Inflação à espreita
Os últimos dados da inflação no Brasil trazem um alerta que não pode ser ignorado pelos gestores da máquina pública: os alimentos voltaram a pressionar. O grupo alimentação e bebidas foi, por muito tempo, o vilão dos índices inflacionários, o que levou o País a conviver com juros de dois dígitos por vários meses.
Em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou alta de 0,67%. A variação representa uma desaceleração na comparação com o mês anterior, mas, quando os dados são destrinchados, surge a preocupação. O grupo alimentação e bebidas foi o principal vilão da inflação no mês, com alta de 1,34%.
Entre os produtos que mais subiram estão o leite, a carne, a cebola e o tomate. O encarecimento desses itens está ligado à restrição de oferta, porém o IBGE aponta que também há impactos da guerra no Oriente Médio.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou uma crise energética global sem precedentes. O encarecimento dos combustíveis, por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, está contaminando os preços do frete e espalhando a alta do custo para o restante da cadeia, até chegar ao consumidor final.
A disputa ainda está longe de ter uma solução, e o prolongamento da tensão vai causar ainda mais estragos na economia mundial.
No Brasil, é preciso que o governo se atente, mais do que nunca, à política fiscal. É necessário, e urgente, corrigir o rumo. Reduzir os gastos pode ser questão de sobrevivência neste momento.
Sem um ajuste na política fiscal, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) poderá se ver obrigado a interromper o ciclo de corte da taxa básica de juros. E o pior: o BC pode ser obrigado a voltar a aplicar uma política de aperto monetário para conter a inflação.
Com juros acima de 14% ao ano, já vivemos uma onda de desinvestimento e desaceleração em diversos setores. Se houver a necessidade de manter a Selic em níveis tão elevados, será a pá de cal sobre a economia.
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