Beijing, centro do mundo
Talvez é exagerado dizer que capital da China seja o centro geoeconômico do mundo. Mas o fato é que em alguns dias recebeu o presidente dos Estados Unidos e o presidente da Federação Russa. Ou seja, o presidente da China Xi Jinping teve conversas com os dois mandatários que junto com China formam o tripé geopolítico do mundo. Nas conversas, cujos conteúdos serão interpretados futuramente a partir de eventos que vão afetar o mundo e cada um de nós, houve uma constante inevitável nos dias de hoje: se o mundo não gira em torno da China do Xi, certamente o mundo não gira sem a China.
Do ponto de vista diplomático, não escapa o fato de os chineses não cancelarem a visita do presidente Trump no meio de hostilidades bélicas com o Irã. E nem Trump cancelou a visita, a primeira em muitos anos de um presidente americano. Tinha pauta estratégica do comércio, inclusive tarifas, mas principalmente a da evolução tecnológica e seus componentes, como chips e desenvolvimento de IA. A visita não produziu acordos comerciais, mas certamente foram esclarecidas posições mútuas nos conflitos da Ucrânia, Gaza, Irã, Líbano e na África. E não devemos esquecer a Venezuela e Cuba, onde a China tem interesses específicos. A coisa mais concreta neste capítulo foi a declaração do Trump, que vai rever a venda de equipamentos militares sofisticados a Taiwan, de cuja soberania a China declarou mais uma vez, não abre mão. A pergunta que fica é, vamos deixar Taiwan como está, mas na América Latina as intervenções americanas não serão contestadas?
Putin, camarada irmão de Xi, que também veio com pesos pesados de seu círculo político e econômico (Trump foi acompanhado pelos mais importantes empreendedores tech dos EUA, entre outros), na sua 25ª visita, não teve a pompa que foi preparada para Trump. Mas, a agenda de uma aliança hoje frutífera para os dois países, estava em pauta. A China aproveitou bem as sanções ocidentais para ampliar sua presença no mercado russo. E abriu mercado para petróleo e gás, que antes iam para a Europa. A parceria vai mais longe e está diretamente envolvida no conflito tanto da Ucrânia como do Irã. Os dois países não só estão testando armas nos dois conflitos, como desenvolvem com trocas de tecnologia de novas armas. Para enfrentar quem? As armas americanas presentes nos dois campos de batalha.
O fato de Xi, Trump e Putin não se encontrarem juntos não diminui a importância sequencial dos encontros para a geoeconomia e geopolítica mundial. É uma nova dinâmica, ou uma dinâmica parecida com o final da segunda guerra, mas com a China presente, quando detestando-se ou não, os dirigentes de potências da época souberam, olhando para seus interesses, dividir o mundo e o dominar. E dentro disso, como ficou a visita do presidente Lula à Casa Branca?
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