Viver em Voz Alta

Os contemporâneos e os clássicos

Bibliotecas devem conter um acervo plural, diversificado, com a chamada bibliodiversidade

Na coluna da semana passada, defendi a importância de que cada um dos 853 municípios mineiros tenha pelo menos uma biblioteca forte, capaz de mobilizar a comunidade em torno do livro e da leitura, elementos fundamentais para o desenvolvimento de um povo e o progresso de um território. As bibliotecas são centros de difusão de saberes e, se bem geridas, podem se consagrar como potentes núcleos comunitários em favor da Cultura.

Um ponto, no entanto, merece ser enfatizado. As bibliotecas devem conter um acervo plural, diversificado, capaz de contemplar autoras e autores de diferentes origens, formações e trajetórias, tanto do Brasil quanto fora dele. É o que chamamos de bibliodiversidade. Nada melhor que acessar uma grande variedade de vozes literárias. Isso enriquece a nossa experiência estética e intelectual, alargando nossos horizontes e ampliando nossa consciência sobre o fenômeno literário. Se, antes, a literatura brasileira era produzida apenas por homens brancos e de vida confortável, moradores das grandes cidades, hoje ela aparece por toda parte, vigorosa e empolgante. Não são poucos os negros, os indígenas e as mulheres que se destacam na cena literária brasileira contemporânea – realidade que as bibliotecas sintonizadas com o seu tempo devem apreender rapidamente, sob pena de se tornarem irrelevantes ou ultrapassadas.

Por outro lado, as bibliotecas não podem jamais menosprezar os chamados “clássicos”. Aquelas obras consagradas por gerações e gerações de leitores e que nunca perdem a força, permanecendo atuais, relevantes e atraentes. A leitura dos clássicos é fundamental para a formação e o refinamento do gosto literário, e dá ao seu público a medida do que é excelente.

Entre os autores da atualidade, há que se prestar atenção em nomes como Itamar Vieira Jr, Jefferson Tenório, Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Ricardo Aleixo, Ana Martins Marques, Ailton Krenak…
Entre os ditos “clássicos”, nenhuma biblioteca pode ficar sem Machado de Assis, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, Clarice Lispector…

O importante, no final das contas, é manter aceso e vivo o saudável hábito da leitura, seja de clássicos, seja de autores contemporâneos. A leitura muda a vida da gente. Para sempre. E as bibliotecas são os portais mágicos que nos dão acesso a ela.

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