditar no potencial brasileiro.
Discussões entre governos podem determinar retomada de exportações
Se o horizonte de investimentos mostra resiliência, o comércio de curto prazo entre Brasil e Estados Unidos enfrenta problemas. Exemplo disso é que as exportações do País para os EUA recuaram 16,7% no primeiro quadrimestre de 2026, ante igual período de 2025, conforme dados do Comex Stat. A mesma situação acontece na relação Minas Gerais-EUA, visto que os embarques mineiros retraíram 21,5% nesta base de comparação.
“Essa queda está relacionada a dois fatores principais. Por um lado, as tarifas, que vinham até quase o final de fevereiro em um patamar muito elevado, foram reduzidas, mas seguem impactando as exportações para os Estados Unidos, especialmente no setor siderúrgico e outros setores que têm tarifas mais elevadas”, esclarece Neto.
“Por outro lado, há, por questões conjunturais, uma série de produtos que exportamos para os Estados Unidos sofrendo variações. Petróleo e derivados de petróleo são um bom exemplo de produtos que não são tarifados e não têm sobretaxas, mas cujas exportações caíram muito em razão de questões internas nos Estados Unidos, como o aumento da produção e da capacidade de refino deles”, complementa.
Na avaliação do CEO da Amcham Brasil, as negociações em andamento entre o governo federal e o governo norte-americano sobre as questões tarifárias serão determinantes para que ocorra ou não uma retomada das vendas brasileiras para os EUA.
Vale lembrar que, no início de maio, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram na Casa Branca para debater, entre outros assuntos, o tarifaço. Desde então, as discussões se intensificaram e, na última semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse que os países estão caminhando para um acordo.
Neto conversou com a reportagem durante evento de posse do novo conselho da Câmara Americana de Comércio Minas Gerais (Amcham MG). A solenidade, realizada na segunda-feira (25), na sede da regional mineira, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também comemorou os 25 anos de atuação da entidade no Estado.
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