Crise no setor aéreo afeta até 90% da demanda em aeroportos regionais de Minas
Os desafios nas cadeias de suprimentos e financeira, como a alta do querosene de aviação (QAV), que dobrou de preço nos últimos três meses, impactam de forma severa a aviação regional em Minas Gerais. Entre janeiro e abril de 2026, os aeroportos de Patos de Minas e Araxá, no Alto Paranaíba, apresentaram quedas de 90% e 80%, respectivamente, no transporte de passageiros na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025.
Os dados constam em relatório divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A forte queda pode ser explicada por mudanças realizadas pela Azul Linhas Aéreas, maior operadora de voos do interior do Estado, que extinguiu a rota entre Patos de Minas e Araxá e reduziu a frequência de voos entre Araxá e Confins (Região Metropolitana de Belo Horizonte), principal hub mineiro.
Outras seis operações, em diferentes regiões do interior do Estado, também apresentaram queda no número de passageiros no mesmo período. Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a rota para Campinas (SP) também foi suspensa, contribuindo para uma queda de 37% no fluxo de passageiros do aeroporto local no mesmo período.
Também apresentaram quedas os terminais de Montes Claros (-13,9%), Santana do Paraíso (-27,3%), Goianá (-18,9%) e Governador Valadares (-14,2%). A única evolução no transporte de passageiros da aviação regional mineira foi observada no aeroporto de Uberlândia, que apresentou alta de 12,8% nos primeiros quatro meses deste ano.
Procurada pelo Diário do Comércio, a Azul Linhas Aéreas atribuiu os cortes a uma combinação de fatores, com destaque para a alta do dólar, a pressão na cadeia global de suprimentos e restrições de frota. A alta cambial pressiona as companhias no País, já que o combustível de aviação, a manutenção de aeronaves, o arrendamento de frotas e peças de reposição são cotados na moeda americana.
Entre fevereiro e maio de 2026, o preço médio do querosene de aviação (QAV) ampliou de R$ 3,30 para R$ 6,65 por litro e já teria resultado no cancelamento de cerca de 121 voos por dia no Brasil, segundo Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A alta está atrelada à Guerra no Oriente Médio, que segue pressionando o mercado internacional de petróleo.
Apenas o combustível é responsável por cerca de 46% dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, com maior pressão em rotas regionais e cidades com menor demanda.
Reorganização abre espaço para novos destinos em Minas
Segundo a companhia, as alterações em determinados voos e rotas do interior de Minas Gerais visam manter a eficiência operacional e a competitividade no setor aéreo nacional. A Azul afirmou ainda que “segue avaliando constantemente oportunidades de expansão e retomada de operações, de acordo com as necessidades do mercado e a viabilidade operacional de cada rota, e que os clientes afetados recebem assistência conforme as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Apesar da queda em determinadas cidades, a Azul destaca que segue ampliando a atuação na aviação regional de Minas Gerais, especialmente com o anúncio de novas operações. Entre as novidades estão as a ligação entre Confins e São João Del-Rei, com o início da operação prevista para agosto com três frequências semanais, além de Confins – Diamantina, também para o início em agosto, com três frequências semanais.
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