A hora da prova
O Brasil vive, em 2026, o início de uma transformação tributária sem precedentes nas últimas décadas. A implantação do IBS e da CBS inaugura um novo modelo de tributação sobre o consumo, com impactos diretos em empresas de todos os portes. Não se trata de mais uma promessa de simplificação: dessa vez, as mudanças já estão nos documentos fiscais, nos sistemas de gestão e nas mesas dos departamentos contábeis de norte a sul do País.
Cinco tributos serão substituídos: PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. Em seu lugar, um modelo inspirado no IVA europeu, com alíquotas unificadas e regras padronizadas. Diferente do modelo atual, em que o ICMS e o ISS possuem regras distintas para cada estado e município, o IBS terá padronização nacional, o que garantirá maior previsibilidade para as empresas e reduzirá a complexidade da legislação tributária.
O horizonte é 2033. Até lá, o País atravessará uma transição longa, gradual e exigente. O ano de 2026 inaugura a fase operacional da reforma: é o primeiro em que IBS e CBS passam a existir juridicamente, integrando formalmente o sistema tributário nacional. Ainda não há cobrança efetiva, mas já há obrigação de registrar os novos tributos nas notas fiscais eletrônicas. É uma fase de testes com consequências reais.
E é justamente nesse intervalo que reside o maior risco para os negócios. Empresas que encararem a fase de testes como uma oportunidade de ajustar processos, sistemas e estratégia sairão na frente. Aquelas que tratarem 2026 como um ano normal vão sentir o peso da transição em 2027, quando a CBS entrar em vigor com alíquota cheia.
O debate sobre os efeitos da reforma ainda está longe de ser consensual. Há quem veja na padronização uma oportunidade histórica de reduzir a chamada “guerra fiscal” entre estados e de dar mais segurança jurídica ao ambiente de negócios. Há quem alerte para o risco de elevação da carga tributária em determinados setores, especialmente os de serviços. A estimativa é de que as alíquotas somadas de CBS e IBS cheguem a 28%, mas ainda se aguarda regulamentação definitiva.
O que não está em debate é a escala da mudança. Reorganizar um sistema tributário construído ao longo de décadas, com centenas de normas superpostas e interesses regionais enraizados, é uma tarefa que extrapola qualquer gestão ou mandato. O mérito de ter chegado até aqui pertence a múltiplos atores, ao longo de muitos anos. O mérito de executar bem, agora, pertence às empresas e aos gestores que souberem ler o momento.
2026 não é um ano de espera. É um ano de preparação. E preparação, no mundo dos negócios, nunca foi opcional.
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